Em 2025, cerca de três em cada dez casos de desaparecimento no Brasil envolveram crianças e jovens, totalizando 23.919 ocorrências de um total de 84.760 registros. Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram um aumento de 8% em relação aos 22.092 casos registrados em 2024. Diariamente, as delegacias registravam, em média, 66 boletins sobre desaparecimentos de menores.
O aumento nos casos envolvendo crianças e adolescentes foi o dobro do crescimento dos desaparecimentos em geral, que subiram 4%, de 81.406 para 84.760 no mesmo período. Apesar disso, o total de 2025 é 14% menor se comparado aos 27.730 registros de 2019, data que marcou a implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, com uma tendência de crescimento constante desde 2023, quando houve 20.445 denúncias.
Enquanto os homens compõem 64% do total de desaparecidos, entre crianças e adolescentes, as meninas representam a maioria, com 62% dos casos. A lei brasileira, em vigor desde 2019, define desaparecido qualquer indivíduo cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da razão, até que seja confirmado o seu retorno ou localização.
Especialistas ressaltam a complexidade dos motivos por trás dos desaparecimentos, classificando-os em voluntários, involuntários (sem violência), forçados e estratégicos, este último relacionado a fugas para proteção, como em situações de abuso. Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes) da Universidade de Brasília (UnB), destaca a variedade dessas causas.
De acordo com o Mapa dos Desaparecidos no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maioria dos desaparecimentos ocorre entre sexta-feira e domingo. Um exemplo é o caso do menino I.S.B., de 10 anos, que saiu de casa em Curitiba (PR), em 27 de dezembro de 2024, para brincar e, com medo de punição, não voltou à noite. Ele foi encontrado três dias depois por um idoso que havia visto avisos nas redes sociais.
O pai, Leandro Barboza, pintor, contou a angústia vivida durante os dias de busca, incluindo o medo de sequestro ou óbito, e criticou as críticas precipitadas nas redes sociais que responsabilizavam os pais. Ele afirmou que recebeu ameaças de responsabilização na delegacia, apesar do atendimento recebido, e ressaltou a importância de apoio psicológico para as famílias afetadas. Atualmente, ele acompanha o filho no trabalho para evitar novos incidentes.
Informações fornecidas pela Agência Brasil.
