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segunda-feira, 23/02/2026

Cresce financiamento de carros e motos no DF

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Em Brasília

O financiamento de veículos no Distrito Federal começou 2026 com crescimento. Em janeiro, foram financiados 13,1 mil veículos entre novos e usados, um aumento de 5,3% em comparação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Trillia, área de dados da B3.

Esse resultado é diferente do registrado em janeiro de 2025, quando foram financiados 12,4 mil veículos, uma leve queda de 0,3% em relação a 2024. Agora, o Distrito Federal está em 15º lugar no ranking nacional, representando 2,13% do total de financiamentos no Brasil.

O principal motivo para esse crescimento foi o financiamento de motos, que subiu 16,7% no ano. Carros leves também tiveram aumento de 7%. Por outro lado, o financiamento de veículos pesados caiu 44,6%, uma retração maior do que a média nacional.

No Brasil, o mês de janeiro também apresentou crescimento, com 616 mil unidades financiadas, o maior volume para o mês desde 2008, representando um aumento de 9,2% em comparação a janeiro de 2025. Os carros seminovos lideraram, com 412 mil unidades financiadas (+8,8%), enquanto os veículos zero quilômetro totalizaram 204 mil financiamentos (+10,1%).

Daniel Takatohi, superintendente de Produtos de Financiamento da Trillia, destaca que o resultado confirma o crescimento do setor automotivo no país. A B3 está preparada para suportar essa expansão com uma infraestrutura sólida, e o Sistema Nacional de Gravames ajuda a reduzir riscos de fraude e facilita a análise e aprovação de crédito.

George Sales, professor de mercado financeiro da Fipecafi, explica que o bom desempenho de janeiro não é isolado, pois o mês concentra a demanda acumulada do final do ano. Em dezembro, muitas famílias gastam com festas, férias e impostos, e ao começar o ano as compras são retomadas.

Ele observa também que 2026 iniciou com maior estabilidade nos preços de veículos novos e usados, o que faz o consumidor antecipar a compra mesmo com juros altos.

No Distrito Federal, o aumento no financiamento de motos tem explicação: as motos custam menos e são uma opção para quem trabalha por conta própria e precisa de mobilidade urbana, sendo viáveis mesmo com juros altos.

Os seminovos continuam sendo a principal opção para o crédito automotivo, pois oferecem preço mais acessível e menor desvalorização inicial, facilitando o pagamento em parcelas adequadas ao orçamento.

A forte queda no financiamento de veículos pesados no DF reflete a estrutura econômica local, com menos atividades que demandam logística pesada e mais cautela das empresas em tomar crédito a longo prazo, segundo George Sales.

Preços estáveis, mas em queda

A tabela Auto B3 mostra que, em janeiro, os preços dos usados diminuíram 0,3% em relação a dezembro. No último ano, a queda média foi de 4,5%, com SUVs e picapes compactas liderando essa desvalorização. Já os veículos novos também tiveram queda de 0,3% em janeiro e 5,9% no acumulado anual. A redução dos preços perdeu intensidade, indicando um início de ano mais estável.

Apesar do crescimento, o cenário ainda exige atenção. Três fatores sustentam a decisão de financiar mesmo com juros altos: necessidade de mobilidade, limitação financeira e esperança de queda futura dos juros. É importante analisar o Custo Efetivo Total, o prazo do financiamento, o percentual da renda comprometida e despesas extras como seguro, manutenção e IPVA.

No Distrito Federal, a renda média mais alta e a presença de empregos públicos e de serviços qualificados ajudam a manter o crédito e diminuir o risco de inadimplência. No entanto, é preciso cautela, pois o veículo se desvaloriza rápido e a dívida permanece. Se a renda não acompanhar os compromissos, há risco de endividamento.

Para quem tem estabilidade financeira e planejamento, o momento pode ser uma oportunidade, especialmente com entrada maior e prazos mais curtos. Para quem está no limite do orçamento, o mais indicado é esperar ou renegociar as condições. O resultado de janeiro mostra uma retomada no DF, mas o ritmo futuro dependerá da evolução dos juros e da confiança do consumidor.

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