A Oncoclínicas, uma das maiores redes de tratamento oncológico da América Latina, atingiu o apoio necessário de seus credores para dar sequência ao plano de recuperação extrajudicial, que envolve dívidas na ordem de R$ 5,7 bilhões.
A empresa anunciou na sexta-feira, 30 de outubro, que credores que representam mais de R$ 3,5 bilhões, equivalentes a 61,6% do total coberto pela proposta, manifestaram apoio. Esse percentual supera o mínimo de 50% exigido pela Lei de Recuperação Judicial e Falências para que o plano seja submetido à homologação judicial.
Com esse quórum, a Oncoclínicas seguirá para a etapa de homologação na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Após isso, será publicado um edital para que os credores possam apresentar eventuais questionamentos.
A versão atualizada do plano foi apresentada na quinta-feira, 29 de outubro, excluindo débitos entre empresas do próprio grupo e abrangendo apenas os créditos ligados à recuperação extrajudicial.
Desafios enfrentados pela Oncoclínicas
Atuando em 144 unidades espalhadas por mais de 47 regiões, a Oncoclínicas enfrenta dificuldades para manter o tratamento dos pacientes. Um dos principais problemas apontados é o bloqueio de caixa causado pelas operadoras de saúde. Essas empresas têm recusado antecipações de recebíveis das faturas, que normalmente seriam pagas posteriormente, comprometendo a disponibilidade financeira da rede de clínicas.
Essa situação dificulta o fornecimento regular dos medicamentos necessários para os tratamentos, prejudicando diretamente os pacientes, que dependem dos planos de saúde para ter acesso aos serviços da Oncoclínicas.
Além disso, a crise afeta os próprios planos de saúde, que têm recebido um volume crescente de reclamações na Agência Nacional de Saúde (ANS).
Investimentos e acordos financeiros
Um dos entraves financeiros da Oncoclínicas está ligado ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A instituição aplicou R$ 1 bilhão na empresa em uma ação de aumento de capital, passando a deter 20% da companhia. Contudo, os recursos captados foram aplicados em CDBs do próprio banco, parte dos quais não foram pagos devido à liquidação do Master.
Antes disso, foi firmado um acordo que permitia à Oncoclínicas retomar as ações de Vorcaro caso os pagamentos não fossem honrados. Entretanto, o Banco Master repassou R$ 90 milhões em ações para o Banco de Brasília (BRB), valores que refletiam inicialmente R$ 400 milhões, mas que atualmente valem cerca de R$ 150 milhões.
Fonte: Metrópoles

