FELIPE GUTIERREZ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que é a taxa básica de juros no Brasil, foi menor do que o esperado antes do conflito no Oriente Médio. Especialistas do mercado financeiro acreditam que esse será o ritmo dos próximos cortes.
Nesta quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Antes dos acontecimentos no Oriente Médio, muitos esperavam que os cortes fossem de 0,5 ponto percentual em cada reunião.
A taxa de juros real, que considera a curva futura de juros, está em cerca de 9,51% ao ano, sendo a segunda maior do mundo.
Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating, destacou que o comunicado do Copom começou mencionando o conflito no Oriente Médio. Ele afirmou: “Quanto mais transparente for o Banco Central, melhor ele vai conseguir gerenciar as expectativas”.
Ele também comentou que a decisão do corte modesto surpreendeu parte do mercado, que previa quedas maiores. O comitê tinha previsto em janeiro que os cortes começariam neste mês.
No mesmo dia, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) optou por manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, citando incertezas ligadas à guerra no Irã.
Este corte de 0,25 ponto foi o primeiro desde maio de 2024 e também o primeiro sob a direção de Gabriel Galípolo, que assumiu a autarquia no início de 2025. A taxa Selic estava estável em 15% desde junho do ano anterior.
Caio Megale, economista-chefe da XP, prevê que os cortes devam continuar, com ritmo de 0,25 ponto percentual ou mais.
Ele ressaltou que o Copom manteve a previsão para a inflação próxima ao atual nível e mencionou os eventos recentes, incluindo o conflito no Oriente Médio, podendo influenciar o ritmo dos cortes futuros.
Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, destacou que a expectativa de inflação mudou de 3,4% para 3,9% no terceiro trimestre de 2027. Ele e Agostini preveem mais um corte de 0,25 ponto na próxima reunião.
Danilo Passos, economista da WHG, mencionou que o ciclo de redução das taxas deve continuar, mas dificilmente será mais acelerado do que o atual.
Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, afirmou que o conflito no Oriente Médio mantém os preços do petróleo elevados, o que justifica o corte moderado decidido pelo Banco Central.
Ele acrescentou: “Se a situação melhorar e os preços do petróleo caírem para níveis anteriores ao conflito, o Banco Central pode considerar cortes maiores, até 0,50 ponto”.
Corte é insuficiente, dizem indústrias
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Fiemg (de Minas Gerais) criticaram o corte, considerando-o tímido.
A Fiesp afirmou que não há muita demanda para justificar cortes rigorosos, e que a política atual acaba prejudicando o investimento e inovação, favorecendo a renda fixa. A entidade pediu também cortes nos gastos do governo.
A Fiemg disse que a redução de 15% para 14,75% não é suficiente para tornar a indústria mais competitiva. Além disso, destacou que o setor produtivo esperava uma redução maior, já que não houve cortes por quase dois anos.
