Cleomar Almeida e Artur Búrigo
Folhapress
A Polícia Civil de Goiás está investigando o assassinato da corretora Daiane Alves dos Santos, de 43 anos, que estava desaparecida por mais de um mês e cujo corpo foi encontrado na última quarta-feira (28). As investigações indicam que Daiane foi morta no prédio onde morava, em Caldas Novas.
Segundo os investigadores, a última imagem da corretora é de 17 de dezembro às 19h, dentro do elevador, indo para o subsolo. Pouco depois, às 19h08, outra moradora usou o elevador para ir ao mesmo andar, sem perceber nada estranho.
A polícia acredita que o síndico Cléber Rosa de Oliveira, que está preso sob suspeita, matou Daiane neste intervalo de oito minutos.
O delegado João Paulo Ferreira Mendes, da divisão estadual de homicídios, afirmou: “Não podemos afirmar com certeza pela falta das imagens do subsolo, mas tudo indica que o crime aconteceu no prédio e o corpo foi retirado de lá”.
Cléber não respondeu à defesa até o momento. A corretora teria descido ao subsolo para verificar o quadro de energia do edifício porque apenas seu apartamento estava sem luz. O síndico costumava cortar energia de alguns apartamentos, segundo a polícia.
Daiane estava filmando o local com o celular, provavelmente gerando um conflito com o síndico. Segundo o delegado, Cléber relatou informalmente que houve um desentendimento quando ela chegou filmando.
Depois, ao ser confrontado com evidências, Cléber confessou o crime e indicou onde deixou o corpo, a 15 km de Caldas Novas. Ele foi preso temporariamente por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
O filho do síndico, Maykon Douglas de Oliveira, também está preso preventivamente por possível obstrução das investigações. A polícia investiga se ele ajudou na ocultação do corpo. O delegado André Luiz Barbosa disse que o filho comprou um telefone novo no dia 17, habilitado pelo pai, e o carro do filho pode ter sido usado para transportar o corpo.
Imagens mostram o carro indo para o local do crime com a capota fechada e retornando 48 minutos depois com a capota aberta, o que indica que a vítima já estava morta ao ser transportada. A perícia no veículo não encontrou vestígios da vítima.
A polícia considera que Cléber tinha motivação e meios para cometer o assassinato. O delegado destacou que a porta do apartamento da vítima foi deixada aberta quando ela desapareceu, mostrando que não saiu por vontade própria, mas quando os familiares chegaram a porta estava fechada, sugerindo a ação de alguém com acesso ao prédio.
O crime pode estar ligado à chegada de Daiane ao prédio em novembro de 2024, para administrar seis apartamentos da mãe. Antes dela, o síndico cuidava da administração e recebia pelas corretagens.
Desentendimentos aumentaram quando o síndico tentou proibir Daiane de acessar as áreas comuns do prédio, alegando que os imóveis eram da mãe dela, e não dela própria. Daiane venceu judicialmente impedimentos e recebeu indenização.
A polícia ainda verifica se o crime foi premeditado e o papel do filho do síndico no caso.
