IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Os Correios decidiram substituir dois diretores importantes: o diretor de Operações, Sérgio Kennedy Soares Freitas, e a diretora Econômico-Financeira, Loiane Bezerra de Macedo. Os novos indicados terão perfil técnico e ainda precisam passar por aprovação dos comitês internos da empresa, que é liderada por Emmanoel Rondon.
A saída de Kennedy era esperada e já havia sido planejada no final do ano passado. Sua indicação inicial era ligada ao partido Podemos. A troca foi pausada após críticas internas ao nome escolhido para seu lugar, especialmente porque o candidato anterior, José Marcos Gomes, tinha ligação com o governo anterior de Jair Bolsonaro, o que desagradou o atual Executivo.
Loiane Macedo trabalhava na Caixa Econômica Federal há 18 anos antes de entrar para os Correios. Ela foi nomeada pelo ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, e manteve seu cargo com a nova gestão.
Kennedy e Macedo tinham mandato até agosto de 2027, mas serão desligados antes do fim deste período.
A empresa não se manifestou oficialmente até o momento.
Esta é a terceira mudança na diretoria desde que Rondon assumiu a presidência em setembro de 2025, com a missão de organizar as finanças dos Correios.
No início de 2026, o diretor de Administração, José Rorício Aguiar de Vasconcelos Junior, também deixou o cargo. Ele tinha ligação com o deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministro das Comunicações. Até agora, a vaga não foi oficialmente preenchida, e suas responsabilidades estão sendo assumidas temporariamente por Hilton Rogério Maia Cardoso, diretor de Negócios.
Antes, no ano passado, outros dois diretores ligados ao PT foram retirados de seus cargos: Juliana Picoli Agatte (Governança e Estratégia) e Getúlio Marques Ferreira (Gestão de Pessoas). Ambos tinham mandatos vencidos desde agosto e foram substituídos por Luiz Cláudio Ligabue e Natália Teles da Mota, respectivamente.
Os Correios estão implementando um plano de reestruturação financiado inicialmente por uma operação de crédito de R$ 12 bilhões obtida no final de 2025 junto a cinco bancos, sendo dois controlados pelo governo federal.
A companhia estima precisar de um total de R$ 20 bilhões para completar o plano, que inclui pagar dívidas, custear medidas de ajuste como incentivo ao plano de demissão voluntária e mudanças no plano de saúde, além de manter suas obrigações financeiras em dia.
Atualmente, a empresa busca novas fontes de recursos, seja por meio de empréstimos ou aporte direto da União, para evitar problemas financeiros durante o período eleitoral que se aproxima.

