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sábado, 17/01/2026

Correios buscam R$ 8 bi até junho para evitar crise na eleição

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IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Os Correios começaram a se movimentar para conseguir, até junho, R$ 8 bilhões extras que precisam para seguir com seu plano de reestruturação. Essa quantia pode vir por meio de um novo empréstimo ou de um aporte da União. O objetivo é evitar que a empresa tenha uma nova crise durante o período eleitoral.

Em dezembro de 2025, os Correios conseguiram R$ 12 bilhões por meio de uma operação de crédito com cinco bancos, incluindo dois controlados pelo governo federal. Esse valor deve durar até a metade deste ano, segundo fontes próximas ao caso.

Esse prazo pode ser estendido se medidas como o programa de demissão voluntária (PDV) forem bem-sucedidas, mas a avaliação é que é importante garantir logo o valor extra para evitar um problema financeiro durante a campanha eleitoral, o que poderia prejudicar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os Correios calculam que precisam de um total de R$ 20 bilhões para realizar sua reestruturação. Esse dinheiro será usado para pagar dívidas, financiar ajustes, como incentivos para adesão ao PDV e mudanças no plano de saúde, e manter as obrigações financeiras da empresa em dia.

Do empréstimo inicial, R$ 10 bilhões foram liberados no fim do ano passado, e mais R$ 2 bilhões serão repassados até o final de janeiro.

Em entrevista no fim de dezembro, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a empresa precisaria de mais R$ 8 bilhões para cumprir seus compromissos.

Esta semana, a direção da empresa iniciou contato com instituições financeiras para avaliar o interesse em uma nova operação de crédito, mas também pretende garantir o aporte prometido pelo Ministério da Fazenda na contratação do empréstimo com os bancos.

O contrato firmado com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander prevê uma injeção de R$ 6 bilhões da União até 2027. Essa cláusula foi confirmada pelo Tesouro Nacional.

Segundo o Tesouro, “o contrato prevê o aporte de R$ 6 bilhões até 2027, sem vínculo com uma nova operação de crédito”.

Isso quer dizer que, além de ser responsável pelo pagamento caso a empresa não consiga honrar suas dívidas, o Tesouro precisa injetar R$ 6 bilhões nos Correios até o fim de 2027, seja em parcela única ou dividida, independentemente de outras captações de recursos.

Essa cláusula foi discutida em reunião entre o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, representantes da Caixa e bancos privados, onde o governo solicitou que as instituições considerassem participar da operação.

Nessa reunião, o Ministério da Fazenda sinalizou a possibilidade de aporte nos Correios em 2026 ou 2027, já que não poderia haver repasse em 2025.

As instituições financeiras pediram a formalização desse compromisso em contrato, o que divide o ônus do apoio e contribui para justificar a operação de crédito, que tem risco apesar de ser rentável. O governo não se opôs.

A empresa também utiliza o risco eleitoral para tentar garantir que o governo realize ao menos parte do aporte de R$ 6 bilhões ainda neste ano, para evitar problemas como os enfrentados no fim de 2025, quando a demora para fechar a operação colocou em risco o pagamento do 13º salário dos funcionários. Uma situação semelhante em plena campanha eleitoral poderia afetar negativamente o governo.

Além disso, há uma percepção entre os bancos de que haverá pouco interesse em oferecer um novo empréstimo nas condições propostas pelo Tesouro Nacional.

A operação inicial envolveu os cinco maiores bancos do país, que podem estar pouco dispostos a uma nova liberação de recursos. Bancos menores fizeram propostas, mas com custos considerados altos demais pelo governo para garantir a operação.

Segundo um executivo que falou sob condição de anonimato, os bancos poderiam atender a essa demanda extra se o governo insistir, mas aumentar o endividamento pode não ser saudável para a empresa durante sua recuperação.

O contrato de R$ 12 bilhões com o sindicato de bancos possui prazo de 15 anos, com 3 anos de carência. Quando começarem os pagamentos, entre 2028 e 2029, a dívida terá custo superior a R$ 1 bilhão por ano. Uma nova operação aumentaria ainda mais esse custo, comprometendo uma parcela maior das receitas da empresa.

Por isso, técnicos acreditam que o aporte governamental ainda em 2026 será inevitável.

O governo também avalia outras formas de ajudar os Correios, como uma compensação pela prestação do serviço postal universal, uma obrigação constitucional que gera custos consideráveis para a empresa.

Embora ainda não exista uma proposta definitiva, o governo estuda modelos de outros países que cobram uma taxa para financiar a universalização do serviço postal. Outras opções também estão sendo consideradas, o que poderia aumentar as receitas dos Correios.

Em contato, os Correios afirmaram que a primeira fase do plano de reestruturação está em andamento, garantindo condições para normalizar as operações. “Novas operações no mercado poderão ser consideradas nas próximas fases do plano, se forem oportunas e alinhadas aos objetivos da empresa”, disseram.

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