26.5 C
Brasília
sábado, 29/11/2025

Correios buscam apoio para custo do serviço postal universal

Brasília
nuvens dispersas
26.5 ° C
28.1 °
26.5 °
55 %
1.5kmh
40 %
sáb
30 °
dom
31 °
seg
29 °
ter
28 °
qua
26 °

Em Brasília

IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Os Correios estão solicitando ao governo uma forma de compensar os custos do serviço postal universal, que é uma obrigação garantida pela Constituição e que representa uma parte importante das despesas da empresa. A estatal também está explorando novas oportunidades de negócio e possíveis parcerias, mantendo o controle pelo Governo Federal.

A empresa ainda não definiu uma proposta concreta, mas considera a criação de uma taxa para financiar o serviço universal, com base em critérios que ainda serão estabelecidos. Outras alternativas também estão sendo avaliadas.

Fontes próximas às discussões indicam que o tema deve aparecer no plano de reestruturação dos Correios, ainda que de forma geral. Esse plano é fundamental para viabilizar um empréstimo de R$ 20 bilhões destinado a apoiar a companhia.

O documento terá um capítulo dedicado a medidas de ajuste, incluindo estudos sobre a compensação pelo serviço postal universal.

Receitas provenientes dessa compensação não serão incluídas nas previsões financeiras da empresa para os próximos anos, o que significa que o plano precisa mostrar que os Correios conseguirão manter sua sustentabilidade financeira independentemente dessa decisão.

Especialistas reconhecem a necessidade de alguma forma de compensação pelo serviço universal e confirmam que a criação de uma taxa está em discussão. No entanto, essa ideia enfrenta resistência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teme desgastes políticos em ano eleitoral, lembrando o episódio da polêmica “taxa das blusinhas”.

Os Correios afirmaram que detalhes do plano serão divulgados em breve, e que estão negociando com bancos para fechar o empréstimo de R$ 20 bilhões, que poderá ser realizado em partes.

O Ministério da Fazenda não se posicionou sobre a criação da taxa e encaminhou as perguntas para o Ministério das Comunicações, órgão vinculado aos Correios. Este também não respondeu. Outros ministérios e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República não se manifestaram.

O serviço postal universal garante que os Correios estejam presentes em todo o país, inclusive em regiões isoladas onde o serviço não é lucrativo e, por isso, empresas privadas não atuam.

Atualmente, os Correios mantêm cerca de 10 mil pontos de atendimento, sendo 7 mil agências próprias ou franqueadas. No relatório financeiro da empresa, consta que 71% dos locais atendidos operam apenas para cumprir os critérios de universalização, sem gerar lucro.

Esse percentual sobe para 74% considerando os custos da administração operacional, e alcança 89% quando todos os gastos da empresa são contabilizados.

No primeiro semestre de 2025, a universalização gerou um prejuízo de R$ 4,82 bilhões. Como o prejuízo total da empresa no período foi de R$ 4,37 bilhões, isso indica que outras áreas da empresa apresentaram lucro.

Na semana passada, os Correios já indicaram no plano de reestruturação a intenção de tratar do tema. Em comunicado divulgado em 21 de dezembro, ressaltaram que em vários países existem mecanismos oficiais para financiar a universalização, reconhecida como um serviço público essencial.

No Brasil, apesar da queda nas receitas tradicionais, um fenômeno global, os Correios permanecem como único operador capaz de atender todos os municípios, inclusive áreas onde a presença do Estado é fundamental.

O plano contemplará também a busca por novas fontes de receita, com possibilidades de fusões, aquisições e outras reorganizações para fortalecer a competitividade da empresa a médio e longo prazo.

Fontes que participam das discussões informam que a nova direção dos Correios estuda modelos como joint-ventures com parceiros privados para negócios específicos, ou mesmo mudanças maiores como abertura de capital, transformando a empresa em sociedade de economia mista, mas mantendo o controle do governo federal, similar ao que ocorre com Petrobras e Banco do Brasil.

Essas análises serão técnicas, não ideológicas, e deverão garantir que a empresa mantenha seu papel na prestação do serviço postal universal e preserve a soberania logística. Técnicos destacam ainda a importância dos Correios na logística de urnas eletrônicas e da distribuição de provas do Enem em todo o território nacional, funções que devem ser protegidas.

O desenvolvimento das novas oportunidades de negócio contará com suporte de consultoria externa e aconselhamento especializado.

Em situação financeira muito complicada, os Correios registraram prejuízo de R$ 2,64 bilhões no segundo trimestre de 2025, quase cinco vezes maior do que os R$ 553,2 milhões do mesmo período em 2024.

No primeiro semestre, o prejuízo totalizou R$ 4,37 bilhões, triplicando em relação ao prejuízo de R$ 1,35 bilhão do primeiro semestre de 2024.

Além da “taxa das blusinhas”, que reduziu a receita da empresa, os Correios enfrentam problemas com a deterioração das operações e o impacto de ações judiciais no caixa. Além disso, os custos, especialmente com pessoal, continuam crescendo.

Veja Também