ALÉXIA SOUSA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O corpo do cão chamado Orelha, que morreu após ser agredido na Praia Brava, em Florianópolis, foi retirado da sepultura para passar por uma nova avaliação técnica feita pela Polícia Científica de Santa Catarina. A informação foi confirmada por uma fonte próxima ao governo estadual.
Mais cedo, o portal G1 informou que a Justiça autorizou essa exumação. O procedimento já foi concluído e os exames estão em curso.
O Ministério Público de Santa Catarina solicitou essa diligência na última terça-feira (10). Nesse mesmo dia, o órgão anunciou que abriu uma investigação preliminar para analisar a atuação do delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, no acompanhamento do caso.
A 40ª Promotoria de Justiça da Comarca de Florianópolis, que supervisiona as atividades policiais, afirmou que a medida foi adotada após receber várias reclamações sobre a conduta do delegado-geral no caso Orelha. O objetivo é avaliar se há necessidade de iniciar um inquérito civil para possíveis ações legais.
A Polícia Civil e a Polícia Científica não confirmaram oficialmente a exumação, mas declararam que estão cumprindo rapidamente todas as novas diligências ordenadas no processo.
Em nota, as instituições esclareceram que não divulgam detalhes das investigações em andamento para garantir o bom andamento do caso. No entanto, ressaltaram que estão empenhadas em reunir provas para que os envolvidos sejam levados à Justiça, junto com outras evidências já obtidas tanto na morte do cão Orelha quanto em casos de maus-tratos ao cão Caramelo.
Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, localizada no norte da ilha de Florianópolis. Os laudos iniciais indicaram que ele sofreu um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por algum objeto rígido como madeira ou garrafa, vindo a falecer no dia seguinte.
Uma prova principal apresentada pela Polícia Civil é um vídeo que mostra um adolescente saindo de um condomínio na região às 5h25, acompanhado por uma amiga, e retornando às 5h58. A polícia estima que a agressão ocorreu por volta das 5h30.
A defesa contesta essa informação, argumentando que não há imagens registrando o momento exato do ataque. Segundo os advogados, o caso tem sido prejudicado pela desinformação espalhada nas redes sociais, e o adolescente e sua família têm sofrido ameaças e exposição de dados pessoais.
Na semana passada, a Polícia Civil concluiu a investigação e solicitou a internação do adolescente suspeito de realizar a agressão. O caso teve grande repercussão no país e também está relacionado a investigações sobre maus-tratos contra outro cão chamado Caramelo.
Por envolver menores de idade, os nomes dos suspeitos não são divulgados, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
