Nathalia Garcia
Brasília, DF (FolhaPress)
O Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que pretende iniciar o corte da taxa de juros já na próxima reunião, em março, após observar uma melhora na inflação e as expectativas de preços mais próximas da meta de 3%.
Apesar disso, todos os membros concordam que a taxa básica de juros (Selic) deve permanecer alta até que o processo de queda da inflação esteja consolidado e as expectativas estejam alinhadas com o objetivo. O comitê destacou que o mercado de trabalho forte é um dos fatores que ainda pressionam os preços.
O comitê discutiu detalhadamente a política monetária, considerando o cenário atual de melhora da inflação e de expectativas mais próximas da meta, o que mostra maior eficiência na transmissão das medidas monetárias.
Foi decidido que o início do ciclo de redução da taxa de juros será sinalizado na próxima reunião, mas ressalta-se a necessidade de manter os juros em níveis restritivos por enquanto.
O Copom avalia que a política cautelosa de juros tem ajudado a reduzir o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
A meta central do Banco Central para a inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual.
Na atual estrutura de meta contínua, a inflação é considerada fora da meta se ficar acima ou abaixo desse intervalo por seis meses consecutivos.
Na última reunião, realizada em 28 de fevereiro, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, repetindo a mesma decisão por cinco reuniões consecutivas. Mesmo assim, indicou que começará a reduzir a taxa básica em março.
A ata do comitê não especifica a intensidade ou duração dos cortes, evitando comprometer-se com um ritmo exato. O Copom observa que os sinais sobre a atividade econômica e seus impactos nos preços ainda são mistos, o que dificulta prever tendências claras.
O comitê afirmou que a magnitude e duração da redução dos juros serão definidas com base nas informações que surgirem ao longo do tempo, permitindo avaliações mais precisas.
Para o cenário principal do Copom, a projeção da inflação para 2025 foi reduzida de 3,5% para 3,4%. Considerando os efeitos retardados da política de juros, o foco está na inflação do terceiro trimestre de 2027, estimada em 3,2%, próxima ao centro da meta.
A reunião contou com um número menor de participantes, devido à saída dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2025.
