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domingo, 31/08/2025

Copom mantém Selic em 15% ao ano e encerra ciclo de aumento dos juros

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Em Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está reunido desde terça-feira (29/7) para decidir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, que será válida pelos próximos 45 dias. A perspectiva dominante é a manutenção da Selic em 15% ao ano, marcando assim o término do ciclo de elevação dos juros iniciado em setembro do ano passado.

Existe consenso entre agentes financeiros que a taxa ficará estável neste patamar. Já os economistas apresentam opiniões divergentes sobre o momento do início dos cortes nos juros.

Alguns especialistas acreditam que as reduções terão início em dezembro deste ano, enquanto outros projetam cortes somente após o primeiro trimestre de 2026. Há ainda uma visão mais cautelosa que estima a manutenção da taxa em 15% até o final do próximo ano.

Parada no ciclo de elevação dos juros

Na reunião de junho, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a Selic de 14,75% para 15% ao ano, sendo esta a sétima alta seguida desde o começo do aperto monetário em setembro de 2024.

A Selic alcançou assim o nível mais alto em quase duas décadas, o maior desde julho de 2006, na última fase do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a ata divulgada pelo Banco Central, a decisão por aumentar os juros foi motivada pela resiliência da economia, que dificulta que a inflação alcance a meta, exigindo um aperto monetário maior.

Contexto dos juros no Brasil

A Selic é o principal mecanismo de controle da inflação no país. Os membros do Copom decidem se haverá corte, manutenção ou elevação da taxa para conter o aumento dos preços.

Elevar a Selic torna o crédito mais caro, reduz o consumo e os investimentos, desacelerando a economia e contribuindo para a queda da inflação.

Recentemente, o mercado tem desacreditado na possibilidade da taxa cair abaixo de dois dígitos durante o governo de Lula e do mandato do presidente do Banco Central, Galípolo.

O Copom enfatizou que o ciclo de aumentos foi rápido e firme, e decidiu interrompê-lo para observar os efeitos do aperto monetário, avaliando se a taxa atual é adequada para garantir a inflação dentro da meta.

O comitê avaliou que os impactos totais da taxa contracionista ainda estão por vir, e a taxa deve se manter em nível alto por longo prazo devido às expectativas desancoradas.

O Banco Central também ressaltou que continuará atento e que poderá ajustar a política monetária conforme necessário, sem hesitar em retomar o ciclo de aumentos caso julgue apropriado.

Opiniões dos especialistas

O economista Leonardo Costa, do ASA, espera que o comunicado pós-Copom ressalte a necessidade de juros elevados por período prolongado, mencionando a atividade econômica resiliente.

Para o ASA, a Selic deve permanecer em 15% até dezembro, quando começam a ser esperados os cortes. Até lá, o Banco Central seguirá com discurso de vigilância, sem espaço para redução dos juros.

A Warren Investimentos destaca sinais de moderação da atividade econômica e melhora nos indicadores inflacionários. A corretora acredita que o discurso do Copom será prudente, mantendo a taxa em nível restritivo por tempo suficiente e prevê cortes apenas após o primeiro trimestre de 2026.

A Warren também espera que o Copom aborde temas como as tarifas de importação impostas pelos EUA e a importância da política fiscal e do corte de gastos públicos.

O economista sênior André Valério, do Inter, também prevê a manutenção da Selic, sem indicações claras sobre o início dos cortes, que espera para dezembro, caso a inflação e a atividade mostrem desaceleração.

O C6 Bank projeta que a taxa ficará em 15% durante um longo período, até o fim do próximo ano, e avalia que a sinalização da interrupção do ciclo de aumentos é mais uma permanência em patamar alto do que o fim da alta.

Calendário das reuniões do Copom

  • 2025: 28 e 29 de janeiro, 18 e 19 de março, 6 e 7 de maio, 17 e 18 de junho, 29 e 30 de julho, 16 e 17 de setembro, 4 e 5 de novembro, 9 e 10 de dezembro
  • 2026: 27 e 28 de janeiro, 17 e 18 de março, 28 e 29 de abril, 16 e 17 de junho, 4 e 5 de agosto, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro, 8 e 9 de dezembro

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