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quarta-feira, 28/01/2026

COP30: Fundo Verde alcança recorde em projetos para países vulneráveis

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O Fundo Verde para o Clima (GCF), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou um ano excepcional em aprovações de projetos destinados a países vulneráveis às alterações climáticas. Segundo a liderança do GCF, esse sucesso é resultado direto das reformas voltadas à simplificação dos processos burocráticos.

Baseado em Songdo, Coreia do Sul, e operando desde 2015, o GCF é o maior fundo multilaterais do mundo direcionado a ações climáticas. Desde sua fundação, captou US$ 19,3 bilhões (equivalente a R$ 104 bilhões) e tem como meta arrecadar US$ 50 bilhões (R$ 269 bilhões) até 2030.

O GCF tem como propósito transferir recursos dos países desenvolvidos — tradicionalmente os maiores contribuidores para as mudanças climáticas — para países em desenvolvimento, facilitando sua adaptação ao aquecimento global e a redução de suas emissões.

Em 2024, o fundo informou ter arrecadado US$ 3,26 bilhões (R$ 17,53 bilhões), superando seu recorde anterior e crescendo significativamente em relação aos US$ 2,9 bilhões (R$ 15,6 bilhões) levantados em 2021.

Entre os financiamentos, destaca-se um aporte de US$ 295 milhões (R$ 1,1 bilhão) para um projeto de dessalinização e distribuição de água na Jordânia, país do Oriente Médio que enfrenta uma severa crise hídrica. Tal apoio é a maior doação individual já realizada pelo GCF.

Mafalda Duarte, diretora do Fundo, expressou à AFP antes da COP30 — evento a ocorrer de 10 a 21 de novembro em Belém, Pará — que o compromisso do GCF é um sinal positivo em um contexto geopolítico desafiador, marcado pela saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e pela diminuição da ajuda externa por alguns países europeus devido a dificuldades econômicas.

As reformas lideradas pela Mafalda Duarte desde que assumiu a direção do fundo em 2023 incluem a redução do tempo de avaliação de projetos de dois anos para nove meses e a diminuição do processo de credenciamento de parceiros institucionais de três anos para nove meses, aumentando a agilidade e eficiência do GCF.

A diretora também defende o uso de empréstimos com juros baixos para projetos com fins lucrativos, argumentando que isso permite maximizar os recursos dos doadores e beneficiar os países em desenvolvimento. Embora as doações sejam importantes para os países mais vulneráveis, Mafalda Duarte ressalta que empréstimos concessionais são uma alternativa viável para apoiar a iniciativa privada sem onerar excessivamente os beneficiários.

As doações compõem cerca de 45% do financiamento do Fundo Verde para o Clima, mas não são suficientes para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, que busca limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.

Para a diretora, o sucesso da COP30 dependerá do foco em estabelecer compromissos concretos e responsáveis, afastando-se de promessas meramente simbólicas.

Redução do desmatamento na Amazônia

Outra notícia positiva anunciada pouco antes da COP30 pelo governo brasileiro foi o declínio do desmatamento na Amazônia, que diminuiu 11% em comparação ao ano anterior.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram desmatados 5.796 km² na maior floresta tropical do planeta, o menor índice registrado em 11 anos. Os dados foram coletados por satélites do sistema Prodes, operados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Esta é a quarta queda anual consecutiva e representa a taxa oficial de desmatamento no Brasil. No período anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024, a área desmatada foi de 6.518 km², equivalente a uma redução de 30% em relação aos doze meses anteriores. Esse número é também o terceiro mais baixo desde o início dos registros em 1988.

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