A apenas 75 dias do início da Conferência das Partes (COP30), o presidente do evento, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, publicou nesta sexta-feira (29/8) sua sétima carta sobre a conferência. No comunicado, o embaixador reforça a importância do comprometimento das empresas privadas e destaca o papel fundamental da cooperação internacional para o progresso das negociações.
A COP30, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem como objetivo fomentar o diálogo para implementar o Acordo de Paris. O encontro, que ocorrerá em Belém entre 10 e 21 de novembro deste ano, focará em negociações para financiar medidas que reduzam os impactos da crise climática e adaptem as regiões aos seus efeitos.
Os recursos necessários podem atingir US$ 1,3 trilhão. A participação é esperada tanto na busca por alternativas financeiras quanto no desenvolvimento de soluções tecnológicas. Na carta, Correa do Lago destaca três pilares para o sucesso do evento:
- fortalecimento da cooperação internacional e do acordo climático da UNFCCC;
- ligação das políticas climáticas à vida cotidiana das pessoas e à economia real;
- rápida execução do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a 2°C, preferencialmente a 1,5°C.
Esperança no setor privado
André Aranha Corrêa do Lago manifesta confiança na contribuição do setor privado para enfrentar os desafios climáticos e destaca os progressos já obtidos. Segundo ele, “O setor privado já acelerou a transição de muitas maneiras significativas, contudo agora deve avançar ainda mais, aumentando seu papel para transformar essa mudança em uma realidade amplificada”.
O presidente da COP30 enxerga a implementação das metas de redução de gases do efeito estufa como uma oportunidade comercial. “A COP30 pode tornar-se o maior mercado global para soluções climáticas inovadoras, onde empresas, juntamente com outros atores, podem influenciar a futura economia mundial”.
Apresentação das metas nacionais
Durante o evento, os países devem apresentar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) para 2035, alinhadas com o Acordo de Paris. Correa do Lago, em entrevista coletiva on-line em 28/8, expressou otimismo quanto ao andamento das negociações, afirmando ser “incontrolavelmente otimista”.
Ele enfatizou que o foco principal do encontro deve ser a implementação efetiva das medidas pactuadas. Uma das questões debatidas será quem será responsável pelo monitoramento do cumprimento das NDCs, um ponto que pode gerar considerável negociação e retorno a discussões anteriores.
Na carta, o presidente explica que a “Agenda de Ação” da COP30 está organizada em seis temas principais, abrangendo 30 objetivos essenciais. Estes objetivos incluem desde o aumento da capacidade de energia renovável até a restauração de ecossistemas, construção de cidades resilientes, aceleração do acesso a financiamento sustentável e uso de inteligência artificial.
Cada meta será acompanhada por um “Grupo de Ativação” composto por líderes responsáveis por desenvolver iniciativas específicas, formando assim uma “Câmara de Soluções” para viabilizar e implementar as ações estratégicas do evento.