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Convenção republicana começa focando na base pró-Trump

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Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, fez o principal discurso, enquadrando a eleição como uma escolha entre a ordem e a anarquia

Donald Trump: atual presidente foi oficializado candidato do partido Republicano à presidência (Alex Wong/Getty Images)

A convenção nacional do Partido Republicano começou ontem. Como a dos democratas, na semana passada, o evento foi basicamente um longo programa de televisão. Mas, em termos de conteúdo, as diferenças não poderiam ser mais marcantes.

O tema oficial da primeira noite era “A terra das promessas”. Em declarações à imprensa, os organizadores do evento afirmaram que a ideia geral dos quatro dias de teleconvenção era passar uma mensagem edificante e otimista, para tentar conquistar eleitores que não fazem da base inamovível de Trump.

Pelo menos na primeira noite, não foi exatamente esse o tom do evento.

Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, fez o principal discurso da noite, enquadrando a eleição de novembro como uma guerra cultural e uma escolha entre a ordem e a anarquia.

Quando Trump fechou as fronteiras com a China, “Biden chamou meu pai de racista e xenófobo, colocando a correção política à frente da segurança da população americana”, afirmou Don Jr.

“Joe Biden e a esquerda radical agora querem acabar com a liberdade de expressão. Não será mais a maioria silenciosa; será a maioria silenciada. Isso tem que acabar.”

Ele também sugeriu que Biden é o candidato preferido do Partido Comunista chinês e disse que o democrata quer “abrir as fronteiras para imigrantes ilegais que vão roubar empregos dos americanos”.

Nikki Haley, ex-governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora americana na ONU, ecoou as palavras de Don Jr.

“Trump sabe que o politicamente correto e a cultura do cancelamento são perigosos – e simplesmente errados. Para muitos democratas, está na moda dizer que os Estados Unidos são racistas. Isso é mentira”, afirmou Haley.

“Isso é pessoal para mim. Sou filha de imigrantes indianos. Meu pai usava turbante, minha mãe, sári. Enfrentamos discriminação e dificuldades, mas meus pais nunca cederam ao ressentimento ou ao ódio.”

As vidas dos policiais negros, dos pequenos empresários que perderam seus negócios em manifestações violentas também têm valor, afirmou Haley, numa referência direta ao movimento Black Lives Matter, que protesta contra a brutalidade policial.

Descrever como “anarquia” as manifestações por justiça racial, em sua grande maioria pacíficas e sem maiores incidentes, foi uma constante na noite de ontem.

Teorias da conspiração

Uma fala de surpresa de Donald Trump durante a tarde deu sinais do que estava por vir horas mais tarde. O presidente americano discursou após a formalização de sua indicação como candidato do partido. Recebido aos gritos de “Mais quatro anos! Mais quatro anos!”, Trump disse que “para deixá-los [os democratas] malucos, digam mais doze anos”.

Falando de improviso, Trump repetiu a teoria da conspiração que vem espalhando há semanas a respeito da lisura da votação pelo correio. “Eles estão usando a Covid para roubar a eleição”, disse o presidente americano.

Trump afirmou que 80 milhões de americanos receberão cédulas em suas casas, muitos dos quais nem sequer teriam registro de eleitor. Isso não é verdade. As regras variam de estado para estado.

Em alguns deles, todos os eleitores de fato recebem a cédula pelo correio. Mas a imensa maioria tem de solicitar o envio e, em alguns casos, é necessário apresentar justificativa.

Trump também disse que os democratas iriam realizar “coleta de votos”, ou seja, iriam recolher os votos nas casas dos cidadãos. A prática é ilegal, e em nenhum momento o Partido Democrata afirmou que a adotaria.

O presidente também afirmou que as restrições de circulação rigorosas impostas por causa da pandemia de coronavírus só foram adotadas porque governadores democratas queriam prejudicar sua campanha de reeleição.

Havia algumas dezenas de pessoas acompanhando o discurso de Trump, realizado num centro de convenções. Ao contrário dos democratas, que sempre falaram de suas casas ou de auditórios vazios para evitar o risco de contágio pelo coronavírus, os republicanos vão permitir um número limitado de correligionários.

Antes da fala de Trump, os delegados estavam sentados a uma distância segura. Quando ele subiu ao palco, eles se aglomeraram ao pé do púlpito para acompanhar o discurso do presidente.

O âncora Anderson Cooper, da CNN, cortou a transmissão ao vivo da fala de Trump, dizendo: “Depois de prometer uma convenção positiva, ele foi negativo logo nos primeiros momentos. Ele acusou falsamente [de fraude] o voto pelo correio, mesmo depois de seu diretor do correio afirmar que esses ataques ‘não ajudam’”.

A teleconvenção

A programação da primeira noite contou com a consultoria de dois produtores do reality show The Apprentice (exibido no Brasil como “O Aprendiz”).

Mas, em termos de dinamismo, as quatro noites do evento democrata pareceram mais variadas e bem acabadas. Na primeira noite, o evento republicano foi essencialmente um discurso depois do outro, com algumas interrupções para montagens.

Uma das participações mais aguardadas era a do casal Mark e Patricia McCloskey, que ganhou notoriedade nacional ao apontar armas de fogo para manifestantes que protestavam contra a violência policial na cidade de Saint Louis, em junho.

As imagens de Mark McCloskey segurando uma metralhadora semiautomática, enquanto sua mulher empunhava uma pistola na mão, viralizou nas redes sociais.

Para os manifestantes, foi uma ameaça gratuita contra participantes de uma passeata pacífica. Para os apoiadores de Trump, o casal passou a representar a luta pelo direito de portar armas e a resistência contra um movimento responsável por saques e quebra-quebras.

Apesar dessa caracterização, entretanto, os incidentes violentos foram isolados na onda de protestos que tomou conta do país há dois meses – e também no caso da passeata que passou na frente da casa dos McCloskey, como mostram as imagens que circularam na internet.

No depoimento gravado para a convenção, entretanto, eles afirmaram ter sentido medo. “O que você viu acontecendo conosco poderia ter acontecido com você. Em vez de proteger os cidadãos dos criminosos, os democratas querem proteger os criminosos dos cidadãos”, afirmou Mark McCloskey.

Ele também mencionou Cori Bush, uma ativista dos direitos negros que venceu uma primária democrata do estado do Missouri (onde vive o casal) e deve ser eleita para a Câmara em novembro.

Bush, que estava no protesto de St. Louis, é “marxista”, afirmou McCloskey. “Eles querem andar nos corredores do Congresso. Eles querem o poder.”

Junto com a “ameaça vermelha”, a proposta de tirar recursos da polícia
será repetida incansavelmente pelos republicanos. Não se trata de uma ideia nova, mas ela ganhou destaque durante os protestos do movimento Black Lives Matter.

Na essência, o argumento é que os departamentos de polícia do país concentram uma parte desproporcional dos orçamentos dos estados e municípios, em detrimento de educação, moradia e outros serviços básicos.

Policiais muitas vezes são enviados para lidar com problemas para os quais não têm o treinamento adequado, como crises envolvendo pessoas com doenças mentais. Os defensores do corte de recursos afirmam que estes não são casos de polícia. A ideia é controversa até mesmo entre os democratas — e é rejeitada por Biden.

A condução da crise

A primeira menção à pandemia do coronavírus, o grande flanco da campanha de reeleição de Trump, foi uma curta montagem afirmando que a Organização Mundial de Saúde e os democratas estavam errados em relação à gravidade da doença.

O vídeo mencionou como conquistas de Trump a proibição da entrada de chineses nos Estados Unidos, decretada em fevereiro, o envio de equipamentos de proteção para profissionais de saúde, os programas de ajuda econômica emergencial e o programa para aceleração da aprovação de uma eventual vacina.

Naturalmente, não houve menção aos quase 180 000 mortos e quase 6 milhões de casos registrados – ambos recordes mundiais. Também não apareceram as declarações insistentes de Trump em fevereiro e março que o vírus “iria embora como que por milagre”.

Elogios do governador de Nova York, o democrata Andrew Cuomo, foram pinçados para dar a impressão de que a resposta do governo federal esteve à altura das expectativas. Na realidade, porém, Cuomo é um dos maiores críticos da atuação de Trump no combate ao coronavírus.

Também houve algumas referências ao “vírus chinês” – incluindo por parte do próprio Trump –, mas já foi estabelecido que em Nova York, o maior epicentro de Covid no país, o coronavírus foi trazido por viajantes que estavam na Europa.

Na sequência, Trump apareceu conversando com sete trabalhadores essenciais – enfermeiras, bombeiros e carteiros – em um saguão da Casa Branca. A interação é uma tentativa de humanizar o presidente e tentar reverter o prejuízo que a crise sanitária causou à sua imagem. A tarefa promete ser hercúlea, se não impossível: uma pesquisa divulgada ontem indicou que somente 31% dos americanos aprovam a atuação do presidente diante da crise.

Em outra aparição gravada, Trump conversou com seis americanos que estavam presos ou eram reféns em países como Turquia, Irã e Venezuela e foram libertados graças a esforços do seu governo.

Mais problemas para a família

Horas antes do início da convenção, veio a público a notícia de que a procuradoria do estado de Nova York pediu que a Justiça obrigue Eric Trump, um dois filhos do presidente, a prestar depoimento numa investigação que quer determinar se o negócio da família cometeu fraudes financeiras.

A Trump Organization é acusada de inflar seu patrimônio para obter empréstimos bancários e para poder evadir impostos. Eric Trump prestaria depoimento no mês passado, mas cancelou sua aparição. A companhia também afirmou que não entregaria os papeis requisitados.

No final de semana, uma gravação de Maryanne Trump Barry, irmã do presidente americano, foi divulgada pelo Washington Post. Barry é ouvindo dizendo a Mary Trump, sua sobrinha, que Trump “é cruel”, “não dá para confiar nele” e “não tem princípio nenhum”. As declarações foram gravadas sem o conhecimento da irmão de Trump.

 

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O púlpito virtual da ONU como palanque eleitoral

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Trump responsabiliza China pela pandemia, deprecia multilateralismo e esnoba acordos assinados por Obama. “Vocês também deveriam colocar seus países em primeiro lugar”, aconselha presidente americano a líderes mundiais.

Trump em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2020 — Foto: Reprodução

O presidente Donald Trump usou o púlpito virtual da Assembleia Geral da ONU para atacar a China, depreciar o multilateralismo e esnobar os acordos internacionais assinados pelo antecessor Barack Obama. Mostrou que estava ali especialmente para desempenhar um papel: o de agradar ao público interno, a 41 dias de receber o veredito das urnas.

O recado do presidente americano aos demais líderes mundiais — este ano todos no modo digital — poderia ser resumido na máxima “cada um por si”. Ou seja, no seu mantra preferido, o America First.

“Estou orgulhosamente colocando os EUA em primeiro lugar, assim como vocês deveriam colocar seus países em primeiro lugar. Somente quando vocês cuidarem de seus próprios cidadãos, poderão encontrar uma base verdadeira para a cooperação.”

Trump bateu forte na China, responsabilizando o país pela disseminação do novo coronavírus, por controlar a Organização Mundial de Saúde, e pela poluição atmosférica. Pequim repudiou as acusações como “sem fundamento”.

Na última aparição de seu mandato na assembleia da ONU, Trump usou menos da metade do tempo estipulado a cada chefe de Estado. Desdenhou os acordos do Clima e do Irã, firmados durante o governo Obama, que ele abandonou assim que foi eleito.

Xi Jiping na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reprodução

Xi Jiping na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reprodução

Dedicou-se a exaltar o nacionalismo, gabou-se da forma como seu governo conduziu a pandemia. Sequer mencionou a cifra de 200 mil mortos nos EUA, mas citou as vidas salvas pelos atos de sua administração.

A mensagem um tanto confusa se assemelhou à de seus comícios eleitorais. Talvez por prever o conteúdo do discurso que seria proferido pelo presidente americano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se antecipou, na abertura da Assembleia Geral, e condenou de antemão os países que agiram de forma egoísta durante a pandemia.

Em referência ao governo americano, Guterres cunhou o termo “vacinacionalismo” para repreender os que fazem acordos paralelos para garantir a imunização de suas populações. Os EUA ficaram de fora da coalizão de 170 países liderada pela OMS para distribuir de forma igualitária as vacinas contra a Covid-19.

“Esse ‘vacinacionalismo’ não é apenas injusto, é contraproducente. Nenhum de nós está seguro até que todos nós estejamos seguros.”
Guterres foi adiante. Destacou a grande lição da pandemia para o mundo: a importância das eleições. “Ao olharmos para o futuro, vamos nos certificar de que escolhemos com sabedoria.” Mais um recado provavelmente direcionado aos americanos.

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Putin exalta vacina, Macron fala em ‘nova realidade’ com vírus, e Rohani cita violência nos EUA; veja destaques dos discursos na ONU

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Primeiro dia de debates de líderes mundiais na Assembleia Geral das Nações Unidas teve a pandemia do novo coronavírus e a crise entre potências globais como temas.

Auditório da ONU para Assembleia Geral — Foto: GloboNews/Reprodução

Começaram nesta terça-feira (22) os debates dos chefes de estado e governo na Assembleia Geral das Nações Unidas, evento que marca os 75 anos da ONU. Em discursos transmitidos ou pré-gravados de cada país por causa da pandemia do novo coronavírus, os líderes comentaram os esforços para debelar a Covid-19 e trocaram críticas sobre sanções, armamentos químicos e nucleares e ações militares.

Como ocorre tradicionalmente, o Brasil abriu os debates, com o discurso do presidente Jair Bolsonaro. Na declaração, também gravada, o brasileiro disse que o Brasil é ‘vítima’ de ‘brutal campanha de desinformação’ sobre Amazônia e Pantanal (veja a íntegra do discurso AQUI).

Em seguida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teceu duras críticas à ação da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a condução da crise sanitária. O presidente chinês, Xi Jinping, que discursou logo depois, condenou o que chamou de “politização da pandemia” e disse que não quer “guerra quente ou fria” com nenhum país.

Lideranças de outros países considerados chave no jogo geopolítico mundial, como Rússia, Irã e França, também discursaram nesta tarde. Veja mais detalhes abaixo.

Putin oferece vacina a funcionários da ONU

Vladimir Putin, presidente dos EUA, durante discurso gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Vladimir Putin, presidente dos EUA, durante discurso gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, exaltou a Sputnik V como a “primeira vacina registrada” contra a Covid-19 no mundo — embora o projeto tenha recebido críticas pela falta de transparência na publicação dos dados das pesquisas e pela velocidade do resultado considerada incompatível.

“Nós estamos prontos para compartilhar nossa experiência e a continuar interagindo com todos os países e estruturas internacionais, incluindo preocupações com o fornecimento a outros países da vacina russa — que provou sua confiabilidade, segurança e eficiência”, disse.

Putin ainda ofereceu vacinar, sem custos, os funcionários das Nações Unidas e de departamentos filiados à organização. “Pedidos como esse de colegas vieram da ONU até nós, e não ficaremos indiferentes a eles”, afirmou o presidente russo.

Funcionário mostra frascos com potencial vacina russa contra Covid-19 perto de Moscou — Foto: Andrey Rudakov/Divulgação via REUTERS

Funcionário mostra frascos com potencial vacina russa contra Covid-19 perto de Moscou — Foto: Andrey Rudakov/Divulgação via REUTERS

No discurso, o chefe do Kremlin pediu também que “sanções ilegítimas” fossem retiradas para permitir a recuperação econômica global após as crises geradas pela pandemia — ele não mencionou quais sanções seriam essas. Para Putin, será preciso construir “corredores verdes” para passagem de insumos entre os países.

“Eu gostaria mais uma vez de chamar atenção à proposta de introduzir os chamados corredores verdes livres de guerras comerciais e sanções, especialmente para produtos essenciais, alimentos, medicamentos, equipamentos de proteção aos profissionais para a luta contra a pandemia.”

Rohani sobe o tom com os EUA

Hassan Rohani, presidente do Irã, discursa em vídeo pré-gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) — Foto: UNTV via AP

Hassan Rohani, presidente do Irã, discursa em vídeo pré-gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) — Foto: UNTV via AP

Em discurso politicamente duro, o presidente do Irã, Hassan Rohani, criticou em vários momentos a política interna e externa dos Estados Unidos, principal inimigo de Teerã. O iraniano inclusive mencionou indiretamente a morte de George Floyd durante ação policial em maio.

“As imagens transmitidas ao mundo sobre o tratamento dado a um afro-americano pela polícia dos EUA são um remanescente de nossa própria experiência”, disse Rohani, sem dizer o nome do americano morto em Minnesota após ter o pescoço prensado pelos joelhos de um policial.

“Nós instantaneamente reconhecemos os pés sobre o pescoço como os pés da arrogância sobre os pescoços das nações independentes”, acrescentou.

Iranianos destroem uma bandeira americana durante protesto em Teerã no dia 3 de janeiro pela morte do general Qassem Soleimani. — Foto: Atta Kenare / AFP

Iranianos destroem uma bandeira americana durante protesto em Teerã no dia 3 de janeiro pela morte do general Qassem Soleimani. — Foto: Atta Kenare / AFP

No primeiro discurso na Assembleia Geral após a morte do general Qassem Soleimani em ação coordenada pelos EUA em janeiro, Rohani se referiu ao militar morto como “herói assassinado” e “líder da luta contra o extremismo violento no Oriente Médio que lutou para proteger os cidadãos da região contra reacionários medievais”.

“Os Estados Unidos não podem impor nem negociações nem guerras a nós. A vida é dura com as sanções, mas é mais dura ainda sem independência”, disse o presidente do Irã.

Rohani disse também que o Irã “não é um pedaço para barganha nas eleições dos Estados Unidos” e alertou:

“Qualquer que seja o governo dos EUA depois das próximas eleições não terá outra escolha senão se render à resiliência da nação iraniana”.

Macron cita ‘nova realidade’ da Covid-19

Emmanuel Macron, presidente da França, durante pronunciamento enviado à Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Emmanuel Macron, presidente da França, durante pronunciamento enviado à Assembleia Geral da ONU nesta terça (22) — Foto: UNTV via AP

Em longo pronunciamento, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que acredita em um remédio contra a pandemia da Covid-19. Entretanto, ele disse que, durante a espera “que ninguém sabe quanto vai durar”, o mundo deverá viver em uma “nova realidade”.

“Esta nova realidade é clara, brutal, certamente vertiginosa, e nós a devemos observar sem nos deixar cair em desespero ou no desencorajamento, mas com lucidez”, discursou o francês.

Assim, Macron alertou sobre as “fraturas nos meios de ação coletiva” do planeta durante a pandemia da Covid-19 e insistiu na confiança nas instituições nacionais e mundiais durante a crise sanitária.

“As entidades de confiança científica e jornalistas, tão essenciais para compreender e agir com eficácia diante da crise, foram questionados por propaganda de Estados e pela epidemia da desinformação”, disse Macron.

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência com outros líderes mundiais sobre a situação no Líbano — Foto: Christophe Simon/Pool via Reuters

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência com outros líderes mundiais sobre a situação no Líbano — Foto: Christophe Simon/Pool via Reuters

O presidente francês também afirmou, em tom semelhante a discursos anteriores, que o mundo deve lutar contra as mudanças climáticas e cobrou ação dos países. “Proteger nossos bens comuns não é contraditório com o exercício de nossa soberania”, disse Macron.

“Os oceanos, os polos, as florestas tropicais pertencem ao patrimônio comum da humanidade”, enumerou o presidente da França.

No fim, Macron pressionou pela desnuclearização da Coreia do Norte “em apoio aos esforços concentrados pelos Estados Unidos” e disse que “não aceita as violações cometidas pelo Irã” ao acordo nuclear — do qual os EUA se retiraram, algo que o governo francês foi e ainda é contra.

“A França, com seus aliados alemães e britânicos, manterá sua demanda pela implementação total e plena do acordo de Viena de 2015” sobre o dossiê nuclear iraniano, declarou Macron.

O presidente da França também criticou a Rússia pelo envenenamento de Alexei Navalny, principal opositor de Putin. “Da mesma maneira, nós não toleraremos que armas químicas sejam usadas na Europa, na Rússia ou na Síria”, disse.

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Mortes por covid-19 podem disparar no Reino Unido, alertam médicos

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As internações por covid-19 estão dobrando a cada oito dias e o sistema de exames do Reino Unido não dá conta da procura

Mortes por covid-19 podem disparar no Reino Unido, alertam médicos (Hannah McKay/Reuters)

O Reino Unido enfrentará um crescimento exponencial da taxa de mortalidade decorrente da Covid-19 dentro de semanas a menos que o governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, reaja com urgência para deter uma segunda onda do surto que se dissemina rapidamente, alertaram os médicos mais graduados do país nesta segunda-feira.

O Reino Unido já tem o maior número oficial de mortes de Covid-19 da Europa –e o quinto maior do mundo– enquanto faz empréstimos recordes na tentativa de injetar fundos de emergência na economia combalida.

Mas os casos novos da doença estão aumentando em ao menos seis mil por dia no país, de acordo com dados de uma semana, as internações estão dobrando a cada oito dias e o sistema de exames não dá conta da procura.

Chris Whitty, a principal autoridade médica do governo, e Patrick Vallance, seu principal conselheiro científico, alertaram que, se não for contida, a epidemia britânica chegará a 50 mil casos novos por dia até meados de outubro.

“Se isto continuar por esse rumo… o número de mortes diretas da Covid … continuará a aumentar, possivelmente em uma curva exponencial, que significa dobrar e dobrar e dobrar novamente, e se pode ir rapidamente de números realmente bem pequenos para números realmente muito grandes”, disse Whitty.

“Se não fizermos o suficiente, o vírus decolará, e neste momento está claro que é este o rumo no qual estamos, e se não mudarmos de direção nos veremos com um problema muito difícil.”

O vírus está se disseminando em todas as áreas do país, e menos de 8% da população têm anticorpos para o vírus, embora em Londres cerca de 17% da população possa ter anticorpos, disse Vallance.

Velocidade e ação são necessárias com urgência, disseram Vallance e Whitty, acrescentando que, como o inverno se aproxima, o problema da Covid assombrará o Reino Unido durante ao menos mais seis meses.

Johnson deve se pronunciar na terça-feira.

O secretário da Saúde, Matt Hancock, disse que as restrições serão diferentes em relação à última vez. O governo quer reprimir a socialização, mas as escolas e muitos locais de trabalho permanecerão abertos.

“Se realmente temos que agir, será diferente da última vez, e aprendemos muita coisa sobre como combater o vírus”, disse ele à ITV.

Indagado sobre o Natal e se as pessoas poderão abraçar seus familiares, ele disse que quer que a ocasião seja a mais normal possível.

“Se isto sair de controle agora, teremos que adotar medidas mais duras no futuro.”

O número oficial de mortes do Reino Unido está em 41.777 pessoas.

 

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Ausência de líderes globais agrava impasse e frustrações na ONU

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Biodiversidade sendo destruída, mudança climática se acelera, guerra e fome criam mais refugiados do que nunca, alerta a ONU, cuja assembleia será

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na ONU em 2018 (Carlos Barria/Reuters)

Ao completar 75 anos neste ano, as Nações Unidas continuam com a produção de relatórios cada vez mais sombrios sobre ameaças globais que deveriam ser atenuadas após sua criação.

A biodiversidade tem sido destruída, a mudança climática se acelera, e a guerra e a fome criam mais refugiados do que nunca na história da humanidade, alerta o organismo mundial. E agora a pandemia de Covid-19 fez com que centenas de milhões voltassem à pobreza, enquanto novas paralisações da atividade econômica se aproximam.

Aprofundando a escuridão que envolve a organização mundial, a Assembleia Geral da ONU, que geralmente traz cerca de 10 mil diplomatas todos os anos a Manhattan, está sendo realizada virtualmente nesta semana, o que impede encontros pessoais entre líderes mundiais que às vezes oferecem vislumbres de progresso para crises aparentemente sem solução.

“É um dos períodos mais desafiadores que a ONU já viu, seja pela mudança climática, colapso socioeconômico devido à pandemia ou conflitos globais”, disse Jan Egeland, ex-chefe de assuntos humanitários da ONU que agora dirige o Conselho Norueguês para Refugiados. “Mas presenciamos um choque gigantesco entre os ideais que a ONU defende e o nacionalismo que se espalha como fogo em muitos de seus estados membros.”

Todos os anos, a Assembleia Geral se torna o palco central para que opiniões de líderes possam ser ouvidas no mundo todo. Os discursos variam de críticas veementes contra o colonialismo – Fidel Castro detém o recorde da ONU com um discurso de quatro horas em 1960 – ao uso de adereços que chamam a atenção, como o desenho de uma bomba com um fusível aceso que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostrou em 2012 para alertar contra as ambições nucleares do Irã.

Nesta semana, os líderes enviarão vídeos para uma sala vazia. Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que organiza uma mesa-redonda virtual com líderes climáticos de governos, empresas e sociedade civil na quinta-feira, será uma oportunidade perdida.

“A diplomacia, para ser eficaz, requer contato pessoal”, disse em conferência de imprensa. “Lamento não ter a oportunidade de reunir líderes de países envolvidos em conflitos como o da Líbia ou do Iêmen ou qualquer outro, ou líderes que tenham uma iniciativa importante em áreas-chave, seja em relação às mudança climática, combate ao racismo, igualdade de gênero, que não possamos aproximá-los.”

Um bônus do formato virtual: funcionários da ONU esperam líderes que geralmente enviam subordinados à Assembleia Geral, incluindo os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, para participar com comentários por vídeo.

Cooperação, nacionalismo
Os discursos provavelmente destacam um contraste cada vez mais profundo de opiniões. Líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, devem pedir ação conjunta para resolver problemas globais urgentes.

“A semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU será uma oportunidade para refletir sobre a atual crise da Covid-19 e reafirmar o papel crucial das Nações Unidas e da cooperação multilateral, que são extremamente necessárias nestes tempos”, disse o embaixador da França, Nicolas de Riviere, a repórteres.

Mas os dois primeiros palestrantes agendados para terça-feira, os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, provavelmente usarão a plataforma para destacar suas abordagens nacionalistas. Para Trump, a oportunidade surge exatamente seis semanas antes das eleições nos Estados Unidos, onde perde nas pesquisas para o democrata Joe Biden.

“Líderes sábios sempre colocam o bem de seu próprio povo e seu próprio país em primeiro lugar”, disse Trump à Assembleia Geral no ano passado. “O futuro não pertence aos globalistas. O futuro pertence aos patriotas.”

 

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Corrida pela vaga de Ginsburg abre novo embate entre Trump e Biden

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Além da corrida pela vacina, da responsabilidade pelas queimadas e da pressão sobre a China, é mais um tema que deve escancarar as diferenças na campanha

Segundo o jornal The New York Times, o presidente pretende fazer a nomeação já nesta terça-feira (Kevin Lamarque//BIDEN CAMPAIGN/Reuters)

A eleição americana que já estava quente ficou ainda mais neste início de semana. A morte da juíza Ruth Baber Ginsburg, aos 87 anos, dará a Donald Trump a chance de nomear um juiz conservador para a Suprema Corte, o que pode consolidar uma maioria de 6 a 3 no colegiado. Seria o suficiente para moldar a pauta de costumes no país por décadas.

A nomeação de um juiz à Suprema Corte é um evento dos mais importantes nos Estados Unidos. Ginsburg foi nomeada em 1993 pelo então presidente Bill Clinton após uma longa série de entrevistas com candidatos. No documentário A Juíza ela brinca que teve ter sido a vigésima segunda ou vigésima terceira opção.

Agora, Trump deve ter apenas algumas horas para fechar seu nome, uma vez que as eleições de 3 de novembro se aproximam. Segundo o jornal The New York Times, o presidente pretende fazer a nomeação já nesta terça-feira, pressionando o Senado a ratificar a escolha. Além da corrida pela vacina, da responsabilidade pelas queimadas, da influência russa e da pressão sobre a China, é mais um tema que deve escancarar as diferenças entre os candidatos.

Apesar da maioria republicana na Casa (53 a 47), há questionamentos sobre se a pressa é o melhor caminho neste caso. Um grupo de apoiadores de Trump defende até que a escolha fique para depois das eleições e que a campanha republicana jogue com isso para convencer os eleitores a sair de casa para votar. Uma pesquisa feita pela Reuters e pela Ipsos mostra que 62% dos americanos acreditam que a vaga para a Suprema Corte deve ser preenhcida pelo vencedor de novembro.

Oito em cada dez democratas preferem esperar e o candidato Joe Biden afirmou ontem que, caso vença as eleições, a nomeação de Trump deve ser cancelada. Ele já havia prometido nomear uma mulher negra para o cargo. Biden, curiosamente, era o líder do Senado na época da nomeação de Ginsburg, e testemunhou a chegou da segunda mulher à corte à época, uma forte defensora da igualdade entre os sexos que virou ícone pop nos últimos anos por seus votos dissidentes contra uma corte já majoritariamente conservadora.

“Dois terços dos eleitores americanos acreditam que uma das responsabilidades mais importantes do presidente é escolher os membros da Suprema Corte. Em um ambiente super polarizado isso ganha um degrau ainda maior de relevância”, diz Maurício Moura, fundador do instituto de pesquisas IDEIA, que tem feito pesquisas sobre a eleição americana para a EXAME. “Com um enorme contingente de votos pelo Correio sendo aguardados, o resultado final da eleição pode acabar na Suprema Corte, assim como aconteceu em 2000. É mais uma peça num xadrez complexo para a campanha”.

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Governo britânico considera volta do lockdown em toda Inglaterra

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Índices de contágio disparam em Londres e no noroeste da Inglaterra, e número de hospitalizados duplica a cada oito dias

(Hannah McKa/Reuters)

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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

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