PEDRO LOVISI
FOLHAPRESS
O valor da conta de luz deve subir mais do que a inflação em 2026, segundo especialistas no setor de energia. Esse aumento continua uma tendência dos últimos anos, causada por desafios na regulação do sistema elétrico e mudanças no clima.
No ano passado, a energia para residências ficou 12,3% mais cara, enquanto a inflação geral foi de 4,26%, conforme o índice IPCA.
A consultoria PSR estima que a tarifa residencial terá um aumento real de 4% em 2026, mesmo após descontar a inflação, que está prevista em 3,91% para o ano.
Esse aumento ocorre principalmente devido ao aumento do custo nos contratos entre distribuidoras e geradoras, além da gradual eliminação dos preços reduzidos das hidrelétricas da Eletrobras, conforme previsto na privatização da empresa em 2022.
Os consumidores também arcam com encargos para subsidiar a Tarifa Social, fontes incentivadas como energia solar e eólica, e instalações de painéis solares residenciais.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) espera que em 2026 os consumidores paguem ao menos R$ 47,8 bilhões em subsídios, um aumento de 15,4% em relação a 2025.
Outra previsão, da consultoria Logos Economia, aponta para um aumento total de 5,6% na conta de luz em 2026. Segundo Fábio Romão, sócio da Logos, o índice IGP-M, utilizado para reajustar tarifas de energia, deve subir mais neste ano, o que pode pressionar as contas.
Além disso, o fenômeno climático El Niño pode causar redução das chuvas no Norte e Nordeste do Brasil, afetando os reservatórios das hidrelétricas, que já estão com níveis baixos para esta época do ano.
Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel, explica que níveis baixos nos reservatórios obrigam o Operador Nacional do Sistema (ONS) a ligar usinas termelétricas, que geram energia mais cara. Essa situação resulta em contas mais altas para o consumidor.
Outro tema importante é a falta de incentivos para que consumidores reduzam o uso de energia em horários de alta demanda, o que também aumenta o custo do sistema.
Um estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostrou que, em 15 anos, o preço da energia aumentou 177%, enquanto a inflação acumulada foi de 122% no mesmo período.
Entre os motivos para esse aumento estão contratos longos indexados à inflação, influências políticas nas decisões de leilões de energia e riscos que acabam sendo repassados aos consumidores.
Por exemplo, uma lei aprovada no final do ano passado estendeu contratos de usinas termelétricas a carvão mineral até 2040, e outras decisões recentes também ampliaram contratos para térmicas a gás natural e pequenas hidrelétricas.

