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quinta-feira, 26/02/2026

Conheça as principais sedes do governo de São Paulo

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Em Brasília

BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS

Antes de o governo de São Paulo funcionar no Morumbi, eles usaram lugares com histórias diferentes: um colégio jesuíta, um palácio com estilo francês e, finalmente, o local atual que virou sede depois de um incêndio.

Na última quinta-feira (26), foi feito o leilão para o centro administrativo novo, uma promessa do governador Tarcísio de Freitas. A nova sede deve ficar pronta até 2030.

Com o tempo, o lugar onde o governo fica mudou várias vezes, mostrando as mudanças políticas e sociais do estado. Cada prédio mostra um tipo de poder diferente: religioso, imperial, republicano ou grandioso.

A história começou em 25 de janeiro de 1554, com uma missa que marcou a fundação da cidade no então Colégio dos Jesuítas, conhecido hoje como Pateo do Collegio.

O prédio era simples, feito com barro e palha. Em 1556, foi ampliado com uma igreja e um colégio. No século 17 ele foi reconstruído e cresceu ainda mais. Em 1759, os jesuítas foram expulsos e o prédio virou a casa do governo e residência dos capitães-generais.

Depois da independência, o edifício continuou abrigando os líderes da província. Em 1835, passou a ser também o lugar da Assembleia Legislativa Estadual. Executivo e Legislativo compartilharam o prédio até 1879.

A arquiteta Raquel Schenkman explica que o prédio mostra a mistura de poderes. Era uma construção pública que substituiu uma ordem religiosa por uma ordem estatal. Isso mostra uma continuidade do poder, mesmo com mudanças políticas.

Nessa época, o conceito de sede administrativa não era como hoje, pois o prédio servia para várias funções e refletia a política da época.

Esse foi o centro do poder até 1935, passando por períodos colonial e imperial.

No começo do século 20, o governo mudou para o Palácio dos Campos Elíseos, no centro da cidade. O prédio, feito por um arquiteto alemão, originalmente era uma casa de um rico fazendeiro de café.

O estilo do palácio foi inspirado em um castelo francês e mostrava a força econômica dos fazendeiros de café. Em 1911, o governo comprou o prédio para ser a casa oficial dos governadores. Em 1935, virou a sede oficial do governo.

Segundo o Museu das Favelas, o palácio foi sede até 1965. Em 1967 um incêndio danificou o local, que depois foi restaurado. O prédio é protegido por lei desde 1977 e abrigou um museu entre 2022 e 2024.

Raquel Schenkman destaca que o palácio tem um estilo eclético, misturando vários elementos para mostrar que São Paulo queria se mostrar moderna e europeia. Usar uma casa de elite para o governo mostra a ligação entre o poder econômico e político.

Ela compara isso com o Palácio do Catete no Rio de Janeiro, que também foi uma casa nobre transformada em sede do governo. O Estado ocupando a melhor casa da cidade tem um forte significado simbólico.

Em 22 de abril de 1964, o governo mudou para o Morumbi, onde fica o Palácio dos Bandeirantes.

O prédio foi planejado para ser uma universidade, mas isso não aconteceu. O governo comprou o local em 1964 e inaugurou em 1965 com o nome em homenagem aos bandeirantes.

O projeto foi feito por arquitetos italianos, depois modificado por outro arquiteto. O prédio tem linhas clássicas e um estilo neoclássico, com uma fachada simétrica e imponente.

O Acervo dos Palácios do Governo conta que o palácio também recebeu obras do Palácio dos Campos Elíseos e virou um museu em 1977, aberto para visitação.

Raquel Schenkman diz que o estilo dos anos 1960 tem um significado político importante. Depois da construção de Brasília com um estilo moderno, o Palácio dos Bandeirantes optou por um estilo clássico para mostrar tradição e autoridade. A grandiosidade ajuda a fortalecer a imagem do governo.

Ela também observa que o nome ‘bandeirantes’ e as imagens associadas nos prédios representam uma ideia de conquista que está sendo repensada hoje. A arquitetura e o nome ajudam a contar a história do poder conforme o pensamento de cada época.

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