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segunda-feira, 26/01/2026

Confusão entre comunistas e nazistas faz Canadá mudar memorial

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O Memorial às Vítimas do Comunismo, inaugurado em dezembro de 2024 em Ottawa, no Canadá, passou por uma importante mudança após o governo canadense decidir retirar os nomes dos homenageados, depois de investigações mostrarem que muitos deles tinham ligações com o nazismo e grupos fascistas.

Um ano depois da inauguração, o Departamento do Patrimônio Canadense confirmou que o projeto original foi modificado, e o “Muro da Lembrança” não exibirá mais nomes. Desde a abertura do memorial, o local destinado às inscrições ficou coberto por placas pretas.

O monumento, aprovado em 2009 e encomendado pela Liberty Foundation — uma organização sem fins lucrativos formada por imigrantes e descendentes do Leste Europeu, regiões que viveram sob regimes comunistas durante a Guerra Fria — contou com parte do financiamento privado e significativo apoio financeiro do governo canadense. Doadores poderiam sugerir cerca de 600 nomes que representariam vítimas do comunismo para homenagens.

O Memorial já enfrentava críticas há mais de 15 anos. Inicialmente estimado em US$ 1,5 milhão, o custo final aproximou-se dos US$ 7,5 milhões, com quase US$ 6 milhões provenientes de recursos públicos. O projeto foi idealizado no governo do ex-primeiro-ministro Stephen Harper.

No entanto, durante a construção, denúncias surgiram na imprensa canadense indicando que a lista continha nomes de nazistas e criminosos de guerra. Investigações feitas por organizações judaicas dedicadas à memória do Holocausto, como os Amigos do Centro Simon Wiesenthal, identificaram nomes como o de Ante Pavelić, líder fascista croata responsável por perseguir e matar judeus e outras minorias por meio da milícia Ustaše.

Outro nome incluído foi Roman Shukhevych, ultranacionalista ucraniano que colaborou com os nazistas e esteve associado ao massacre de até 100 mil poloneses durante a Segunda Guerra Mundial. Também constava Janis Niedra, envolvido diretamente na execução de centenas de judeus no Holocausto e que migrou para o Canadá após a guerra.

Em consequência dessas descobertas, o Departamento do Patrimônio do Canadá passou a exigir a revisão individualizada de cada nome antes da exposição pública.

Mesmo assim, em dezembro de 2025, após identificar pelo menos 330 nazistas ou colaboradores, o governo optou por impedir, definitivamente, a inclusão de homenagens individuais no memorial.

Segundo o jornal Ottawa Citizen, o memorial inicialmente previa a inscrição de 553 nomes. Em comunicado, a porta-voz do Departamento do Patrimônio Canadense, Caroline Czajkowski, afirmou que a decisão foi revertida para assegurar que o espaço represente os “valores canadenses de democracia e direitos humanos”.

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