A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2025 foi cercada por diversas controvérsias, envolvendo temas como imigração, o empresário condenado Jeffrey Epstein e uma postura rígida contra os democratas. No entanto, a atuação do presidente como mediador nos conflitos e negociações no Oriente Médio foi um dos destaques daquele ano.
Donald Trump tomou posse em 20 de janeiro de 2025 com o compromisso de intermediar as hostilidades na região. Durante o ano, manteve encontros frequentes com um de seus principais aliados, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, buscando promover um acordo de paz na Faixa de Gaza envolvendo o Hamas.
Além de Israel, o conflito com o Irã dominou também o cenário do segundo mandato de Trump. O presidente norte-americano reuniu-se com representantes do Catar, Turquia e Egito para avançar nas negociações, focando em Israel.
Entre chamadas com Netanyahu e tensões diplomáticas relacionadas à segurança em Gaza, Trump anunciou em 9 de outubro uma proposta de cessar-fogo contendo 20 pontos para pacificar a região, apesar dos confrontos ainda estarem acontecendo. O presidente chegou a pleitear o Prêmio Nobel da Paz por esses esforços, que foi concedido a María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela.
Segundo Diego Sanches Corrêa, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), os Estados Unidos buscam reforçar alianças estratégicas, destacando Israel como um parceiro fundamental, mas também considerando países árabes aliados e adversários como o Irã e o Iêmen. Trump adota postura firme para proteger os interesses nacionais americanos, com forte apoio interno em sua política externa, especialmente em regiões sensíveis como o Oriente Médio.
Ele destaca que os EUA combinam diálogo, pressão econômica e militar conforme o objetivo estratégico em suas relações internacionais, reforçando que no governo Trump “tudo está na mesa”.
Conflito entre Israel e Irã
Em junho de 2025, Israel lançou ataques surpresa contra instalações nucleares no Irã, localizadas em Natanz e Isfahan, além de bases militares e áreas residenciais. A resposta iraniana veio na forma de lançamento de dezenas de mísseis balísticos sobre território israelense.
Israel alegou controle do espaço aéreo iraniano e intensificou bombardeios em locais estratégicos como refinarias, ministérios e fábricas de mísseis. Os Estados Unidos apoiaram Israel e condenaram o programa nuclear iraniano, seguindo sua aliança histórica.
Para Sanches, essa postura dos EUA não foi necessariamente pré-planejada, mas demonstra alinhamento à aliança com Israel, um parceiro crucial para manter o equilíbrio regional conforme os interesses americanos.
O conflito, marcado pela intensidade dos ataques, gerou especulações sobre a participação direta dos Estados Unidos, que posteriormente realizaram ataques às instalações nucleares iranianas, gesto celebrado por Israel e criticado internacionalmente. O Irã respondeu atacando uma base militar americana no Oriente Médio.
No fim do embate, o presidente Trump anunciou um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã, encerrando uma sequência de quase duas semanas de combates diretos, episódio que ficou conhecido como “A Guerra dos Doze Dias”. Esse conflito resultou em 638 mortos e mais de sete mil feridos.

