O Banco Central entende que a guerra no Oriente Médio torna mais difícil a gestão da política monetária em países desenvolvidos. Conforme divulgado no Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, pode ser necessária uma ação antecipada para conter os impactos inflacionários, dados os riscos aumentados e a inclinação da curva de juros.
O conflito cria dúvidas adicionais sobre inflação e crescimento econômico. Com a interrupção das matérias-primas no Estreito de Ormuz, há pressão para alta dos preços. O Banco Central informa que essa pressão já elevou as expectativas de inflação, embora o efeito sobre os consumidores varie conforme o sistema de preços de cada país.
O impacto na inflação dependerá da duração do conflito e das medidas tomadas para minimizar os efeitos, além da capacidade reduzida de produção de energia e possíveis mudanças nas cadeias de suprimentos globais.
Se a alta dos preços energéticos continuar, será fundamental avaliar sua transmissão para a inflação e crescimento para ajustar políticas fiscais e monetárias de forma adequada.
Embora tensões geopolíticas sejam comuns, esse conflito causou forte instabilidade nos mercados, com preços de petróleo, gás e outros produtos básicos se mantendo elevados e voláteis.
O Banco Central alerta que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz persista ou se o conflito se alastre, os impactos podem ser graves e duradouros para a economia mundial, dificultando as respostas das autoridades monetárias.
Os efeitos variam conforme a dependência de energia importada, sendo as economias asiáticas as mais vulneráveis. Um aumento nos preços de commodities energéticas influencia quase todos os bens movimentados, aumentando as expectativas de inflação.
O ciclo de redução das taxas de juros já foi encerrado ou está perto de terminar nas economias avançadas, com previsão de aumentos em alguns países este ano, complicando o manejo da política monetária diante das pressões inflacionárias vindas da guerra.
Riscos ampliados por vários fatores
O Banco Central também destaca que as incertezas para países emergentes cresceram, principalmente por questões comerciais dos Estados Unidos e o conflito no Oriente Médio, conforme o RPM. Decisões recentes nos EUA sobre tarifas comerciais mantêm o ambiente de dúvidas, prejudicando investimento e confiança.
Além disso, o aumento das tensões no Oriente Médio afeta preços, produção e logística das matérias-primas, elevando riscos inflacionários para esses países. Outros preocupantes incluem a sustentabilidade fiscal de grandes economias, a situação econômica da China e a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Os indicadores financeiros para emergentes ficaram mais apertados desde o começo do conflito, embora ainda estejam longe de níveis críticos de crises passadas. Muitas moedas dessas economias se desvalorizaram após um bom início de trimestre, com exceções como Argentina, Brasil, Colômbia e México, especialmente impactadas pela dependência de energia do Oriente Médio.
Possibilidade maior de inflação acima da meta
No mesmo relatório, o Banco Central aumentou a chance de a inflação ultrapassar o teto da meta de 4,5% para 30% em 2026, enquanto a probabilidade de ficar abaixo do piso de 1,5% caiu para 2%. Desde 2025, a meta é avaliada continuamente pelo índice de inflação acumulada em 12 meses, considerando perda do alvo se ultrapassada por seis meses consecutivos.
Em julho do ano passado, o índice ficou acima do teto da meta por seis meses seguidos, um fato preocupante. Para 2027, a chance de estouro do teto foi revista para 19% e para 2028 a primeira estimativa divulgada aponta 17% de risco de ultrapassar o limite superior da meta.
Estadão Conteúdo.

