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sábado, 30/08/2025

Conflito entre Trump e Lula: linha do tempo da crise entre Brasil e EUA

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Em Brasília

A relação delicada entre Brasil e Estados Unidos, desde o começo do segundo mandato de Donald Trump, tornou-se tensa e virou uma crise diplomática depois que o presidente norte-americano anunciou uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, motivada por razões políticas.

Ao divulgar essa tarifa, Trump deixou claro que a decisão não foi apenas por motivos econômicos, considerando que os EUA não possuem déficit comercial com o Brasil. Segundo ele, a tarifa é uma retaliação direta ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL), réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.

Em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual anunciou a tarifa, Trump alegou que aumentou a taxa por conta de “ataques insidiosos” às eleições livres no Brasil. O documento, enviado logo após a cúpula do Brics no Rio de Janeiro, também criticava o julgamento de Bolsonaro e pedia que ele fosse interrompido.

Resumo da crise

6 de julho

Durante a cúpula anual do Brics no Rio de Janeiro, Trump fez a primeira ameaça indireta afirmando, em rede social, que aplicaria tarifas de 10% aos países que adotassem “políticas antiamericanas”.

7 de julho

Após a ameaça aos Brics, Trump voltou a falar de Jair Bolsonaro, afirmando que ele “não é culpado de nada”, apesar das investigações do STF, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.

9 de julho

Após articulações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) com autoridades dos EUA, Trump anunciou, por carta, a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. Diferentemente de outras medidas, essa tinha cunho político, focado no julgamento de Bolsonaro.

Na carta, Trump afirmou que a forma como o Brasil trata Bolsonaro, líder respeitado mundialmente, é uma vergonha internacional e que o julgamento deveria terminar imediatamente, considerando-o uma perseguição.

O governo brasileiro convocou o encarregado da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, para explicações.

Bolsonaro ressaltou que o “alerta foi dado” e pediu atuação urgente dos poderes brasileiros.

11 de julho

Ao comentar pela primeira vez sobre a medida, Trump defendeu Bolsonaro como “muito honesto” e que “ama o povo brasileiro”. Ele não descartou uma reunião futura com Lula para negociar, mas não naquele momento.

12 de julho

O governo federal brasileiro lançou uma campanha publicitária contra a medida, com o lema “Brasil soberano”, afirmando que o país não se curva a outros.

13 de julho

Bolsonaro admitiu que a medida poderia prejudicar o Brasil, mas disse que a solução está nas mãos das autoridades brasileiras, pedindo anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de janeiro de 2022.

14 de julho

A diplomacia dos EUA, por meio do subsecretário Darren Beattie, em comunicado no X, declarou que a retaliação era esperada, motivada por ações do ministro Alexandre de Moraes, e que os EUA observavam atentamente o Brasil.

Lula respondeu regulamentando a Lei da Reciprocidade, autorizando o governo a agir contra decisões unilaterais como a tarifa.

15 de julho

Baseado na Seção 301 da lei comercial dos EUA, o governo Trump abriu investigação contra práticas comerciais brasileiras consideradas injustas, citando o Pix e a 25 de Março como exemplos de métodos que prejudicam a economia americana.

17 de julho

Trump, em carta via rede social, expressou preocupação com os “ataques à liberdade de expressão” no Brasil sob o governo Lula e defendeu Bolsonaro como vítima de um sistema injusto.

Lula respondeu em rede nacional, apresentando ações para contornar a tarifa e chamando a medida de “chantagem inaceitável”.

18 de julho

Alexandre de Moraes denunciou a aproximação entre Trump e Bolsonaro como tentativa de interferência no judiciário brasileiro, autorizando operação da Polícia Federal contra o ex-presidente e medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato.

Em retaliação, os EUA suspenderam vistos de Moraes, aliados do STF e familiares próximos.

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