ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A semana que marcava os 59 anos do BRB (Banco de Brasília) deveria ser de festa, com um show do cantor João Gomes para 3.000 funcionários na Arena BRB. No entanto, na véspera, o Banco Central proibiu a compra de parte do Master pelo BRB.
Essa decisão encerrou o Projeto Vértice, operação secreta liderada pelo BRB junto ao banqueiro Daniel Vorcaro. Alguns funcionários alertaram o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sobre os riscos do negócio devido à reputação duvidosa de Vorcaro, o que trouxe alívio para alguns e medo para outros envolvidos.
A decisão do Banco Central foi antecipada à noite do dia 3 de setembro e comunicada oficialmente no dia seguinte. O mercado financeiro já desconfiava dos problemas do Master, especialmente sobre sua liquidez, que gerava insatisfação entre grandes bancos privados devido ao aumento dos CDBs garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O BRB, um banco público regional, foi o foco principal da negociação, apoiada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que tinha ligações políticas com aliados de Vorcaro. A suspeita sobre o envolvimento do banco público na operação é investigada pela Polícia Federal, envolvendo também Ibaneis, Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
Um CEO do setor bancário revelou que a ideia foi vista com estranheza, pois o BRB estaria assumindo controle de um banco privado com sérios problemas financeiros, enquanto Vorcaro defendia que a concorrência contra grandes bancos era injusta e pleiteava uma participação no BRB.
Vorcaro planejava integrar o conselho do BRB e justificava que a operação beneficiaria ambos os bancos: o Master teria acesso a financiamentos mais baratos e o BRB ganharia autonomia para atuar no setor privado.
Apesar de contratempos e polêmicas envolvendo o BRB no passado, como um patrocínio ao Flamengo e um empréstimo controverso ao senador Flávio Bolsonaro, a operação foi mantida em sigilo inicialmente, com reuniões internas denominadas pelo pessoal do banco como o Grupo de Trabalho “secreto”.
Paulo Henrique Costa defendeu a compra como estratégia de crescimento, porém investigações revelaram fraudes e ligações políticas que levaram o Banco Central a negar a aprovação para aquisição.
Após 159 dias de análise, o Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo, resistiu à pressão política e do mercado financeiro para liberar a operação. O BC chegou a negociar medidas emergenciais para contornar a crise do Master, incluindo empréstimos pelo FGC.
Com a descoberta das fraudes e o avanço das investigações, a compra se tornou inviável e foi definitivamente barrada em setembro de 2025. O Ministério Público Federal foi informado sobre as irregularidades, e novos desdobramentos da situação do Master estão previstos para futuras apurações.
linha do tempo caso master
- julho de 2024: BRB realiza duas rodadas de aumento de capital suspeitas, que resultam em acionistas ligados a Vorcaro e parceiros.
- dezembro de 2024: Falha tentativa de mercado para salvar o Master; Vorcaro propõe venda ao BRB com interesse no conselho.
- janeiro de 2025: Início das reuniões internas no BRB para compra do Master, denominadas Projeto Vértice.
- fevereiro de 2025: Comunicação informal ao Banco Central sobre intenção de compra.
- março de 2025: BRB formaliza interesse em adquirir parte do Master, próximo ao prazo final dado pelo BC para correção das falhas.
- abril de 2025: Vorcaro recebe ordens do BC para recompor liquidez do Master e solicita empréstimos emergenciais.
- maio de 2025: FGC concede linha de crédito de curto prazo para o Master.
- julho de 2025: BC detecta fraudes e comunica o Ministério Público Federal.
- 3 de setembro de 2025: BC veta a aquisição e informa o BRB e Master; anúncio oficial é feito em seguida.

