O desconforto físico e mental causado pelas mudanças bruscas de temperatura não é frescura, mas sim uma resposta biológica do organismo. Transpirar excessivamente ou ranger os dentes são sinais que indicam que o corpo está tentando restabelecer seu equilíbrio.
O corpo humano opera normalmente em torno de 36,5 °C. Temperaturas acima de 42°C ou abaixo de 30°C podem causar falhas nos órgãos vitais, representando perigo de morte.
Sensores distribuídos pela pele e pelo corpo registram as sensações térmicas, e a quantidade e localização desses sensores variam entre as pessoas, dificultando uma sensação uniforme de frio ou calor.
Segundo Joachim Latsch, especialista em medicina esportiva da Universidade de Colônia, a percepção de frio e calor é individual, assim como os tamanhos dos pés.
Impactos do frio intenso
Com a queda da temperatura, o corpo apresenta fadiga, lentidão nos reflexos, batimentos cardíacos mais lentos e dificuldades respiratórias.
Mulheres tendem a sentir mais frio em comparação aos homens, pois possuem menos massa muscular: cerca de 25% contra 40% dos homens.
Períodos prolongados em ambientes frios podem enfraquecer a imunidade e facilitar o contágio de doenças, especialmente em locais fechados e com muitas pessoas.
Nos casos de frio extremo, podem ocorrer sensações similares a queimaduras, amnésia e até perda de consciência. Caso a temperatura corporal interna atinja 23°C, é provável a falência dos órgãos vitais.
Mudanças no humor
Pessoas que vivem em regiões com estações frias e dias curtos podem desenvolver um tipo de depressão chamada transtorno afetivo sazonal. A redução da luz solar altera substâncias que regulam o humor, o sono e o relógio biológico.
Esse transtorno é mais frequente em mulheres e pode causar sensibilidade ocular, aumento do apetite por carboidratos, sonolência e diminuição do desejo sexual.
Em países com invernos rigorosos, a terapia de luz artificial pode ajudar a minimizar os sintomas, estimulando o hipotálamo, que controla o ritmo biológico.
Práticas como exercícios físicos, meditação, e exposições adequadas à luz podem prevenir o transtorno.
Curiosamente, algumas pessoas apresentam quadro inverso, com depressão relacionada ao calor intenso e dias longos, manifestando insônia, ansiedade, irritabilidade e comportamento agressivo.
Efeitos do calor intenso
A exposição prolongada ao calor pode provocar dor de cabeça, tontura, desmaios e sensação de exaustão.
Para aliviar esses sintomas, é essencial buscar ambientes frescos e hidratar-se adequadamente para repor os sais minerais perdidos pelo suor, já que o organismo perde mais líquidos com o aumento da temperatura.
Ao contrário do que muitos acreditam, ventiladores podem agravinar o desconforto em casos de calor extremo, pois espalham o ar quente diretamente sobre o corpo.