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Como o coronavírus pode nos fazer repensar as megacidades

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A pandemia destacou as vulnerabilidades existentes nas megacidades, o que pode gerar um êxodo em massa dos mais ricos

Veneza: antes mesmo da crise atual, os políticos italianos e europeus frequentemente invocavam a cidade como uma alegoria para a ausência de reformas. (Adrià Salido Zarco/Reprodução)

PRINCETON – A covid-19 matou a megacidade? A pandemia certamente está remodelando a globalização, transformando os centros da economia global anteriores a  2020 em epicentros de contágio e deixando seu futuro na incerteza. Mas a crise simplesmente destacou também as vulnerabilidades existentes nas megacidades e os processos acelerados que já estavam em andamento.

No início deste século, cidades como Londres, Nova York e Hong Kong tornaram-se elos centrais no fluxo global de dinheiro, pessoas e ideias. Não eram apenas centros financeiros, mas também metrópoles culturais, colmeias de criatividade que dependiam da riqueza e do patrocínio dos banqueiros. Empreendedores e inovadores se juntaram, na esperança de reinventarem a si mesmos e o mundo.

Mas as megacidades também precisam de uma ampla gama de outros trabalhadores com diferentes conjuntos de habilidades. Consequentemente, os imigrantes acorreram a elas também, em busca de fortuna ou simplesmente de novas oportunidades para seus filhos. Muitos sonhavam em ingressar na elite criativa. No devido tempo, prósperas cidades globais se transformaram em caldeirões culturais.

Isso inevitavelmente criou novas tensões com o interior. As pessoas nos subúrbios ou áreas rurais passaram a ver a vida urbana como inatingível ou indesejável. A mobilização popular por trás do Brexit foi impulsionada em parte pelo ressentimento desses eleitores em relação a uma Londres cada vez mais multicultural e rica, cujo sucesso, eles suspeitavam, ocorria às custas deles. Até mesmo profissionais da classe média alta reclamavam que não suportavam mais o custo de vida em Londres.

Da mesma forma, os apoiadores do presidente Donald Trump dos Estados Unidos no sul, sudoeste e  centro-oeste se definem em contraste com lugares como São Francisco e Nova York. “Torne os EUA grandes de novo” (Make America Great Again) significa derrubar as elites costeiras. E, é claro, o choque de culturas entre Hong Kong e a China continental desde 1997 tem sido explicitamente óbvio, devido ao acordo de “um país, dois sistemas”.

Em cada caso, os exorbitantes preços das propriedades nas megacidades envenenaram o poço social. Moradias de alto padrão são acessíveis apenas para a elite global, deixando todos os outros residentes em condições de superlotação ou fora do centro da cidade. Os trabalhadores com empregos temporários ou sazonais muitas vezes não têm um bom local para morar, e uma crescente epidemia de indivíduos sem-teto começou bem antes da pandemia. Muitas pessoas dependem de transporte público inadequado e não confiável para se locomover por longas distâncias. Estudantes universitários e do ensino médio não têm acomodações adequadas.

Junto da covid-19 veio o medo da infecção e um êxodo em massa dos mais ricos. As economias locais nos bairros de alta renda entraram em colapso. A pandemia trouxe um novo tipo de polarização social, pois os trabalhadores dos serviços de saúde, transporte público e varejo foram forçados a se expor ao risco de infecção ou sacrificar seus ganhos.

Em contrapartida, trabalhadores do conhecimento simplesmente começaram a trabalhar à distância e a ganhar a vida  não lhes faltando nada exceto oportunidades para conviverem fisicamente. A nova divisão entre trabalhadores remotos e de linha de frente apontou para as nítidas distinções de classe que muitos preferiram ignorar desde muito tempo.

Mais recentemente, o vírus alimentou a busca por alternativas às megacidades de alto custo da era pré-pandêmica. Para os trabalhadores do conhecimento, a tecnologia torna o emprego remoto atraente e fácil, eliminando deslocamentos desagradáveis ​​e as despesas da vida na cidade. Por que não trabalhar e viver onde quiser?

É claro que a repulsa a cidades superlotadas e perigosas não é novidade. A pandemia mais catastrófica já registrada, a peste bubônica na Eurásia de meados do século 14, provocou uma fuga semelhante. Ler os relatos de Boccaccio sobre jovens aristocratas florentinos autoindulgentes que fugiam para as colinas de Fiesole é ligar o passado e o presente. No evento, a praga desencadeou uma mudança de longo prazo e intensificou o conflito de classes em Florença, quando os trabalhadores comuns se voltaram contra a elite urbana.

Mas o paralelo histórico mais marcante para o declínio das megacidades hoje é Veneza. Muito antes da crise atual, os políticos italianos e europeus frequentemente invocavam a cidade da lagoa que afundava como uma alegoria para a ausência de reformas. Imortalizada pela novela de Thomas Mann, Morte em Veneza, a cidade há muito representa um dilema universal. Depois de atingir o auge de sua glória no final do século 16, sofreu um longo declínio, devido às mudanças nas rotas comerciais, à nova concorrência das cidades mais pobres, porém mais dinâmicas, e à proximidade de doenças.

E, no entanto, Veneza também pode ser um modelo para a megacidade pós-COVID. Como nos lembram os historiadores da economia moderna, a história da cidade não é apenas uma história de colapso industrial e comercial no século 17. Em vez disso, a produção dos artigos venezianos mais icônicos mudou para o interior – para cidades menores como Treviso e Vicenza – o que forçou a República de Veneza a construir uma nova relação política com os territórios vizinhos. Parte superior do formulário

Atualmente, conflitos políticos pré-existentes têm dificultado a resposta geral à pandemia. Por sua própria natureza, as cidades globais estavam particularmente vulneráveis ​​ao vírus e, quando ele atacou, seus líderes e autoridades nacionais começaram a culpar uns aos outros. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, regularmente ataca a cambaleante estratégia de bloqueio do primeiro-ministro britânico Boris Johnson. O prefeito da cidade de Nova York está em uma luta tripla com o governador de Nova York e Trump, que usou a crise das cidades americanas para desviar a atenção de sua cambaleante administração. No caso de Hong Kong, o vírus criou um pretexto para que a China reafirmasse sua autoridade sobre o território com uma abrangente nova lei de segurança.

O renascimento da verdadeira democracia é frequentemente considerado a melhor solução para os problemas associados à globalização tecnocrática. Mas, para que a democracia tenha algum atrativo, os governos democráticos terão de ser mais eficazes no combate não apenas ao vírus, mas também às fontes mais profundas de mal-estar, como pobreza e moradias inacessíveis. Sem uma administração competente, as megacidades estão fadadas a compartilhar o mesmo destino das grandes cidades do passado. Londres e Nova York podem afundar à sua maneira. Mas, desta vez, não haveria renascimento fora das megacidades.

*Harold James é Professor de História e Assuntos Internacionais, na Universidade de Princeton e Membro Sênior do Centro de Governança Internacional para a Inovação.

 

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EUA sem bebida alcoólica? Quantidade é limitada por falta de abastecimento

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Os limites se aplicam a lojas que vendem bebidas alcoólicas e a bares e restaurantes em estados como a Pensilvânia, que têm o monopólio da venda de alguns tipos de álcool

Bebidas alcoólicas: na lista de 43 produtos com limite de venda estão marcas de bourbon, uísque, champanhe, conhaque e tequila (AFP/AFP)

Primeiro foram os chips de computador, agora as bebidas alcoólicas: os problemas na cadeia de abastecimento global da pandemia estão se tornando verdadeiros ‘estraga-prazeres’ das festas nos Estados Unidos.

Na Pensilvânia, as autoridades limitaram a venda de certas marcas a duas garrafas por pessoa por dia desde 17 de setembro, devido a interrupções persistentes na cadeia de abastecimento e escassez de produtos, informou a comissão estadual do álcool.

Os limites se aplicam a lojas que vendem bebidas alcoólicas e a bares e restaurantes em estados como a Pensilvânia, que têm o monopólio da venda de alguns tipos de álcool.

“Rotineiramente impomos um limite por garrafa aos produtos para os quais sabemos que a demanda excederá a oferta, para distribuir o produto da forma mais justa possível”, explicou Shawn Kelly, secretário de imprensa do Conselho de Controle de Licores da Pensilvânia.

Na lista de 43 produtos com limite de venda estão marcas de bourbon, uísque, champanhe, conhaque e tequila.

De acordo com a imprensa americana, vários estados como Vermont, Ohio, Nova Jersey e Alabama estão passando por dificuldades, alguns desde julho, enquanto diversos estudos mostram um aumento no consumo de álcool desde o início da pandemia.

Mac Gipson, administrador do Controle de Bebidas Alcoólicas do Alabama, observa que o problema é “em parte uma questão da cadeia de abastecimento global”, com escassez de vidro em alguns lugares e tampas de garrafa em outros.

Os produtores americanos já enfrentavam escassez de mão de obra, problemas de entrega e aumento da demanda de restaurantes e bares que reabriram ao mesmo tempo que as restrições da pandemia acabaram.

Também houve problemas com transporte transatlântico e desembarque nos portos dos Estados Unidos.
“Não é falta de álcool, mas de (algumas) marcas”, disse Wendy Knight, vice-comissária do Departamento de Bebidas e Loterias de Vermont. “Por exemplo, embora não tenhamos mais Bacardi (um rum leve), ainda temos outras 21 ofertas de rum, incluindo produtos de destilarias locais”, explicou.

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Por que governo da Lituânia fez alerta contra uso de celulares chineses

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Dispositivo feito pela Xiaomi trazia algumas funções de censura a termos e palavras integradas ao sistema operacional. Já outro modelo da Huawei poderia ser vulnerável a ataques

(crédito: EPA)

A mensagem foi clara: livrem-se de seus celulares chineses.

Esse foi o aviso dado aos cidadãos da Lituânia que possuem um smartphone fabricado na China.

O governo também desaconselhou a compra de um novo aparelho que vem deste país asiático.

“Nossa recomendação é não adquirir novos telefones chineses e se livrar dos já comprados o mais rápido possível”, disse o vice-ministro da Defesa, Margiris Abukevicius, na terça-feira (21/9).

Este aviso é resultado de um relatório feito pelo Centro Nacional de Cibersegurança da Lituânia, que realizou testes em vários modelos de celular.

Os pesquisadores identificaram que um dispositivo feito pela empresa Xiaomi trazia algumas funções de censura a termos e palavras integradas ao sistema operacional.

Já outro modelo, produzido pela Huawei, poderia ser vulnerável a ataques cibernéticos.

Suspeitas de censura

De acordo com o relatório dos especialistas lituanos, o smartphone Mi 10T 5G, que é o carro-chefe da Xiaomi, possui um software que pode detectar e censurar termos como “Tibete Livre”, “Viva a independência de Taiwan” ou “movimento democrático”.

Logomarca e telefone da Huawei

Photoshot
Um porta-voz da Huawei disse à BBC que a empresa cumpre as leis e regulamentos dos países onde opera e prioriza a segurança cibernética e a privacidade

No documento, também foi destacado que mais de 440 termos podem ser censurados pelos aplicativos instalados no aparelho, incluindo o navegador de internet padrão.

Na Europa, esse recurso de censura de frases ou palavras dos smartphones foi desligado, mas o relatório afirma que ele pode ser reabilitado remotamente a qualquer momento.

Até o fechamento desta reportagem, a Xiaomi não respondeu ao pedido de respostas e comentários sobre o assunto feito pela BBC.

Os autores da investigação também descobriram que o dispositivo da empresa chinesa estava transferindo dados criptografados de uso do telefone para um servidor localizado em Cingapura.

“Isso é importante não apenas para a Lituânia, mas para todos os países que usam equipamentos Xiaomi”, acrescentam os responsáveis pelo relatório.

A fabricante de smartphones se tornou popular recentemente após disponibilizar uma série de modelos com preço mais acessível.

A estratégia fez com que a empresa aumentasse em 64% a receita no segundo trimestre de 2021 em comparação com o ano anterior.

Probabilidade de ataques cibernéticos

A pesquisa também encontrou uma falha no telefone P40 5G da Huawei, que colocava os usuários em risco de violação da segurança cibernética.

“A AppGallery, loja de aplicativos oficial da Huawei, direciona os usuários para endereços eletrônicos de terceiros, onde alguns dos aplicativos foram classificados por programas antivírus como maliciosos ou infectados com vírus”, afirma um comunicado conjunto do Ministério da Defesa da Lituânia e do Centro Nacional de Cibersegurança.

Um porta-voz da Huawei disse à BBC que a empresa cumpre as leis e regulamentos dos países onde opera e prioriza a segurança cibernética e a privacidade.

“Os dados nunca são processados ??fora do dispositivo Huawei”, disse.

“A AppGallery apenas coleta e processa os dados necessários para permitir que seus clientes encontrem, instalem e gerenciem aplicativos de terceiros, da mesma forma que outras lojas de aplicativos [fazem]”, acrescentou.

A Huawei também realiza verificações de segurança para garantir que o usuário faça o download apenas de “aplicativos que são seguros”, aponta a empresa.

Os celulares de Xiaomi, Huawei e OnePlus que foram examinados pelo Ministério da Defesa da Lituânia

Ministério da Defesa da Lituânia/Reuters
Os celulares de Xiaomi, Huawei e OnePlus que foram examinados pelo Ministério da Defesa da Lituânia

A equipe lituana de pesquisadores também examinou um modelo 5G fabricado pela companhia OnePlus. A conclusão foi que ele não apresenta problemas.

A publicação do documento ocorre em um momento em que as tensões entre Lituânia e China estão aumentando.

No mês passado, a China exigiu que a Lituânia retirasse seu embaixador de Pequim e disse que, por sua vez, chamaria de volta o seu enviado diplomático de Vilnius, a capital do país localizado na Europa.

A disputa começou quando Taiwan anunciou que abriria Escritórios de Representação de Taiwan na Lituânia.

Outras embaixadas taiwanesas na Europa e nos Estados Unidos usam o nome da capital do país, Taipei, para evitar uma referência direta ao nome direto da própria ilha, que a China reivindica como parte de seu território.

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Países do G4 pedem reforma do Conselho de Segurança da ONU

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Alemanha, Brasil, Índia e Japão são candidatos a assento permanente

© Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, se reuniu ontem (22) com os demais chanceleres dos países do G4, grupo formado por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, durante a 76º sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Em comunicado conjunto, eles defenderam a urgência da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para eles, as mudança no órgão podem torná-lo “mais legítimo, eficaz e representativo, ao refletir a realidade do mundo contemporâneo, incluindo países em desenvolvimento e os principais contribuintes”. O conselho é um importante órgão da ONU responsável pela segurança coletiva internacional.

No biênio 2022-2023, o Brasil ocupará um assento não permanente na entidade, mas os países do G4 são candidatos a uma cadeira definitiva. Atualmente, o Conselho de Segurança é integrado apenas pelos Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China.

De acordo com o comunicado, os ministros do G4 confirmaram o comprometimento de todos os chefes de Estado e governo em “injetar vida nova nas discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança” e celebraram, ainda, a prontidão do secretário-geral da ONU, António Guterres, em oferecer o apoio necessário à reforma. O documento de elementos, preparado pelas cofacilitadoras das Negociações Intergovernamentais, também apresentou avanços, com atribuições parciais das posições e propostas dos Estados-membros do conselho.

A determinação do grupo, agora, é trabalhar para o lançamento, “sem delongas”, das negociações e de um documento único e consolidado, que servirá de base para projeto de resolução. “Os ministros decidiram intensificar o diálogo com todos os Estados-membros interessados, incluindo outros países e grupos alinhados à defesa da reforma do conselho, com o objetivo de buscar conjuntamente resultados concretos em um prazo determinado”, fiz o comunicado.

Para os ministros do G4, a reforma do Conselho de Segurança da ONU deve acontecer por meio do aumento de ambas as categorias de assentos, permanentes e não-permanentes, “de modo a habilitar o conselho a lidar com a complexidade e os crescentes desafios à manutenção da paz e segurança internacionais, e assim, exercer seu papel de maneira mais efetiva”.

Além de França, participaram da reunião, o ministro Federal do Exterior da Alemanha, Heiko Maas; o ministro dos Negócios Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar; e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Motegi Toshimitsu. Agência Brasil

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Estados Unidos ,democratas da Câmara exigem respostas até sexta-feira sobre o tratamento dado pela Patrulha de Fronteira aos migrantes haitianos.

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Migrantes cruzando o Rio Grande do México para Del Rio, Texas, na sexta-feira.Crédito…Verónica G. Cárdenas para The New York Times

 

Os democratas da Câmara exigiram na quarta-feira que funcionários do governo Biden se reunissem com membros do comitê de supervisão até sexta-feira para responder a perguntas sobre o tratamento de imigrantes haitianos na fronteira entre o Texas e o México, depois que vídeos mostraram agentes montados da Patrulha da Fronteira encurralando e ameaçando migrantes , gerando indignação generalizada.

“Ficamos alarmados ao ver imagens do tratamento desumano dispensado a haitianos e outros migrantes em Del Rio, Texas, por agentes da patrulha de fronteira a cavalo”, escreveu a representante Carolyn B. Maloney, democrata de Nova York e presidente do comitê de supervisão. uma carta na quarta – feira para Troy A. Miller, o comissário interino da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

A carta observou que as imagens e vídeos mostravam agentes de fronteira “atacando mulheres, homens e crianças; ameaçando-os com rédeas de freio; e fazer comentários depreciativos aos migrantes. Tal conduta abusiva é inaceitável e levanta questões preocupantes sobre cultura, treinamento e disciplina dentro da CBP ”

A carta pede aos funcionários da Alfândega e da Proteção de Fronteiras que informem o comitê até o final da semana sobre a conduta dos agentes, quais instruções eles receberam dos supervisores e se alguma medida disciplinar foi tomada. O comitê também está buscando informações sobre as ações que estão sendo tomadas para proteger os migrantes na fronteira de Del Rio; o uso de um regulamento de saúde conhecido como Título 42 para expulsar migrantes; e cópias não editadas de quaisquer investigações internas dos incidentes.

Cinco outros representantes democratas também assinaram a carta: Jamie Raskin, de Maryland, presidente do subcomitê de direitos civis; Debbie Wasserman Schultz da Flórida; e membros do grupo progressista conhecido como “Squad” – Ayanna Pressley de Massachusetts, Rashida Tlaib de Michigan e Alexandria Ocasio-Cortez de Nova York.

“Relatos de que milhares de migrantes estão sendo deportados para o Haiti, apesar da turbulência naquele país, levantam sérias preocupações sobre se o governo federal não está tratando os migrantes – incluindo aqueles que fogem da violência, instabilidade política e desastres naturais – com respeito e dignidade e proporcionando-lhes um oportunidade significativa de buscar asilo ”, escreveram os legisladores.

As fotografias e as imagens de vídeo amplamente divulgadas nesta semana das interações dos agentes de fronteira com os migrantes haitianos oferecem uma visão do caos que se desenrola em Del Rio, onde grandes grupos de haitianos cruzaram o Rio Grande e entraram ilegalmente nos Estados Unidos.

Jen Psaki, a secretária de imprensa da Casa Branca, disse na tarde de quarta-feira que o governo estava investigando as ações dos agentes de fronteira e terminaria seu trabalho na próxima semana.

“No que se refere a essas fotos e aquele vídeo horrível, não vamos aceitar esse tipo de tratamento desumano e, obviamente, queremos que esta investigação seja concluída rapidamente”, disse Psaki.

Também na quarta-feira, membros do Congressional Black Caucus se reuniram na Casa Branca com Susan Rice, a conselheira de política doméstica do presidente, bem como com o diretor de engajamento público do presidente, Cedric Richmond, e a chefe de gabinete do vice-presidente, Tina Flournoy.

“Pudemos expressar nossa preocupação pelas pessoas que se parecem conosco”, disse depois a deputada Joyce Beatty, democrata de Ohio e presidente da bancada. “Não tínhamos visto os cavalos e os chicotes com nenhuma outra população de pessoas, então isso para nós vai para o racismo.”

O presidente do Comitê de Segurança Interna da Câmara, o representante Bennie G. Thompson do Mississippi, e o presidente do Comitê de Relações Exteriores, o  representante Gregory W. Meeks de Nova York, também escreveram uma carta para Alejandro N. Mayorkas, secretário de Segurança Interna , para “expressar sérias preocupações com relação à repatriação em andamento de migrantes haitianos e exigir uma moratória humanitária sobre essas repatriações”.

O governo Biden já transportou mais de 1.000 pessoas para o Haiti desde domingo e planeja realizar sete voos por dia a partir de quarta-feira, com espaço para 135 migrantes em cada avião, de acordo com um funcionário familiarizado com o plano que falou sob condição de anonimato para discutir estratégias internas.

As deportações são o exemplo mais recente da administração Biden, em suas tentativas de assegurar o controle sobre um número crescente de passagens de fronteira, desmentindo uma promessa de campanha para restaurar um programa de asilo para famílias vulneráveis ​​que fogem da perseguição e da pobreza.

Líderes de organizações de direitos civis, incluindo a NAACP, enviaram uma carta a Biden na terça-feira condenando o tratamento dado aos haitianos, e outros aliados de Biden denunciaram as ações , comparando os eventos na fronteira com aqueles vistos sob seu antecessor como presidente, Donald J. Trump.

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UE quer vacinar 70% do mundo até Assembleia Geral da ONU de 2022

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A União Europeia vai trabalhar junto com os Estados Unidos para aumentar a produção de vacinas em países de renda média e baixa

Ursula von der Leyen, president of the European Commission, delivers the State of Union 2021 address inside the Louise Weiss building, the principle seat of the European Parliament, in Strasbourg, France, on Wednesday, Sept. 15, 2021. During a closed-door meeting with European lawmakers, von der Leyen said the speech is an opportunity to show the Commissions actions were right and pointed to what the EU has achieved on recovery plans, vaccinations and the digital Covid-19 pass, according to officials present. Photographer: Valeria Mongelli/Bloomberg via Getty Images (Valeria Mongelli/Bloomberg/Getty Images)

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quarta-feira, 22, pelo Twitter que a União Europeia se une aos Estados Unidos para “ajudar a vacinar o mundo”. Segundo ela, o objetivo do esforço é garantir que 70% de toda a população mundial esteja vacinada contra a covid-19 até a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas de 2022, ou seja, em cerca de 12 meses a partir de agora.

Ursula Von der Leyen disse que a Parceria de Vacinação Global irá expandir a oferta, aumentar a coordenação nas entregas e acabar com gargalos nas cadeias de suprimento dos imunizantes.

A UE trabalhará junto com os EUA para aumentar a produção de vacinas em países de renda média e baixa.

O bloco já investiu mais de 1 bilhão de euros na África para ajudar a levar a tecnologia de produção de vacinas que utilizam RNA mensageiro ao continente, informou ela, dizendo ainda que haverá coordenação em investimentos para construir locais de manufatura regional dos imunizantes.A autoridade da UE disse que haverá um novo Fundo Intermediário, no âmbito do G-20, a fim de levantar recursos para a saúde global e ajudar a aumentar a capacidade para produção de vacinas.

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Argentina abrirá fronteiras para o Brasil em outubro

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Estrangeiros vão poder entrar na Argentina sem isolamento a partir de 1º de outubro

Casa Rosada, Argentina (Anton Petrus/Reuters Business)

A Argentina divulgou na terça-feira planos para aliviar as restrições à pandemia, incluindo o afrouxamento do controle nas fronteiras, permitindo mais atividades comerciais e eliminando o uso obrigatório de máscaras faciais ao ar livre.

A ministra da Saúde, Carla Vizzotti, disse que a flexibilização das regras permitiria mais atividades econômicas, industriais e comerciais em locais fechados, mantendo as medidas de prevenção.

“Estamos em momentos muito positivos, sabemos que a pandemia não acabou, temos que manter os cuidados”, disse Vizzotti em entrevista coletiva em Buenos Aires. “Estamos caminhando para a plena recuperação das atividades”.

Além disso, estrangeiros vão poder entrar no país sem isolamento a partir de 1º de outubro, informou o jornal argentino Clarín.A Argentina, após um início lento de sua campanha de vacinação, já administrou mais de 49 milhões de doses, incluindo a inoculação total de mais de 20 milhões de pessoas de sua população de cerca de 45 milhões. Casos e mortes caíram drasticamente.

A pandemia atingiu duramente o país, com cerca de 5,24 milhões de casos confirmados, e prejudicou a popularidade do presidente de centro-esquerda Alberto Fernandez, que recentemente foi forçado a uma remodelação do Gabinete após uma contundente derrota eleitoral e críticas públicas de sua vice, Cristina Kirchner.

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