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Como está a saúde mental do brasileiro durante a pandemia

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90% dos psiquiatras notaram o agravamento de quadros em seus pacientes devido à pandemia, segundo uma pesquisa. E isso pode ser só a ponta do iceberg

Brasileiros aguardam em fila para receber segunda parcela do auxilio emergencial do governo durante a pandemia do novo coronavírus. (Bruna Prado/Getty Images)

Quando todo mundo está passando por momentos de angústia e ansiedade, as doenças mentais reais podem desaparecer, escreveu Andrew Solomon em coluna recente no The New York Times.

O professor da Universidade de Columbia e autor de best sellers como “O Demônio do Meio Dia”, sobre depressão, alerta para que não se perca de vista a crise secundária que se desenrola de forma paralela à pandemia. A falta de dados é o primeiro obstáculo para mapear o fenômeno, que é largamente invisível, sobretudo no Brasil. Mas algumas iniciativas lançam luz sobre a ponta do iceberg.

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) entre os dias 6 e 9 de maio mostra que quase metade dos profissionais tiveram aumento nos atendimentos após o início da pandemia. Essa variação foi de até 25% para cerca de um terço dos entrevistados.

Nesse grupo, dois em cada três psiquiatras responderam que ganharam pacientes que nunca haviam apresentado sintomas psiquiátricos antes.

O levantamento, com médicos de 23 estados e do Distrito Federal, aponta ainda que quase 70% desse grupo dos que tiveram aumento das consultas atenderam pacientes que já haviam recebido alta, mas que voltaram a ter sintomas de depressão, ansiedade, transtorno de pânico ou alterações significativas no sono.

Além disso, do total de entrevistados, quase 90% dos médicos notaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes.

Já entre os médicos do grupo que não percebeu aumento nos atendimentos durante a pandemia, a pesquisa aponta um movimento contrário, de redução na procura. Entre os principais motivos listados para o movimento, está a interrupção do tratamento por parte do paciente devido ao medo de contaminação.

“Situações anteriores de epidemias já nos levaram a observar que há um aumento durante ou depois nas doenças mentais, justamente por serem períodos longos de incerteza, visto que o período da curva da doença pode ir até 14 semanas”, diz Antônio Geraldo da Silva, o presidente da ABP. “É um período longo de estresse que pode ser gatilho para uma doença que estava adormecida”, diz.

O Ministério da Saúde chegou a realizar um levantamento para avaliar a saúde mental da população durante a pandemia. O questionário ficou disponível para que as pessoas participassem até o dia 15 de maio. A pasta, no entanto, não pretende divulgar o resultado da pesquisa.

O tema é uma das prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) que na última quinta-feira (14) alertou que a pandemia já estaria causando um “sério impacto na saúde mental das pessoas”. A OMS também pede para que os governos aumentem urgentemente o investimento em atendimento na área.

Só o a depressão no Brasil atinge 5,8% da população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A taxa está acima da média global, de 4,4%. Há 11 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença no país. Em todo o mundo, são mais de 300 milhões, mas apenas metade está em tratamento.

Raízes

Segundo Silva, os casos novos de pessoas diagnosticadas com doenças mentais podem estar relacionados com vários fatores.

As doenças mentais têm um componente hereditário, e podem ou não se manifestar em uma pessoa que tem casos na família. De qualquer forma, é mais comum que apareçam após eventos de estresse – como a pandemia.

Após recessão global de 2008, por exemplo, vários estudos relacionaram a crise financeira a um aumento nos suicídios na Europa e Estados Unidos. Um deles calculou que, para cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego americana, havia um aumento de cerca de 1,6% na taxa de suicídio.

“A situação atual dessa pandemia mexe muito com estrutura social, familiar, financeira, do país e das pessoas. Hoje, isso tudo está muito mais volátil, o que faz com que as perdas estejam mais presentes”, explica Silva. O segundo elemento que ele destaca é a quebra da própria rotina:

“O ritmo circadiano (ritmo de cerca de um dia) é importante para a saúde mental. Manter rituais é uma forma de ser preservar. Durante a quarentena, muitas pessoas podem ter adquirido costumes prejudiciais, como acordar tarde, passar a madrugada vendo séries com frequência, por exemplo, param de se exercitar etc”, diz.

Isso sem falar no abuso de substâncias como álcool e outras drogas, que também afetam a saúde mental, e na alta dos casos de violência doméstica, verificados internacionalmente com o isolamento.

Não temos no Brasil, nota o psiquiatra, um sistema público adequado para a área de psiquiatria ou uma política de Estado voltada para o tema. “Há dois meses, nós alertamos sobre a necessidade de o Estado absorver essa demanda que surgiria com a pandemia, mas o esforço foi zero”.

A ABP está desenvolvendo uma pesquisa para avaliar como a população está lidando com a pandemia. Participe respondendo ao questionário aqui.

Para o especialista, falta hoje no país também uma base de dados adequada sobre o tema. Isso ocorre principalmente pela falta de informação, que aumenta o estigma em torno do tema, segundo Silva.

O tabu é mais frequente entre jovens adultos, como mostra pesquisa Ibope aplicada em agosto do ano passado. Pelo levantamento, 23% dos adolescentes entre 13 e 17 anos consideram transtornos mentais como um “momento de tristeza” e não uma doença grave.

“Ter ansiedade é normal, é fator de proteção, mas não inabilita as pessoas. Na doença depressiva e na doença ansiosa, as pessoas perdem a capacidade produtiva”, explica Silva.

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Varejo reage com reabertura em SP e vendas têm crescimento de 35,2%

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De acordo com a Associação Comercial de São Paulo, há sinais de leve crescimento nas vendas, mas ainda longe de recuperar as perdas

Varejo: setor vê alta nas vendas com reabertura de lojas e comércio em São Paulo (Paulo Whitaker/Reuters)

A reabertura de alguns segmentos do comércio desde o dia 10 de junho, após o isolamento social de quase 100 dias na capital paulista, adotado para conter a propagação do novo coronavírus, já reflete positivamente nas vendas do setor. De acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), há sinais de leve crescimento nas vendas, porém ainda longe de recuperar as perdas passadas e as expectativas.

As vendas varejistas à vista em São Paulo subiram 47,3% em junho em relação a maio, enquanto as a prazo cresceram 23%, conforme balanço da ACSP. Com isso, a taxa média das vendas gerais teve alta de 35,2%. O resultado já era esperado, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP. Diferentemente da primeira quinzena, quando o comércio teve apenas cinco dias de flexibilização, os últimos 15 dias de junho foram totalmente beneficiados pela reabertura de lojas, explica.

“Mostram que embora a comparação anual indique tombos históricos o confronto mês a mês traz uma perspectiva de retomada”, cita a nota.

Na comparação interanual, a queda média no movimento do comércio paulistano foi de 54,9% frente a igual mês de 2019 — pouco menor que o tombo de 67%, registrado em maio. Houve retração de 61,4% nas vendas à vista e declínio de 48,3% nas parceladas em relação a junho de 2019. Pela ordem, as variações negativas acumuladas em 2020 são de 37,7% e de 33,3%. “As vendas ainda estão longe de recuperar o volume esperado, mas já começam a sinalizar alguma melhora.”

Na avaliação de Solimeo, as restrições para a abertura, especialmente a redução de horário de funcionamento, prejudica o desempenho do comércio, que tende a melhorar com a entrada de São Paulo na faixa amarela, quando haverá expansão no horário de abertura das lojas para 6 horas.

Por enquanto, ficou determinado para as lojas de rua o horário entre 11 horas e 15 horas. Já os shoppings podem funcionar entre 6 horas e 10 horas ou das 16 horas às 20 horas.

O temor relacionado à pandemia de coronavírus trouxe cautela gerou empobrecimento geral dos consumidores em razão do isolamento, e todos perderam renda, segundo Solimeo. Conforme o economista, o recuo de 54,9% ainda é bastante expressivo, indicando que “o caminho para a recuperação do comércio ainda é muito longo.”

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App Caixa Tem registra mais de 1 hora de espera para fazer transações

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A Caixa diz que o serviço está sendo normalizado. O problema aconteceu porque o sistema do banco ficou sobrecarregado, o que interferiu no uso do aplicativo

Auxílio emergencial: o banco já creditou 112,5 bilhões de reais a 64,9 milhões de beneficiários (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O aplicativo Caixa Tem apresentou instabilidade ao longo desta quinta-feira, 2. Para processar uma compra ou um pagamento, o usuário teve de ter paciência e esperar 1 hora para concluir a operação. “Gerou certo desconforto, mas na parte da tarde já houve melhora substancial”, afirma Cláudio Salituro, vice-presidente de TI da Caixa.

O executivo explica que todo o sistema de dados ficou sobrecarregado por causa da virada do mês de junho para julho. “Atualizamos à noite nossas bases de folha de pagamentos tanto do setor público quanto privado, além dos programas assistenciais. Acabou que o processamento dessa memória se estendeu para a manhã de hoje e transbordou para o online”, afirma Salituro, sobre a lentidão nos aplicativos.

“Ou seja, o problema não foi no aplicativo. Agora já saímos do mensal [esse processamento que consome memória e dados do sistema] e voltamos a fazer as entregas com mais tranquilidade.”

Nas redes sociais, os clientes do banco criaram a hashtag #CaixaTemNAOFUNCIONA que chegou a estar entre as mais compartilhadas no Brasil. Eles compartilham a dificuldade de acesso ao aplicativo que teve 143,4 milhões de downloads até hoje. Desde o lançamento do Caixa Tem, 4,46 bilhões de reais foram transacionados em compras por QR Code e débito virtual.Neste que é o último dia para cadastramento para receber o auxílio emergencial, a Caixa já recebeu 108,9 milhões de cadastros, dos quais 107,7 milhões já foram processados.

Ao todo, o banco já creditou 112,5 bilhões de reais do auxílio emergencial a 64,9 milhões de beneficiários. A maior parte dos recursos foi direcionada ao Sudeste (41 bilhões de reais), seguida pelo Nordeste (39,8 bilhões de reais).

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Donos de bares e restaurantes em SP demonstram cautela em retomada

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A previsão é de que bares e restaurantes sejam autorizados a abrir as portas a partir do dia 6. O anúncio oficial deve acontecer na próxima sexta-feira

(Germano Lüders/Exame)

Otimismo, desconfiança, prudência ou a triste constatação de que é tarde demais. Essas são as reações de proprietários e gestores de bares e restaurantes que estão vivendo agora a expectativa de uma reabertura controlada de seus negócios. O anúncio oficial deve acontecer na próxima sexta-feira. A previsão é de que os estabelecimentos sejam autorizados a abrir as portas a partir do dia 6.

Na esquina mais famosa da cidade, no cruzamento da Ipiranga com a São João, o Bar Brahma tem atravessado a quarentena como a maioria dos estabelecimentos: investindo no serviço de delivery. Além disso, o Brahma precisou lidar com uma fake news que sentenciou o seu fechamento durante a pandemia da covid-19. “Inventaram muitas coisas, falaram de um aluguel de R$ 40 mil… Mas não era verdade. Estamos ansiosos para comemorar os 72 anos de bar”, disse o gestor Anderson Moraes. A expectativa é de que o bar reabra, com todas as limitações impostas pela Prefeitura, a partir de 15 de julho.

A decisão de não abrir logo na primeira semana, segundo Moraes, é uma forma de “mexer nos gargalos de estrutura”, como reformas em encanamento e banheiros. Ao reabrir, o Brahma vai operar com menos da metade da capacidade, com o distanciamento entre mesas e o uso primordial de seu terraço e áreas externas. O cardápio também terá adaptações para atender os clientes.

Se o Brahma já tem a expectativa de retomar as atividades em duas semanas, outro endereço histórico da cidade quer mais tempo para avaliar a viabilidade de uma reabertura. Para Facundo Guerra, proprietário do Riviera Bar, ainda não existe segurança para reabertura das casas. “Ainda está tudo muito confuso. Eu entendo a pressão para abrir, mas as pessoas ainda não estão seguras para frequentar bares e restaurantes.” Para ele, do ponto de vista prático, a abertura nas próximas semanas seria inviável. “É preciso recontratar parte da brigada (funcionários) treinar novos funcionários, refazer cardápio…”, enumerou Facundo. “O faturamento das lojas e shoppings que reabriram está entre 15% e 30 %. Abrir com 50% ou menos da operação pode representar um aprofundamento, e não um alívio, em nosso prejuízo. Com a casa aberta, perdemos, por exemplo, a possibilidade de negociar o valor de aluguel e outras questões.”

Já o bar Pasquim, na Vila Madalena, se diz pronto para receber seus clientes tão logo a Prefeitura autorize. “Estamos ansiosos para começar a funcionar. Nossa intenção agora é mostrar que o bar pode seguir todos os protocolos, mas de forma humanizada. Não queremos que o cliente perca a experiência do que é ir a um bar”, afirmou o proprietário Humberto Munhoz. “Já tínhamos desenhado protocolos de higiene e afastamento. Também fizemos pequenas reformas na casa, mas o Pasquim tem a vantagem de uma área interna arejada, teto retrátil e pé-direito alto.”

Também animado com a possibilidade de retomada está Gabriel Pinheiro, proprietário da Villa Roma Pizza. “Já temos um kit de higiene para os nossos clientes, álcool em gel nas praças, cardápio especial, máscaras para os funcionários, termômetros para aferir febre…”, disse. “Mas o principal é um projeto de selo auditado de segurança para bares e restaurantes. Já estamos negociando com uma empresa essa auditoria. O selo será uma garantia para o cliente de que o restaurante está de acordo com todas as normas de segurança.”

Algumas casas ainda estão em compasso de espera para saber exatamente quais serão os protocolos da Prefeitura. É o caso, por exemplo, do Astor, que está revisando o seu plano de reabertura. “Ainda precisamos entender o que querem dizer com o uso de áreas ventiladas. Esse conceito ainda não está claro. Esses detalhes mudam toda a nossa operação”, disse Ricardo Garrido, um dos sócios.

O Bar Léo, que comemora 80 anos de vida, também pretende reabrir o quanto antes, mas ainda aguarda das autoridades a sinalização da possibilidade de utilizar áreas externas. “Estamos acompanhando em cidades como Paris e Lisboa a possibilidade de colocar mesas nas calçadas. Essa pode ser uma boa solução para bares como o Léo. Ainda estamos aguardando esclarecimentos sobre essa possibilidade”, falou Moraes, que, além do Brahma, também trabalha na gestão do Bar Léo.

Tarde demais?

A pandemia também fez vítimas entre restaurantes tradicionais. Ana Maria Massochi, proprietária do La Frontera, conta que a pandemia foi o “broche de ouro” para o fechamento definitivo. “Não tinha mais como colocar dinheiro. Não tive ajuda do governo não consegui renegociar aluguel. O prejuízo era alto. A pandemia concretizou essa realidade e tive de fechar.”

Mas, principalmente, o fechamento do La Frontera foi uma forma de manter o foco (econômico) em outro restaurante, o Martín Fierro. “Ainda assim, não vou abrir imediatamente. Paguei três meses para que meus funcionários ficassem em casa se cuidando. Nesse momento, não é hora de fazer com que eles entrem em ônibus metrô ou trens apinhados para vir trabalhar”, falou Ana Maria. “Vamos esperar algumas semanas para ver como fica. Não sou médica. Nem polícia para ficar fiscalizando clientes. Mas, quando reabrirmos, vai ser da melhor maneira possível, com horário e cardápios reduzidos e toda a segurança”, completou.

Uma das histórias mais interessantes dessa pandemia é do restaurante Itamarati, no Largo de São Francisco. A casa, que funciona desde os anos 1940, foi atingida pela pandemia em um momento econômico delicado. Sem a possibilidade de honrar o pagamento do aluguel (R$ 22 mil ) e outras obrigações, o estabelecimento cerrou as portas. O anúncio do fechamento fez com que clientes tradicionais se mobilizassem.

“Já conseguimos iniciar uma renegociação de aluguel e, nesta semana, vamos nos reunir virtualmente para discutir saídas”, disse Marli Avanzzo, que acredita que será feita uma espécie de vaquinha para reabertura do bar. “Estou organizando um ‘Dia do despendura’. Os clientes advogados, que fizeram o ‘pendura’ aqui no Itamarati, pagariam por refeições que não consumiram. O oposto do que acontece no dia do pendura”, disse. Embora a reabertura ainda dependa de muita ajuda, Marli está esperançosa em reabrir seu espaço até agosto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Queimada na Amazônia em junho é a maior dos últimos 13 anos

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De acordo com o Inpe, foram registrados 2.248 focos de calor, volume que representa um aumento de 19,57% em relação ao registrado em junho de 2019

INCÊNDIO FLORESTAL: na cabeça republicana, o governo deve ser impedido de fazer qualquer coisa boa, para evitar que ele acabe legitiminando uma pauta progressista mais ampla / Mario Tama / Equipe/Getty Images (Mario Tama / Equipe/Getty Images)

O Brasil fecha o mês de junho com o maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos. São dados oficiais, do próprio governo federal. Foram registrados 2.248 focos de calor neste último mês, um volume que não era atingido desde 2007 e que representa um aumento de 19,57% em relação ao registrado em junho de 2019, quando 1.880 focos foram detectados.

Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Os números alarmantes colocam em xeque as medidas que o governo tem adotado para evitar que se repita o cenário catastrófico ocorrido no ano passado. O que tem ocorrido, porém, é uma devastação ainda pior.

O controle do desmatamento saiu do Ministério do Meio Ambiente e migrou para o chamado Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Numa tentativa de dar uma resposta à situação, o governo iniciou em 11 de maio, a operação militar “Verde Brasil 2”. Os resultados da operação, porém, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, estão inflados, embutindo em seu balanço operações de combate ao desmatamento que não tiveram nenhuma ligação com o apoio militar.

O decreto 10.341/2020, que autorizou o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), criando a operação Verde Brasil, tem custo mensal de R$ 60 milhões, o equivalente a quase 80% do orçamento anual de fiscalização do Ibama, mas a resposta aos altos índices de desmatamento não chegou.

“As queimadas contribuem simultaneamente para as crises globais do clima, da biodiversidade e com a catástrofe sanitária na região. O Brasil precisará fazer mais, muito mais, se quiser detê-las, fortalecendo os órgãos de controle, com planos permanentes e metas claras, e não de operações pontuais e custosas”, diz Rômulo Batista, da campanha e Amazônia do Greenpeace.

Na avaliação do especialista, os próximos três meses poderão ser catastróficos ao País. “É difícil nutrir esperança de que a catástrofe ambiental que vimos no ano passado, marcada por uma série de queimadas criminosas, seja menor em 2020. Afinal, a contenção do colapso está nas mãos de um governo que joga contra o meio ambiente e vem se mostrando incapaz de combater a destruição do maior patrimônio de todos os brasileiros, a Amazônia”, afirma Rômulo.

Na semana passada, um grupo formado por quase 30 instituições financeiras em todo o mundo divulgou uma carta na qual exige que o governo brasileiro freie o crescente desmatamento no País. A informação foi noticiada pelo jornal britânico Financial Times.

Para o grupo, a continuidade da prática criou “uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil”. “É provável que os títulos soberanos brasileiros sejam considerados de alto risco se o desmatamento continuar”, escreveu o grupo, conforme reproduziu o jornal.

O assunto foi comentado pelos presidentes dos bancos Bradesco e Itaú. A questão ambiental é, na opinião do presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, o principal “perigo” que ameaça o Brasil. “No momento em que a sociedade se percebe frágil, a gente deve olhar para outros perigos. As consequências ambientais podem até vir de uma maneira mais lenta do que as da saúde como a covid-19, mas são mais duradouras e difíceis de reverter”, declarou.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, destacou que “todo mundo falava de sustentabilidade, de problema com o Planeta, de aquecimento global, reflorestamento, derrubada, de qualidade do ar, da água, todo mundo falava sobre isso, mas de fato nós temos de reconhecer que fizemos muito pouco em relação a isso”.

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SP ultrapassa 15 mil mortes por covid-19, número abaixo das projeções

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Balanço mostra que o Estado tem 15.030 mortes, 267 registradas em 24 horas. Já são 289.935 casos confirmados da doença, com 8.555 novos casos registrados

São Paulo: capital conseguiu estabilizar o número de óbitos (Eduardo Frazão/Exame)

São Paulo ultrapassou nesta quarta-feira 15 mil mortes pelo novo coronavírus. Balanço da Secretaria Estadual da Saúde mostra que o Estado tem 15.030 mortes, 267 registradas em 24 horas. Já são 289.935 casos confirmados da doença, com 8.555 casos registrados em 24 horas.

O número está abaixo de projeções feitas para o mês de junho pelo Centro de Contingência Contra a Covid-19, que passou a ser comandado por Paulo Menezes. A projeção era de até 290 mil casos até o final do mês e até 18 mil mortes.

Diante dos dados, o governador João Doria (PSDB) também afirmou que eles mostram que o Estado chegou a um platô da doença.

“Dados do comitê de saúde indicam mudança na curva da pandemia no Estado de São Paulo, especialmente na capital paulista. Quero reafirmar que estamos seguros de estamos no caminho certo e correto no Plano São Paulo. Não é um plano de flexibilização, mas uma quarentena heterogênea. Fechamos o mês abaixo dos óbitos projetados. Centenas de vidas foram poupadas em junho. Tivemos um leve declínio na curva de vítimas fatais. Conseguimos reduzir em 144 falecimentos na última semana. Não quero ser otimista e nem pessimista. Quero ser realista. Esses dados nos dão esperança e nos mostram a chegada num platô”, disse Doria.

O Centro de Contigência apresentou dados que mostrariam uma estabilidade no número de mortes na capital entre as semanas 21 e 26 da epidemia. Nesse intervalo, as mortes foram 699 (semana 21), 748 (semana 22), 662 (semana 23), 698 (semana 24), 772 (semana 25) e 611 (semana 26).

“Na capital, nas últimas seis semanas, nós temos uma pequena flutuação no número de óbitos, que tem variado de 700, 770, mas graficamente é possível estabelecer um platô nas últimas seis semanas em relação aos novos óbitos na capital”, afirmou João Gabbardo dos Reis, que é membro do Centro de Contigência da Covid-19 no Estado.

Já no interior, os dados mostram um avanço das mortes nessas semanas, com 658 (semana 21), 739 (semana 22), 864 (semana 23), 825 (semana 24), 1.141 (semana 25) e 1.158 (semana 26).

Testes para a vacina

Segundo Doria, já foram definidos os 12 centros de pesquisa que farão os testes da vacina contra o coronavírus aqui no Brasil na parceria com a chinesa Sinovac. Os testes, liderados pelo Instituto Butantan, serão realizados com 9 mil voluntários em seis estados brasileiros.

Em São Paulo, os testes serão conduzidos no Centro de Pesquisas do Hospital das Clínicas (USP), Instituto Emílio Ribas, Hospital Albert Einstein, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Fora de São Paulo, os centros são: Universidade de Brasília, Instituto de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, Universidade Federal de Minas Gerais, Hospital São Lucas da PUC-RS, Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

“Esses centros divulgarão critérios de inclusão dos candidatos e poderemos iniciar o processo do estudo clínico em si, na semana que vem. O Butantan realizará o desenvolvimento final dessa vacinação. Na minha expectativa, é uma das vacinas mais promissoras do mundo. Vamos sair já com um acordo, havendo registro, de disponibilização para o Brasil inicialmente de 60 milhões de doses”, disse Dimas Tadeu Covas, do Instituto Butantan.

“O governo espera aprovação esta semana da Anvisa para que os centros autorizem os testes”, disse Doria.

Segundo ele, a Sinovac, com quem o governo do Estado fechou parceria, já fez testes em fase 3 com mais de mil voluntários na China.

O acordo com o laboratório, de acordo com Doria, permite a transferência de tecnologia para produção da vacina pelo Butantan em São Paulo e ela será distribuída no SUS.

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6 estados do Brasil vão testar vacina chinesa contra a covid-19

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Os testes, liderados pelo Instituto Butantan, serão realizados com 9 mil voluntários em SP, PR, RS, RJ, MG e DF

Vacina (kuniharu wakabayashi/Getty Images)

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal vão participar dos testes da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac.

Os 12 centros de pesquisa que farão parte desta fase de testes foram divulgados pelo governo de São Paulo nesta quarta-feira, 1º de julho. Os testes, liderados pelo Instituto Butantan, serão realizados com 9 mil voluntários.

Em São Paulo, serão conduzidos no Centro de Pesquisas do Hospital das Clínicas (USP), Instituto Emílio Ribas, Hospital Albert Einstein, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Fora de São Paulo, os centros são: Universidade de Brasília, Instituto de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, Universidade Federal de Minas Gerais, Hospital São Lucas da PUC-RS, Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.O acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório Sinovac prevê a transferência de tecnologia para a produção da vacina e distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é de que esteja disponível para a população em abril ou maio de 2021.

A vacina da Sinovac é uma das mais promissoras contra o coronavírus, ao lado de outra desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

As duas estão na fase 3 da pesquisa em que são feitos testes em humanos em grande escala, após mostrar sucesso com análises em laboratório e com pouco ou nenhum efeito colateral.

E o Brasil é fundamental nesta etapa de validação da eficácia da vacina, principalmente porque os testes precisam acontecer onde a população esteja exposta ao vírus. E o país ainda enfrenta muitos problemas em diversas regiões para conter o avanço da doença.

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