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Como cortar gasto sem perder a qualidade, o dilema do Censo 2020

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou que o IBGE “faça o que quiser”, mas corte o orçamento que, inicialmente, era de R$ 3,4 bilhões

São Paulo — O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou o ano com um desafio enorme: achar uma forma de reduzir os custos do Censo 2020 sem prejudicar a qualidade de coleta de dados ou promover um apagão estatístico no país.

A ordem do Ministério da Economia, de Paulo Guedes, é que o órgão “faça o que quiser”, mas corte o orçamento que, inicialmente, era de 3,4 bilhões de reais. O ministro da pasta já sugeriu que o instituto vendesse seus imóveis, reduzisse o questionário e simplificasse as perguntas.

“O censo de países ricos tem 10 perguntas, o censo brasileiro tem 150, e o censo do Burundi tem 360 perguntas. Quem pergunta demais acaba descobrindo coisa que nem queria saber. Então, eu sugiro que sejamos espartanos, façamos uma coisa bem compacta, façamos o essencial, e nós vamos tentar de toda forma ajudar”, afirmou Guedes em fevereiro.

Em março, o governo informou ao IBGE que a redução do orçamento da operação seria de 87%, o que praticamente inviabilizaria a pesquisa. Nesta semana, no entanto, a presidente do instituto, Susana Cordeiro Guerra, garantiu que o corte seria menor, de 22%.

Isso significa que, pelo menos por enquanto, o orçamento do Censo está em 2,6 bilhões de reais. Com isso será preciso cobrir 213 milhões de pessoas, em 71 milhões de domicílios urbanos e rurais.

O levantamento deve mobilizar um exército de mais de 240 mil funcionários temporários. Até agora, já foram abertas 234 mil vagas. No Censo 2010, 70% do orçamento foi usado com pessoal.

A expectativa é que, dentre todas as medidas estudadas, sejam acatadas a redução tanto no número de perguntas do questionário básico (respondido em todos os domicílios) quanto do tamanho da amostra (cerca de 10% dos lares brasileiros).

A função de definir quais perguntas serão cortadas ficou para o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros.

Apesar dos esforços para manter um orçamento mais enxuto no Censo 2020, estudiosos no assunto não estão em consenso.

Para os críticos aos cortes, a redução no questionário poderia promover um apagão estatístico de duas décadas, uma vez que o último censo foi realizado em 2010 e próximo acontecerá só em 2030.

“A não ser que nós sejamos completamente destrambelhados como Nação, nós deveríamos ter 3 bilhões de reais para gastar com um censo que é produzido a cada dez anos. Os dados são vitais para que gestores públicos, principalmente os prefeitos, tenham uma fonte de informação confiável”, explica Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE durante a gestão de Michel Temer.

De acordo com o economista, qualquer política pública que o governo federal quiser desenvolver, obrigatoriamente, terá que passar pelo censo demográfico. “O ganho externo que se tem com as informações fica na casa dos 10 bilhões de reais, porque evita gastos emergenciais por falta de planejamento na educação, saúde e segurança pública”, diz.

Outros especialistas destacam que, já que há a necessidade de contingenciamento, que se faça da forma correta. “É o feijão com arroz bem temperado”, afirma José Alberto Magno de Carvalho, uma das principais referência de estudos demográficos do país.

O especialista, que é membro do Conselho Consultivo do Censo desde a década de 90 e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que o levantamento deste ano será o mais desafiador desde que começou a ser feito na década de 30.

“Não adianta ter muitas perguntas se a cobertura e a qualidade não forem boas. Isso é jogar dinheiro fora”, explica, se referindo ao Censo de 2010, que teve dificuldades para consolidar os dados do Rio de Janeiro e de São Paulo, duas das regiões mais importantes do Brasil.

Na ocasião, por falta de supervisão e receio da população, as duas localidades tiveram um sério problema de cobertura.

Censo em outros países

Os problemas de orçamento e cobertura enfrentados no Censo do IBGE não são exclusivos do Brasil.

Na Holanda, por exemplo, desde a década de 80, os governos buscam alternativas para superar as dificuldades relacionadas, principalmente, com a queda da cooperação da população. A saída foi se aprofundar em registros administrativos, pesquisas independentes e digitalização.

Nos Estados Unidos, o presidente atual, Donald Trump, afirmou que cortará os recursos do censo pela metade, além de incluir uma questão sobre nacionalidade — medida criticada na Justiça porque iria desencorajar a participação dos imigrantes.

No Chile, o último censo, realizado em 2012, foi alvo de inúmeras críticas. Na época, o ex-presidente do Instituto Nacional de Estatísticas (INE, equivalente ao IBGE) foi acusado de manipular os dados, uma vez que 9,3% dos chilenos não foram entrevistados, mas essa informação não foi divulgada.

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ONU critica Bolsonaro por defender política de mineração na Amazônia

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Relatório do Conselho de Direitos Humanos aponta ainda a restrição a demarcar terras indígenas e o enfraquecimento das proteções e agências ambientais

Protesto: faixa de protesto exposta pelo Greenpeace em Jerusalém diz “Bolsonaro, pare com a destruição da Amazônia” (Greenpeace/Divulgação)

São Paulo — Relatório do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) citou o Brasil como exemplo de nação que tem tomado medidas no sentido oposto ao necessário para enfrentar as mudanças climáticas. A promessa do governo Jair Bolsonaro de liberar partes da Amazônia para mineração, a restrição a demarcar terras indígenas e o enfraquecimento das proteções e agências ambientais são alvo de críticas.

O documento, assinado pelo relator sobre pobreza extrema do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Philip Alston, tem foco nos efeitos do aquecimento global principalmente sobre a parcela da população que já é mais vulnerável. O mundo está caminhando para um “apartheid climático”, onde os ricos compram saídas para os piores efeitos do aquecimento global enquanto os pobres têm de suportar o peso, diz o relatório.

Ainda em 2018, o Brasil anunciou ter desistido de ser sede da Conferência do Clima da ONU neste ano. A justificativa oficial foi a falta de verba para receber o evento, mas Bolsonaro sempre foi crítico de discussões sobre o aquecimento global.

O documento diz que as empresas têm papel vital nas questões da mudança climática, mas não podem ser confiadas a observar as condições dos mais pobres. “Uma dependência excessiva do setor privado poderia levar a um cenário de apartheid climático em que os ricos pagam para escapar de superaquecimento, fome e conflitos, enquanto o resto do mundo é deixado a sofrer”, escreveu.

O relatório criticou governos – incluindo Estados Unidos e China – por fazer pouco mais que enviar representantes para conferências para discursar, apesar de cientistas e ativistas estarem realizando alertas desde os anos 1970. Só os Estados Unidos sofreram, desde a década de 1980, 241 desastres climáticos, o que custou mais de US$ 1 bilhão.

Governo

Procurada pelo Estado, a Presidência da República disse que não iria se manifestar sobre o relatório. Já o Ministério do Meio Ambiente não se posicionou até as 22h45 desta terça. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Rio espera tirar 3 bilhões de sacolas plásticas de circulação por ano

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Com a proibição, mercados passarão a oferecer novas sacolas, produzidas com pelo menos 51% de fontes renováveis

Segundo a Associação de Supermercados fluminense, o consumo atual das sacolas convencionais, produzidas 100% com petróleo, é de 4 bilhões por ano (LUHUANFENG/Getty Images)

Rio — O Rio espera reduzir em nada menos que 3 bilhões por ano o número de sacolas plásticas em circulação no Estado. Entra em vigor nesta quarta-feira, 26, uma lei que proíbe a distribuição e a venda de sacolas descartáveis em estabelecimentos comerciais. Segundo a Associação de Supermercados fluminense, o consumo atual das sacolas convencionais, produzidas 100% com petróleo, é de 4 bilhões por ano.

Com a proibição, os mercados passarão a oferecer novas sacolas, produzidas com pelo menos 51% de fontes renováveis, como milho e cana, que poderão ser reutilizadas por até 50 vezes. “Atualmente, são 20 bilhões de sacolas em apenas cinco anos”, frisou o deputado estadual Carlos Minc (PSB), autor da lei. “É claro que o meio ambiente não aguenta.”

Até dezembro, os mercados vão distribuir gratuitamente duas sacolinhas recicláveis para cada cliente. Quem quiser usar mais terá de pagar R$ 0,08 por unidade. A partir de janeiro, todas serão cobradas. E mesmo essas sacolas deverão ter seu uso gradualmente reduzido já a partir do próximo ano.

A meta é melhorar situações como a da Baía de Guanabara, como destaca o diretor do AquaRio, o biólogo marinho Marcelo Szpilmann. “Hoje, o maior problema é o lixo descartado de forma incorreta nos rios que desembocam na baía, onde temos verdadeiras ilhas de plástico”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Defesa quer anulação da confissão do filho de Flordelis na morte de pastor

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O advogado Anderson Rollemberg, que defende o filho biológico da deputada, Flávio dos Santos, disse que seu cliente contou não ter confessado o crime

A defesa dos dois filhos da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) deve pedir a transferência de seus clientes, Flávio dos Santos, 38 anos, e Lucas dos Santos, 18 anos, para um presídio e pode solicitar a anulação dos depoimentos prestados à polícia.
Os dois estão com a prisão temporária decretada por 30 dias pela Justiça, mas permanecem detidos na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo desde o dia seguinte ao assassinato do pastor Anderson do Carmo, 41 anos, registrado na madrugada do último dia 16.
O advogado Anderson Rollemberg, que defende o filho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos, disse que seu cliente contou não ter confessado o crime. Questionado pela imprensa se poderia pedir a anulação do depoimento, o advogado respondeu: “Não tenha dúvida”.
“Ele falou pra mim que não confessou. Não existe confissão. A autoridade diz que houve confissão, mas [ele] disse pra mim que não confessou [o crime]”, justificou. Rollemberg também contesta o vídeo que a polícia diz ter gravado com a confissão de Flávio sobre o assassinato. “Vocês viram o vídeo? Eu não vi o vídeo”.
“Se ela [a confissão] existe, eu estou dizendo desde já que ela não é idônea. Quem nos garante que ele [Flávio] assinou [o depoimento] de livre e espontânea vontade”, questionou. Ele afirma também que Flávio não prestou depoimento formal à polícia.
Já Flávio Creller, advogado do filho adotivo de Flordelis, garantiu que, até agora, não teve acesso ao inquérito policial e que o documento só será disponibilizado à defesa depois que todos os filhos de Flordelis prestarem depoimento.
Creller informou que também vai pedir a transferência de seu cliente, em conjunto com o advogado de Flávio, para a Cadeia Pública de Benfica, na zona norte do Rio.
Segundo ele, os dois acusados estão “abalados, consternados, não têm informação do que está acontecendo com eles, que ficam isolados na delegacia”.

Depoimentos

Além de Flordelis, que presta depoimento à polícia na condição de testemunha, cerca de 25 pessoas, entre filhos e parentes, estão sendo ouvidas em salas separadas na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.
A tomada de depoimentos não tem hora para encerrar. Flordelis já confirmou que falará, nesta terça-feira (25/6), com jornalistas sobre o assassinato de Anderson.
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