A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato no Brasil mudou o quadro político na América do Sul, onde a maioria dos países é liderada por governantes de direita. Atualmente, oito dos 12 países da região têm governos conservadores, e apenas quatro mantêm lideranças de esquerda.
Com a vitória de Lula, os países com governos de esquerda são Guiana, liderada por Irfaan Ali; Suriname, sob a presidência de Jennifer Simons; Uruguai, comandado por Yamandú Orsi; e Venezuela, atualmente governada interinamente por Delcy Rodríguez.
Já a Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru continuam com líderes de direita. Esses países juntos representam cerca de 58,3% da população sul-americana.
Durante a eleição presidencial, Lula competiu contra o senador Flávio Bolsonaro, que contou com apoio de figuras de direita da região, como o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa. Além disso, estreitou laços com os Estados Unidos, que sob a liderança de Donald Trump têm impulsionado governos conservadores na América do Sul.
Apesar das diferenças ideológicas, especialistas acreditam que as relações entre Brasil e seus vizinhos devem permanecer pragmáticas, focadas em interesses econômicos. Na mesma noite da vitória, Lula recebeu telefonemas de felicitações de líderes como Santiago Peña, do Paraguai, e José Antonio Kast, do Chile, mostrando um ambiente amistoso na política regional.
O governo Lula enfrentará desafios devido à influência crescente de Donald Trump na região, especialmente no combate ao narcotráfico. Os EUA vêm ampliando a cooperação militar com países alinhados à sua segurança, incluindo a iniciativa Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), que já conta com 19 membros, entre eles Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Peru.
O Brasil, no entanto, opta por uma postura mais cautelosa e não faz parte do Escudo das Américas. O governo brasileiro prefere manter acordos bilaterais para combater o crime organizado, evitando uma maior presença militar dos Estados Unidos no continente.
Durante este quarto mandato, a relação com os Estados Unidos será um tema delicado para Lula. Apesar de haver uma boa relação pessoal entre os líderes, membros do governo avaliam que a política externa norte-americana, sob a influência de figuras como Marco Rubio, pode ser adversa ao presidente brasileiro.


