LUANY GALDEANO
FOLHAPRESS
O comércio formal no Brasil teve uma queda de 2.056 empregos em julho, conforme dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Este foi o único grande setor da economia a mostrar uma queda em 2026, especialmente por causa da redução nas vagas no varejo, que perdeu 51,7 mil empregos de janeiro até julho.
Em comparação a anos anteriores, julho registrou o quarto pior resultado desde 2020, com apenas 58,8 mil empregos criados em todo o país. No total, ocorreram 2,26 milhões de contratações e 2,20 milhões de demissões, indicando uma queda de 56% em relação ao saldo do mesmo mês em 2025.
Nos últimos quatro meses, o mercado de trabalho brasileiro tem mostrado sinais de desaceleração, com resultados muito abaixo do esperado pelos analistas. No acumulado desde o início do ano, foram cerca de 972 mil novas vagas formais, e nos últimos doze meses, o aumento total chegou a 1,87%, com 880 mil empregos gerados.
O setor de serviços gerou o maior número absoluto de novas vagas, com 24 mil postos, seguido pela construção civil com 12,6 mil e a agropecuária com 12,5 mil, influenciada principalmente pelo crescimento no cultivo de laranja e preparo do terreno. Em contrapartida, o comércio formal foi o único entre os grandes setores que perdeu empregos em julho.
Cinco estados brasileiros apresentaram resultados negativos: Espírito Santo, Tocantins, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Santa Catarina, sendo o Espírito Santo o mais impactado. Por outro lado, Amazonas, Mato Grosso e Piauí mostraram crescimento no número de empregos formais.
O setor de serviços continua sendo o maior gerador de empregos no ano, e o Amapá registrou o maior crescimento percentual de empregos formais, enquanto Alagoas foi o único estado com queda significativa.
Francisco Macena, ministro do Trabalho interino, destacou que a alta dos juros tem dificultado a criação de empregos, assim como as mudanças no comércio e no varejo causadas pelo crescimento do comércio eletrônico. Ele também mencionou um acordo com o Grupo Casas Bahia, que apesar da crise, manteve a maioria dos empregos nas lojas físicas.
O Grupo Casas Bahia enfrenta uma recuperação judicial devido a uma dívida de R$ 17,3 bilhões, o que evidencia os desafios no setor varejista.
