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Brasília

Comércio do DF se prepara para Black Friday e Natal com otimismo

Com o último trimestre do ano chegando, o comércio no Distrito Federal inicia a fase mais esperada, com a expectativa de aumentar as vendas. Os lojistas já começam a reforçar os estoques, planejar promoções e treinar as equipes para as datas importantes, como a Black Friday e o Natal. A situação é positiva: de janeiro a julho, as vendas no varejo da região cresceram 7,6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um resultado superior à média nacional, que ficou em 1,8%.

O movimento tende a acelerar em novembro. Conforme a Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), é nesse mês que as empresas intensificam a chegada de mercadorias e contratam mais funcionários temporários para o Natal. Espera-se um aumento de 30% no número de trabalhadores durante o período, especialmente no setor de atendimento ao público.

A expectativa positiva também está ligada ao mercado de trabalho e à renda. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que a percepção dos brasilienses sobre o emprego atual atingiu 122,9 pontos, enquanto a avaliação da renda chegou a 119,1, valores que indicam satisfação.

Preparo antecipado das lojas

Na prática, a preparação começa antes que os consumidores notem as mudanças nas vitrines. Ranny Mansour, de 28 anos, dono de uma unidade do Shopping dos Colchões, afirma que o histórico de vendas ajuda a identificar os produtos que precisam ter maior estoque.

“Quando chega essa época do ano, especialmente o fim de ano, o comércio costuma oferecer promoções”, explica. Segundo ele, os produtos mais vendidos recebem atenção especial, já que muitos clientes aproveitam essa época para comprar produtos que foram adiados ao longo do ano.

A Black Friday é uma das primeiras provas importantes para o varejo. A CDL-DF aposta na combinação de descontos em produtos das coleções anteriores e na chegada de novidades para ampliar as opções aos consumidores. Este ano, porém, ofertas muito agressivas podem ser mais raras devido aos custos fixos e financeiros que afetam as empresas.
Por isso, a disputa pelo cliente não deve se limitar somente ao preço. “Trabalhamos para que o orçamento caiba no bolso do cliente”, afirma Mansour. Parcelamentos sem juros, rapidez na entrega e bom atendimento são estratégias utilizadas para tornar as compras mais atrativas.

Setores como roupas, calçados, supermercados, eletroeletrônicos, perfumaria, cosméticos e artigos para presentes devem concentrar boa parte das vendas nos próximos meses. Na Black Friday, smartphones, TVs, eletrodomésticos e equipamentos de informática costumam se destacar. Já no Natal, as compras se distribuem por várias categorias com diferentes preços.

Planejamento das compras

Do lado do consumidor, Jéssica Alves, médica veterinária, já começou a planejar as compras de fim de ano. Este ano, ela pretende aproveitar a Black Friday, pesquisar preços e escolher presentes mais econômicos para não comprometer o orçamento.

“As coisas estão caras, mas fim de ano é um momento especial, então tento comprar pelo menos uma lembrança para presentear, sempre atento às promoções que aparecem nessa época”, conta.

A estratégia de Jéssica reflete um comportamento indicado pelos dados econômicos. Apesar do crescimento nas vendas, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Distrito Federal está em 98,7 pontos, abaixo do nível considerado de satisfação. O índice para compra de bens duráveis é ainda menor, 61,3 pontos, indicando menor vontade para compras caras ou parcelamentos longos.

Para a CDL-DF, juros altos e inadimplência limitam o consumo ao tirar parte da renda disponível para novas despesas. Nesse contexto, boas condições de pagamento e descontos podem ser decisivos para transformar interesse em compra.

Importância do 13º salário

A chegada do 13º salário deve ajudar a economia local, mas esse dinheiro precisará ser dividido entre consumo de fim de ano, pagamento ou renegociação de dívidas e reservas para despesas que virão no começo do ano seguinte, como IPTU, IPVA e material escolar.

Pesquisas sobre Black Friday, Natal e contratação temporária ainda estão em andamento pelo Instituto Fecomércio-DF, que não divulgou projeções de intenção de compra até o momento.

Enquanto isso, os comerciantes seguem se organizando para aproveitar o período mais importante do ano para o varejo. Para Mansour, a expectativa é de crescimento em novembro e dezembro. “Sempre temos que acreditar que será melhor que o ano anterior”, afirma. Entre estoque reforçado, promoções e novas formas de pagamento, o desafio é convencer o consumidor que deseja comprar, mas que deseja verificar seu orçamento antes da compra.

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