O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos está desacelerando em 2026, conforme o Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil. Nos primeiros cinco meses do ano, as transações bilaterais totalizaram US$ 29,5 bilhões, uma queda de 14,3% comparado ao mesmo período de 2025, devido à redução nas exportações e importações.
As exportações do Brasil para os EUA somaram US$ 14 bilhões de janeiro a maio, caindo 16% em relação ao ano anterior, atingindo o menor valor desde 2022 para esse período. Produtos com tarifas adicionais tiveram uma queda maior, de 22,6%.
As vendas do Brasil para os EUA tiveram desempenho pior do que as exportações para o resto do mundo, que cresceram 8,7% no mesmo período.
Essa situação está ligada a investigações da Seção 301 feitas pelo Representante de Comércio dos EUA, que pode resultar em tarifas extras de até 37,5% para alguns produtos brasileiros, prejudicando sua competitividade no mercado americano.
Por outro lado, as importações brasileiras de produtos americanos caíram 12,6%, totalizando US$ 15,5 bilhões. O déficit comercial do Brasil com os EUA aumentou 43,3%, atingindo US$ 1,5 bilhão.
A Amcham mencionou que a queda nas exportações está relacionada à redução na venda de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Nas importações, destacam-se menores compras de motores, máquinas, aeronaves e óleos brutos de petróleo.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, afirmou que o comércio bilateral está abaixo do seu potencial e que os resultados de 2026 ressaltam a necessidade de avançar nas negociações para evitar novas tarifas e ajudar na recuperação do comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Em maio, as exportações brasileiras para os EUA foram de US$ 3,1 bilhões, 14% a menos do que em maio de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de queda. As importações caíram 11%, com seis meses seguidos de retração.
