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Aconteceu

Comando Vermelho cobra taxa e obriga comércio a trabalhar com escolta

Reprodução

A escassez de água no sertão do Ceará atingiu um novo patamar de gravidade em Banabuiú (CE). A entrega e venda de água mineral, essencial para a população local, passaram a ocorrer sob escolta policial, após comerciantes locais suspenderem as vendas por temerem retaliações de uma facção criminosa conhecida como Comando Vermelho (CV).

A ação emergencial começou na última sexta-feira (31), coordenada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A Cagece recolhe os garrafões vazios dos fornecedores e realiza o transporte em comboio protegido para o município, onde a água é distribuída à população. Nos últimos dias, moradores enfrentaram longas filas para conseguir o produto.

Em outubro, um documento chamado “Edital Banabuiú”, atribuído à “Diretoria Banabuiú” da organização criminosa, passou a controlar a venda e distribuição de água na cidade, ameaçando quem não seguisse as regras com severas consequências. Uma marca específica de água foi proibida de ser vendida, e estabelecimentos poderiam ter seu estoque confiscado ou lacrado.

Além disso, nos dias 20 e 21 de outubro, ameaças foram feitas por aplicativos de mensagens, com extorsões que variaram de R$ 200 para liberar lojas a taxas semanais de até R$ 750 no setor de distribuição de água. A situação levou até mesmo ao fechamento de uma escola pública municipal no dia 21, por falta de abastecimento.

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Em resposta, as forças de segurança realizaram uma operação integrada no dia 22 de outubro, com apoio da inteligência policial e da Polícia Civil. Três suspeitos foram presos em flagrante por extorsão e ameaças: Cícero Kevin Gomes Farias, acusado de operar agiotagem e usar a facção armada para cobrar dívidas; Francisco das Chagas de Lima da Silva (“Chico Motos”), investigado por empréstimos informais e coerção armada; e Carlos Fernando da Silva Andrade, responsável pela gestão dos valores extorquidos.

Outros seis envolvidos, incluindo o líder local da facção, continuam foragidos. A SSPDS informou que o possível mandante já foi localizado no Rio de Janeiro e que ações estão em andamento para sua captura.

Durante a audiência de custódia, os pedidos de soltura foram negados pelo juiz Maycon Robert Moraes Tomé, que destacou que os presos fazem parte de um sistema organizado de domínio social e econômico na cidade. O magistrado ressaltou a divisão de funções dentro do grupo criminoso, que inclui liderança, ameaças, cobranças e gestão financeira.

A decisão do juiz também mencionou o medo dos próprios policiais militares envolvidos, que solicitaram sigilo sobre seus nomes devido a receio de retaliações contra eles e suas famílias.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social afirmou que o policiamento em Banabuiú foi reforçado, com equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG), Força Tática (FT) e Motopatrulhamento atuando diariamente tanto na zona urbana quanto rural, para prevenir novas ações criminosas e garantir a segurança da população.

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