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Com PIX, Banco Central impulsiona democratização financeira no Brasil

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Sistema de pagamentos instantâneos tem potencial de acelerar a bancarização, desestimular pagamentos via TED e DOC e impactar as relações cotidianas

Pagamentos: a partir de novembro será possível pagar boletos (de quaisquer natureza) 24 horas por dia, sete dias da semana, sem ter que esperar o tempo de transação como ocorre hoje (Germano Lüders/Exame)

O Banco Central brasileiro planeja para os próximos anos uma ampla agenda de implementação de novos tecnologias no mercado financeiro que pode impulsionar a esperada (e necessária) democratização financeira.

Os quatro pilares da agenda BC# são “inclusão, competitividade, transparência e educação financeira”. Essa transformação começa a ser colocada em prática com o lançamento do primeiro programa, o sistema de pagamentos instantâneos (PIX), em novembro.

De forma geral, o PIX vai funcionar como um facilitador e acelerador de pagamentos, onde o comprador poderá enviar diretamente o valor do serviço ou produto para o vendedor em questão de segundos. Isso será possível porque as transferências irão ocorrer sem a necessidade de intermediários. O serviço, no entanto, só funcionará para pagamentos no débito.

Com isso, será possível pagar boletos (de qualquer natureza) 24 horas por dia, sete dias da semana, sem ter que esperar o tempo de transação como ocorre hoje. Tudo será autorizado por um aplicativo no celular, o que também ajuda a desestimular o uso de dinheiro físico, bem como reduzir as tarifas bancárias.

“Quando o PIX estiver em plena operação, haverá um inevitável questionamento às atuais tarifas de TED, DOC ou boleto, que custam na casa de oito, 10 reais ou acima disso. Basta ter em mente que uma operação desse tipo vai ser tarifado em apenas 1 centavo para cada lote de 10 transações”, explica Carlos Flávio de Souza, Diretor de Inovação da Flexdoc, fintech especializada em automação de fluxos de negócios.

Com a implementação do PIX, somada às outras medidas tecnológicas desenhadas pelo BC, entre elas a regularização até o final de 2021 do open banking (que vai ampliar a liberdade de escolha de serviços e a agilidade no atendimento ao cliente, aproximando os bancos tradicionais das fintechs), a perspectiva é que o Brasil amplie sua eficiência econômica.

Uma pesquisa realizada pela Visa em 2017, que buscou entender os benefícios dos pagamentos digitais, projetou que se toda a população da capital de São Paulo alcançasse o mesmo nível de uso de pagamentos eletrônicos dos 10% com maior utilização, o benefício líquido anual para a cidade poderia chegar a 11 bilhões de dólares. Em 15 anos, isso traria um aumento de 0,23% para o PIB paulista anualmente e a criação de 106 mil novos postos de empregos formais.

A pesquisa mostra uma série de vantagens para todas as partes envolvidas nesse processo. Do lado dos consumidores, há um ganho de tempo em não precisar ir ao banco, economia com juros de mora, redução de crimes já que o dinheiro físico é escasso, aumento do controle financeiro da população e análises mais precisas para a criação de perfis de crédito.

Do lado do empresário, a tendência é que com uma maior digitalização haja redução no número de roubos e furtos, economia em tempo de trabalho, possibilidade de aumento das vendas em canais digitais e melhores dados para aprimorar os serviços prestados aos clientes.

Já para o governo, o potencial envolve aumento da arrecadação pela captura da economia informal e economia na justiça penal pela redução dos crimes.

“É todo um mundo que se abre. Com o PIX e open banking é possível que apareçam novas oportunidades de negócios por conta da imensidão de dados que podem surgir. Os dados são a grande commodity da década e, somado ao cadastro positivo por exemplo, podem inclusive desaguar em melhorias no mercado de crédito brasileiro”, diz Arthur Mota, economista da Exame Research.

Inclusão financeira

Até o final do ano passado, o Brasil tinha uma média de 45 milhões de pessoas desbancarizadas, ou seja, brasileiros que não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou que optaram por não ter conta em banco.

Esse grupo, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, movimenta anualmente no país mais de 800 bilhões de reais.

Com a popularização do PIX, especialistas projetam um aumento significativo no número de pessoas com contas em bancos, principalmente as digitais, já que elas podem ser abertas via celular.

“Um sistema de pagamento que funciona 24/7, em questão de segundos, vai incentivar pessoas que por algum motivo não têm necessidade de ter uma conta bancária”, afirma Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da FEBRABAN.

Com essa medida, será possível formalizar essas transações que hoje são informais e feitas por meio de dinheiro físico. Se a agenda do BC# conseguir se capilarizar em todo o país, o Brasil tem o potencial de ficar mais uma vez na vanguarda das transformações digitais para o setor financeiro, assim como foi com a implementação de chips em cartões e biometria bancária.

(Com Alex Halpern, do Insper)

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Economia

Serasa Experian: demanda das empresas por crédito caiu em agosto

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A indústria foi o segmento que apresentou maior queda, de 7,8%

© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

A demanda das empresas por crédito caiu 6,0% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Indicador da Serasa Experian. Esse foi o segundo mês consecutivo de queda. Na análise por porte, as micro e pequenas empresas registraram o maior recuo (6,1%), seguidas das médias (- 4,7%) e grandes (-1,5%).

A indústria foi o segmento que apresentou maior queda, de 7,8%. O comércio teve a menor retração, de 5,6%. O Norte foi o único que teve elevação (0,3%) e a maior queda foi verificada no Sudeste (-8,1%), seguido de Sul (-4,5%) e Nordeste e Centro-Oeste com recuo de 4,3% cada.

Para o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, as incertezas sobre a prorrogação do auxílio emergencial e sobre as reformas administrativas e tributária colocaram os empreendedores em compasso de espera. “Além das dúvidas sobre a prorrogação ou não do auxílio emergencial, o governo também não deu uma sinalização clara sobre as reformas. Essas incertezas deram uma esfriada no ânimo dos empresários que preferiram aguardar o desenrolar desses temas”, avaliou.

Ele destacou que o auxílio emergencial foi essencial para a sobrevivência das micro e pequenas empresas. “Na dúvida sobre a continuidade, os empreendedores decidiram postergar a busca por crédito. Acredito que esse também foi o sentimento dos médios e grandes empresários”, disse Rabi.

Fonte: Agência Brasil

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Mercado financeiro aumenta projeção da inflação para 2,05%

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Previsão para a cotação do dólar oficial permanece em R$ 5,25

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país) deste ano subiu de 1,99% para 2,05%. A estimativa está no boletim Focus de hoje (28), publicação divulgada todas as semanas pelo Banco Central (BC), em Brasília,  com a projeção para os principais indicadores econômicos.

Para 2021, a estimativa de inflação foi mantida em 3,01%. A previsão para 2022 e 2023 também não teve alteração: 3,50% e 3,25%, respectivamente.

O cálculo para 2020 está abaixo do piso da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%.

Para 2021, a meta é 3,75%, para 2022, 3,50%, e para 2023, 3,25%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em cada ano.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 2% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic encerre 2020 em 2% ao ano. Para o fim de 2021, a expectativa é que a taxa básica chegue a 2,5% ao ano. Para o fim de 2022, a previsão é 4,5% ao ano e para o final de 2023, 5,50% ao ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Entretanto, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Produto Interno Bruto

As instituições financeiras consultadas pelo BC ajustaram a projeção para a queda da economia brasileira este ano de 5,05% para 5,04%. Para o próximo ano, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 3,50%, a mesma previsão há 18 semanas consecutivas. Em 2022 e 2023, o mercado financeiro continua projetando expansão do PIB em 2,50%.

Dólar

A previsão para a cotação do dólar permanece em R$ 5,25, ao final deste ano. Para o fim de 2021, a expectativa é que a moeda americana fique em R$ 5.

Fonte: Agência Brasil

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Confiança da indústria atinge maior nível desde janeiro de 2013

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O indicador chegou a 106,7 pontos, diz FGV

© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

O Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 8 pontos na passagem de agosto para setembro deste ano. Com o resultado, o indicador chegou a 106,7 pontos, em uma escala de 0 a 200 pontos, o maior nível desde janeiro de 2013, quando também registrou 106,7 pontos.

Dezoito dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram aumento da confiança de agosto para setembro.

O Índice da Situação Atual, que mede a confiança dos empresários no momento presente, cresceu 9,5 pontos e chegou a 107,3 pontos. Já o Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, subiu 6,3 pontos e atingiu 105,9 pontos.

“Na opinião dos empresários, a demanda estaria satisfatória, o nível de estoques está confortável e haveria expectativa de aumento de produção e do quadro de pessoal no curtíssimo prazo. Esse resultado sugere que o pior da crise já foi superado e que o setor teria fôlego para continuar a apresentar resultados positivos no próximo trimestre”, afirma a economista da FGV Renata de Mello Franco.

Há, no entanto, uma preocupação do setor com relação aos próximos seis meses. “Uma cautela possivelmente motivada pela incerteza com relação aos rumos da economia após a retirada dos programas emergenciais do governo”, diz Renata de Mello Franco.

Fonte: Agência Brasil

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Autores das principais propostas de reforma tributária travam “embate”

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Audiência pública do Congresso Nacional vai colocar frente a frente Bernard Appy, Luiz Carlos Hauly e Ministério da Economia

A semana começa com um “embate” entre os autores das três principais propostas de reforma tributária em andamento no Congresso Nacional. Uma audiência pública da Comissão Mista da Reforma Tributária, realizada nesta segunda-feira, 28, a partir das 17 horas, vai colocar frente a frente Bernard Appy, Diretor do Centro de Cidadania Fiscal, Luiz Carlos Hauly, ex-deputado federal, e Vanessa Canado, assessora especial do Ministério da Economia.

Atualmente, a carga tributária equivale a mais de 30% do produto interno bruto (PIB) do Brasil, de mais de 7 trilhões de reais. E os três projetos sugerem mudanças de toda a base tributária de consumo no país, que corresponde à maior parte da arrecadação do governo.

A ideia central das propostas é resolver o problema da dificuldade em entender quanto se paga em tributos. O objetivo é unir impostos – sobretudo PIS e Cofins – por meio de uma alíquota única. Das três, a proposta do governo é a mais simples, porque foi enviada de forma fatiada ao Congresso, e uniria apenas PIS e Cofins, com a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS).

A PEC 45, que tramita na Câmara dos Deputados, tem como um dos autores Appy e é a mais abrangente de todas. O texto unifica nove tributos, criando o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços. A PEC 110, de autoria de Hauly e que está no Senado Federal, também propõe criar o IBS, mas com a unificação de cinco tributos.

Mas a grande questão que nenhuma das propostas resolve, é diminuir a carga tributária que o brasileiro paga. De acordo com o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, até a sexta-feira, 25, nós já pagamos quase 1,5 trilhão de reais em tributos.

Além de não reduzir, há o risco de até aumentar a carga tributária para alguns setores. Paralelamente, o governo articula para tentar criar uma da nova CPMF repaginada, com a desoneração da folha de pagamento (dos encargos que as empresas pagam sobre os salários dos funcionários). A estratégia é uma proposta “pegar carona” na outra. Ou seja, os próximos passos desta reforma precisa de muita atenção dos brasileiros.

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Economia

Impacto da Covid na economia alemã pode ser menor do que o temido

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Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do BCE, parece ter amortecido o impacto da pandemia

Terminal portuário em Haburgo, Alemanha (Fabian Bimmer/Files/Reuters).

 

A Alemanha pode resistir à recessão provocada pela pandemia melhor do que o esperado, sugeriram indicadores do setor privado nesta terça-feira, em um sinal de esperança para a economia que tradicionalmente serve como motor de crescimento da Europa.

Com boa parte da atividade econômica ainda restringida pela Covid-19, o governo da Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do Banco Central Europeu, parece ter amortecido o impacto da pandemia.

A projeção para o Produto Interno Bruto agora é de contração de apenas 5,2% neste ano, disse o instituto Ifo, mais otimista do que sua estimativa anterior de queda de 6,7% e da previsão do banco central de contração de 7,1%.

“O declínio no segundo trimestre e a recuperação estão atualmente se desenvolvendo mais favoravelmente do que esperávamos”, disse o economista-chefe do Ifo, Timo Wollmershaeuser.

Para 2021, o instituto cortou sua previsão de crescimento de 6,4% para 5,1%, mas mesmo isso indica que a economia da Alemanha pode ficar próxima do nível pré-crise ao final do próximo ano. O BCE ainda espera que a zona do euro como um todo precise de mais um ano para compensar o declínio.

Parte da melhoria prevista partiu do consumo inesperadamente resiliente, e a associação de varejo HDE disse que espera que as vendas nominais no varejo cresçam 1,5% este ano, uma revisão para cima acentuada de sua estimativa anterior de queda de 4%.

(Reportagem de Michael Nienaber)

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Economia

Preço da gasolina sobe 4% nas refinarias da Petrobras

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O preço da gasolina da Petrobras está em linha com o mercado internacional, mas o do óleo diesel está defasado, diz especialista

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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

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