A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou uma rede internacional ligada ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro que atuava no Brasil. A Operação Eixo foi deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) e teve como alvo principal o Efren Ipuz Prada, colombiano que, até outubro do ano passado, esteve foragido na Espanha, onde acabou preso por meio da Difusão Vermelha da Interpol. Ele é suspeito de ser uma peça fundamental na lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV), especialmente na região do Amazonas.
A organização utilizava o mercado europeu e ativos digitais para proteger os ganhos provenientes do narcotráfico, demonstrando alto grau de sofisticação. Enquanto as finanças eram geridas no exterior, a base operacional no Distrito Federal investia em treinamento militar. A investigação revelou que criminosos do Distrito Federal foram ‘batizados’ pelo Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro.
Esses grupos participaram de um treinamento tático no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para dominar o uso de armamento pesado e técnicas de guerra urbana, aprimorando suas operações criminosas.
Grande mobilização policial
A PCDF mobilizou 200 policiais para cumprir ordens judiciais rigorosas, incluindo 40 mandados de prisão temporária, 56 mandados de busca e apreensão, e o bloqueio de bens de 49 suspeitos, abrangendo imóveis e ativos digitais, como criptomoedas.
As ações aconteceram simultaneamente em 10 regiões do Distrito Federal e em estados como São Paulo, Santa Catarina, Amazonas, Paraná, Minas Gerais e Goiás. A operação está ligada à investigação da Operação Xeque-Mate, que mira o núcleo financeiro do grupo criminoso liderado por Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como ‘Alan do Índio’. O especialista em lavagem via fintechs, Efren Ipuz Prada, foi capturado recentemente na Colômbia.
Para evitar a prisão, Prada e seus comparsas recorreram a procedimentos estéticos, documentos falsos e viveram na clandestinidade internacional, operando com empresas de fachada e marketing fictício para movimentar cerca de R$ 122 milhões.
Estratégias financeiras e crime organizado
A organização criminosa não atuava apenas no tráfico local. A polícia identificou o uso de laranjas e testas de ferro para ocultar bens, operações no mercado financeiro para dificultar o rastreamento de dinheiro e uma logística armada que envolvia transporte de drogas e armas de uso restrito.
Apesar da ligação com facções do Rio de Janeiro, não há indicativos de que elas tenham instalado estruturas próprias em Brasília. Os presos responderão pelos crimes de tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 33 anos de reclusão.

