Uma grande operação policial contra o tráfico de armas e lavagem de dinheiro no Brasil atingiu um importante alvo nesta sexta-feira (10/4). O colombiano Efren Ipuz Prada, considerado peça-chave na lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV) no Amazonas, foi preso na Espanha em outubro do ano passado após ser localizado pela Interpol.
A quadrilha utilizava o mercado europeu e ativos digitais para proteger os lucros do narcotráfico. Enquanto os operadores financeiros cuidavam das movimentações no exterior, a base do grupo, localizada no Distrito Federal, buscava especialização em armamento e táticas de guerra urbana.
A investigação mostrou que membros da quadrilha do Distrito Federal foram treinados pelo Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro, inclusive participando de um treinamento no Complexo da Maré para operar fuzis e armamento pesado.
Operação em grande escala
A Polícia Civil do Distrito Federal mobilizou cerca de 200 agentes para executar uma série de mandados judiciais, incluindo 40 prisões temporárias, 56 buscas e apreensões, e o bloqueio de bens de 49 envolvidos, entre imóveis e criptomoedas.
As ações aconteceram simultaneamente em dez locais da capital federal e em estados como São Paulo, Santa Catarina, Amazonas, Paraná, Minas Gerais e Goiás. A operação está ligada à desarticulação do núcleo financeiro da quadrilha, que movimentava cerca de R$ 122 milhões por meio de empresas de fachada e marketing falso.
Estratégias da quadrilha
- Utilização de laranjas e testas de ferro para esconder bens;
- Operações no mercado financeiro para dificultar o rastreamento do dinheiro;
- Atuação armada, incluindo transporte de drogas acompanhado de armas de uso restrito.
A polícia esclareceu que, apesar da ligação com o Rio de Janeiro, não há sinais de instalação de facções cariocas em Brasília. Os envolvidos responderão por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 33 anos de prisão.

