A Marinha da Colômbia anunciou na quarta-feira (2/7) a primeira apreensão de um narcossubmarino não tripulado nas águas do Mar do Caribe. A embarcação, equipada com uma antena da Starlink, era operada por controle remoto e tinha capacidade para transportar até 1,5 tonelada de cocaína.
O uso de submarinos por cartéis para transporte de drogas aos Estados Unidos e Europa tem se tornado cada vez mais comum na Colômbia, que é o maior produtor mundial de cocaína.
Segundo a Marinha colombiana, o narcossubmarino foi apreendido na cidade de Santa Marta e pertencia ao Clã do Golfo, o maior cartel do país e principal produtor global de cocaína. A embarcação estava vazia, e as autoridades suspeitam que ela ainda estava em fase de testes.
Imagens divulgadas mostram a proa da embarcação cinza equipada com a antena da provedora de sinais via satélite Starlink, empresa do bilionário Elon Musk.
O uso desses narcossubmarinos existe há pelo menos duas décadas, mas a autonomia dessas embarcações vem aumentando, tornando seu uso para transporte de drogas mais frequente.
Produção local e evolução tecnológica
Em 2018, foram interceptados 38 narcossubmarinos nos oceanos Atlântico e Pacífico, conforme dados do think tank americano Insight Crime. Em março deste ano, a polícia de Portugal prendeu três brasileiros transportando mais de 6 toneladas de cocaína dentro de um submarino.
O almirante Juan Ricardo Rozo destacou que a descoberta recente aponta para uma migração dos cartéis para sistemas não tripulados mais avançados, que dificultam o rastreamento por radar e, em alguns casos, podem operar com autonomia parcial.
Fabricados na Colômbia, esses veículos rústicos e leves navegam próximos à superfície, percorrem distâncias maiores do que lanchas comuns e são difíceis de detectar.
A pesquisadora Juana Cabezas, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e Paz (Indepaz), explica que desde 2017 cartéis mexicanos têm contratado especialistas em tecnologia e engenheiros para desenvolver submarinos não tripulados, facilitando o transporte da cocaína pela rota do Pacífico. Esse método reduz custos e aumenta a segurança dos envolvidos.
Os cartéis mexicanos Sinaloa e Jalisco Nova Geração atuam na Colômbia, e o Clã do Golfo possui negócios com ambos, conforme relatado pelas autoridades.
