MAYARA PAIXÃO
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS)
Grupos no WhatsApp, geridos por coiotes e aliciadores, são comuns em Cuba e oferecem passagens e ajuda para que cubanos viagem sem visto até o Brasil, o que é muito difícil conseguir legalmente.
Antes, a maioria dos cubanos tentava chegar à Flórida, nos Estados Unidos, mas com as dificuldades aumentadas após a volta de Donald Trump, o Brasil se tornou o novo destino. Em 2025, quase 42 mil cubanos pediram refúgio no Brasil, o dobro do ano anterior e a maioria dos pedidos de refúgio, superando até os venezuelanos.
Apesar dos registros oficiais mostrarem mais de 21 mil cubanos entrando no Brasil por fronteira oficial em 2024, acredita-se que muitos cruzam pela fronteira sem fiscalização, usando rotas ilegais, o que dificulta o controle migratório.
Os coiotes organizam a entrada dos cubanos pelo Brasil, orientando-os a passar por países vizinhos que não exigem visto, como a Guiana. Muitos pacotes custam entre US$ 1.000 e US$ 4.000, incluindo passagem aérea até a Guiana e transporte até Boa Vista, em Roraima.
A Guiana, beneficiada pelo boom do petróleo e crescimento na construção civil, acaba ficando com alguns cubanos que procuram emprego por lá, mas a maioria segue para o Brasil. Atravessar a fronteira na maioria das vezes é feito por trilhas e atalhos para evitar a fiscalização.
A Polícia Federal realizou diversas operações contra o contrabando de imigrantes nos últimos anos, mas ainda falta um dado importante: identificar a nacionalidade das vítimas para políticas eficazes.
Cuba enfrenta uma crise econômica agravada desde o fim do apoio da Venezuela, fazendo com que muitas pessoas busquem fugir do país. As rotas de migração mudam para evitar ações policiais.
Até 2025, muitos cubanos iam primeiro ao Suriname e depois para a Guiana Francesa, de onde cruzavam para o Brasil. No entanto, recentemente muitos voos têm sido cancelados devido à crise de combustível na Venezuela.
Juán Ariel Saldivar, cubano de 53 anos, relata que saiu de Cuba por orientação dos coiotes após ser ameaçado pela polícia local. Sua viagem ao Brasil custou cerca de US$ 1.150, passando por Suriname, Guiana Francesa e Manaus.
Assim como Juán, muitos veem o Brasil como um local de passagem, ficando por pouco tempo devido a dificuldades para conseguir emprego e melhores condições, preferindo seguir para outros países, como o Uruguai.
No Uruguai, o fluxo de cubanos também cresceu muito, com 15 mil pedidos de refúgio em 2025. Apesar do idioma comum e políticas sociais atrativas, o sistema de apoio está sobrecarregado com tantos migrantes.
O governo uruguaio tenta facilitar a entrada de cubanos com familiares no país para reduzir o uso de coiotes, mas enfrenta desafios para ampliar a capacidade consular em Havana devido à crise na ilha.
Os migrantes também ajudam a manter a população uruguaia, que caminha para o declínio populacional, e contribuem para o sistema de previdência social, apesar do custo de vida alto em cidades como Montevidéu.
Com a crise na Venezuela e a redução de voos, a saída de cubanos está cada vez mais difícil. A migração historicamente serviu como uma válvula de escape para o regime cubano, mas agora tem se tornado um grande desafio para os que desejam deixar a ilha.

