A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu cautela após o início do processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e detalhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
A entidade ressalta que ainda é momento de tentar diálogo para tentar reverter as tarifas de 50% impostas pelo governo dos EUA sobre produtos brasileiros.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a indústria brasileira seguirá buscando diálogo e prudência, afirmando que não é hora de acionar a lei definitivamente.
Ricardo Alban afirmou que é importante preservar a relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos, buscando negociação para reverter as tarifas ou ampliar as exceções para produtos brasileiros.
Missão empresarial
Na próxima semana, uma delegação com mais de 100 líderes empresariais, organizada pela CNI, visitará Washington para encontros com autoridades e empresários norte-americanos.
A agenda inclui preparativos para a audiência pública marcada para 3 de setembro nos EUA, relacionada à investigação aberta em julho sobre comércio, à qual o governo brasileiro respondeu no dia 18 de agosto.
Defesa do diálogo
Embora tenha autorizado o início do processo, o presidente Lula declarou que não tem pressa em aplicar a lei contra os EUA.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo”, disse ele em entrevista à Rádio Itatiaia.
O governo brasileiro abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e contratou um escritório de advocacia nos EUA para defender os interesses do país.
Lula enfatizou que o Brasil está aberto a negociações. “Se os norte-americanos estiverem dispostos a negociar, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia. Até agora não conseguimos contato. Eles parecem não querer negociar”, declarou.