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quinta-feira, 01/01/2026

CNBB defende democracia e alerta sobre problemas sérios no Brasil

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Em Brasília

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) expressou grande preocupação com alguns retrocessos em ética e no cuidado com os pobres no país. A Carta de Ano-Novo da liderança católica foi divulgada na última segunda-feira, dia 29.

A CNBB diz que o ano de 2025 foi marcado por sérias tensões e retrocessos sociais que abalaram a confiança nas instituições brasileiras.

“Em 2025, a convivência democrática enfrentou tensões e retrocessos sociais, causando feridas na sociedade. Algumas situações comprometeram a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas que acreditam numa sociedade mais justa e solidária”, afirma a mensagem da CNBB.

Para a entidade, a democracia é um bem valioso para o povo brasileiro que precisa de cuidado, diálogo e respeito entre os poderes.

“A democracia exige diálogo, respeito às instituições e equilíbrio de poderes. É um patrimônio do povo brasileiro que deve ser cuidado e promovido. Apesar das imperfeições, ela é o ambiente onde a justiça e a verdade podem crescer”, enfatiza a CNBB.

A organização acredita que o Brasil deve buscar novamente o caminho da paz, diálogo e respeito entre todos.

Desafios éticos

O balanço dos bispos mostra que a convivência democrática foi prejudicada por interesses econômicos e disputas de poder que enfraqueceram os mecanismos essenciais de controle.

Entre os pontos destacados estão:

  • Comportamento de autoridades: critican a perda de decoro e responsabilidade de algumas autoridades, principalmente do Congresso Nacional;
  • Aumento da corrupção e enfraquecimento da ética na vida pública;
  • Fraqueza dos mecanismos democráticos devido a interesses econômicos e disputas políticas;
  • Mudanças legais prejudiciais: críticas às alterações na Lei da Ficha Limpa e na Lei Geral do Licenciamento Ambiental;
  • Ameaças à proteção do meio ambiente e aos povos originários, especialmente com a aprovação do marco temporal;
  • Violência e intolerância: reprovação ao discurso de ódio, manipulação da verdade e crescimento de crimes como feminicídio;
  • Pagamento da dívida que reduz investimentos em educação, saúde, moradia e segurança;
  • Desigualdade social, que marginaliza muitas pessoas;
  • Uso de drogas e aumento das economias ilícitas.

Situação no país

Apesar das críticas, a carta aponta avanços em 2025. A Igreja Católica comemorou o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com mais médicos por habitante.

No campo econômico, a CNBB destacou a queda do desemprego, estabilidade da inflação e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Também mencionou a retirada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e a ampliação dos mercados internacionais.

No meio ambiente, os bispos ressaltaram o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, reforçando o compromisso com o cuidado do planeta e combate à crise climática. “Nenhum projeto político pode ser maior que a vida, o respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum”, afirmam.

Entre as experiências positivas estão a taxação de grandes fortunas e a mobilização popular para reduzir a jornada de trabalho, com a realização de um plebiscito.

Valores cristãos

A CNBB, que reúne os bispos da Igreja Católica no Brasil, reafirma a posição contra a legalização do aborto e defende a sacralidade da vida desde a concepção até o seu fim natural, como um direito e dom gratuito de Deus.

Os bispos destacam também que defender a vida implica combater a fome, a miséria e a desigualdade social. “Defender a vida é criar condições para que todos tenham vida em abundância”, destaca a CNBB.

A carta termina com o sonho de Dom Helder Câmara e uma poesia de Thiago de Mello, reforçando que, mesmo diante das dificuldades, a esperança deve ser a força para transformar 2026. “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar.”

O documento é assinado pelo presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Cardeal Spengler; pelo arcebispo de Goiânia e 1º vice-presidente da entidade, Dom João Justino de Medeiros Silva; pelo 2º vice-presidente e arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa; e pelo secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar de Brasília, Dom Ricardo Hoepers.

O que é a CNBB

Fundada em 1952, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) coordena a ação evangelizadora e pastoral da Igreja Católica e trabalha pela justiça social e bem comum.

Além do aspecto religioso, a CNBB tem voz ativa na sociedade civil, abordando temas de direitos humanos, ética e política, especialmente durante as campanhas anuais da fraternidade realizadas na Quaresma.

*Com informações da Agência Brasil

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