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quinta-feira, 08/01/2026

Clima de espera cautelosa na fronteira do Brasil com a Venezuela

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Guilherme Botacini
Santa Elena de Uairén, Venezuela (FolhaPress)

Uma placa na fronteira venezuelana de Pacaraima (RR) declara: “É tempo de lealdade; duvidar é traição”. Próximo a uma passagem pouco vigiada de carros, há um cartaz grande com a foto de Edmundo González e a mensagem “estamos te procurando”.

González se apresenta como o presidente legítimo da Venezuela e vencedor das eleições de julho de 2024, quando o governo oficializou o terceiro mandato de Nicolás Maduro, apesar de denúncias de fraude feitas pela oposição e observadores internacionais.

A reportagem evitou fotografar o cartaz para não causar problemas com os militares do posto.

Maduro foi capturado pelos Estados Unidos após um ataque no sábado (3), enquanto González segue no exílio em meio à incerteza sobre o futuro político da Venezuela, atualmente liderada interinamente por Delcy Rodríguez.

A frase na fronteira parece antiga, mas é simbólica para o momento. Os venezuelanos do lado brasileiro, embora falem pouco, especulam se a queda de Maduro foi facilitada por autoridades próximas, incluindo Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.

Quatro militares das Forças Armadas da Venezuela e duas agentes migratórias estavam na entrada do país na terça-feira. A reportagem não foi parada nem conseguiu registrar imagens do local onde está o cartaz de “procura-se” com a foto de González.

A fronteira fica a cerca de 15 km da cidade de Santa Elena de Uairén, que conta com o Forte Roraima, um antigo duty free fechado, mercados, quitandas e hotéis como o Anaconda e o Gran Sabana, que tem um cassino.

No centro da cidade havia muita gente e vendedores ambulantes na terça-feira, uma diferença em relação ao domingo, quando as ruas estavam quase desertas.

Não havia grande presença militar na cidade, que pertence ao município de Gran Sabana, capital do estado de Bolívar. Na frente de um posto da Guarda Nacional havia somente um veículo militar.

O terminal rodoviário de Santa Elena estava movimentado, indicando que venezuelanos de várias regiões devem cruzar a fronteira. Um homem fazia câmbio ali, trocando cinco reais por 500 bolívares, a taxa do dia. Os produtos nos mercados da fronteira são todos preços em reais.

Um funcionário de uma agência de ônibus comentou que o movimento estava grande, mas até o meio-dia nenhum ônibus vinha de Caracas. Ele esperava que chegassem mais à noite e contou que 90 carros deixaram a rodoviária em direção à fronteira naquela terça, embora não se saiba quantos passageiros sejam migrantes ou refugiados.

No lado brasileiro, o movimento também continua, mas menor que em dezembro. A Polícia Federal registrou uma média de 280 migrantes por dia no último mês de 2025, e de domingo a segunda, foram 259.

Ainda é cedo para saber se esse fluxo vai crescer. Muitos ficam receosos de falar sobre política ou não sabem o que está realmente acontecendo na Venezuela, o que gera uma constante incerteza nas conversas com migrantes e moradores locais.

Nestor Urvina, 54 anos, que veio de Puerto la Cruz, cidade costeira 1.000 km distante da fronteira, estava na fila da Operação Acolhida na terça-feira.

No início da semana, ele foi o primeiro a registrar-se na Polícia Federal para receber o cartão do SUS e vacinas. Já com os documentos em mãos, falou: “Mais um passo. Se Deus quiser, vai dar tudo certo”.

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