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sexta-feira, 06/02/2026

Clientes da Fictor formam grupo para evitar perda de R$ 4 bilhões

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ANDRÉ BORGES
FOLHAPRESS

Clientes prejudicados pela recuperação judicial da holding financeira Fictor, que tinha planos de comprar o Banco Master, decidiram criar uma associação para tentar evitar um prejuízo de cerca de R$ 4 bilhões.

A associação foi formada recentemente em São Paulo e já conta com aproximadamente 300 membros, segundo a reportagem. A situação da Fictor pode afetar mais de 13 mil pessoas que investiram na empresa e que não têm a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ao contrário do Banco Master, podendo perder mais dinheiro com o processo de recuperação judicial iniciado pelos controladores da Fictor.

A Fictor não respondeu às tentativas de contato até a publicação deste artigo.

A ACFictor (Associação de Credores da Fictor Invest) pretende atuar de maneira organizada e estratégica para proteger os interesses dos credores.

“A ACFictor foi criada pela necessidade de união, pois, sozinhos, os credores são vulneráveis, têm pouco acesso a informações, pouca influência e correm o risco de aceitar acordos que os prejudiquem”, explicou Otávio Barbuio, presidente da associação e também credor. “Com ação coletiva, a relação de forças muda totalmente.”

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor envolve pelo menos 13.041 credores, sendo 11.549 pessoas físicas, com créditos que totalizam cerca de R$ 2,54 bilhões.

Muitos investidores foram atraídos por investimentos em Sociedades em Conta de Participação (SCPs) que ofereciam rendimentos altos, em alguns casos chegando a 2% ao mês, muito acima da média da renda fixa.

Segundo a associação, a situação piorou depois que a Fictor Invest tomou medidas como o encerramento unilateral das SCPs, convertendo forçadamente investidores em credores e incluindo-os no processo de recuperação judicial. “Isso limitou muito a capacidade de reação individual dos investidores e colocou os conflitos dentro do processo judicial”, afirmou Barbuio.

Entre as ações da associação estão contestar pontos do plano de recuperação, investigar responsabilidades de administradores e buscar o bloqueio de bens.

Nesta sexta-feira de madrugada, clientes da Fictor receberam e-mails com o “distrato” de seus contratos, documento que a Folha teve acesso.

O documento informa que o distrato foi celebrado em 12 de janeiro de 2026, mesmo sendo enviado na madrugada de 6 de fevereiro.

Sobre a dissolução do contrato, a Fictor diz que ambas as partes formalizam o fim da SCP, com efeitos retroativos a 1º de fevereiro de 2026, data de recebimento da notificação de distrato enviada anteriormente.

Clientes relataram ter recebido o primeiro aviso sobre a finalização do contrato na madrugada de 3 de fevereiro, dois dias após a Fictor apresentar seu pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, com uma dívida de R$ 4,2 bilhões.

A Fictor vinha enfrentando várias ações judiciais por atraso no pagamento de dividendos a clientes. Em 27 de janeiro, o TJ-SP determinou o bloqueio de R$ 150 milhões da conta da empresa, após denúncia de que a companhia retirou dinheiro de uma conta de garantia.

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