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Saúde

Cientista recebe prêmio por pesquisa que levou vacina contra câncer do HPV

Profa. Dra. Luisa Lina Villa durante a 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. Foto: Divulgação

CLÁUDIA COLLUCCI
FOLHAPRESS

Quando Luisa Lina Villa, 75 anos, vê um jovem tomando a vacina contra o HPV, sente que sua longa jornada na ciência chegou a uma realização importante. “Você começa estudando um vírus que pouco se conhece e, anos depois, vê a queda do câncer. É uma alegria imensa”, conta.

Essa frase resume sua carreira de quase cinquenta anos dedicada ao estudo de um vírus que, no começo dos anos 1980, ainda era um mistério.

Hoje, graças a estudos que ela ajudou a desenvolver, o HPV é reconhecido como a principal causa do câncer do colo do útero, além de tumores em áreas como parte de trás da garganta, ânus e pênis.

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Desde 2014, uma vacina previne os tipos mais perigosos do vírus, e países com alta cobertura vacinal já mostram queda nas lesões precursoras, nos casos de câncer e, mais recentemente, nas mortes.

Luisa Villa foi premiada com o Prêmio Octavio Frias de Oliveira na categoria Personalidade de Destaque em Oncologia, em cerimônia que acontece nesta quarta-feira (12).

O prêmio tem grande significado para ela, já que o Icesp é a instituição que a acolheu nos últimos anos.

Nascida na Itália e trazida ao Brasil aos cinco anos, Villa descobriu seu amor pela ciência ainda menina, sempre curiosa para entender como as coisas funcionam.

Formada em ciências biológicas e doutora pela USP, teve uma carreira internacional com trabalhos no Reino Unido, EUA e Singapura.

Em 1983, começou a trabalhar no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer em São Paulo, onde criou um dos maiores grupos de virologia da América Latina. Atualmente, lidera o laboratório de inovação em câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Icesp.

Villa é coautora de estudos importantes sobre HPV, incluindo o estudo de coorte Ludwig-McGill, que acompanhou cerca de 2.500 mulheres para entender como o vírus pode causar câncer do colo do útero.

Esse estudo ajudou a estabelecer como a infecção ocorre e deu bases para estratégias de prevenção ao redor do mundo. Este ano, a liderança do estudo passou para pesquisadoras do Icesp e da Universidade McGill que foram suas alunas.

Villa destaca que uma missão importante é passar o conhecimento adiante.

Ela também foi principal autora de um ensaio clínico decisivo para a aprovação da vacina contra o HPV, publicado em 2005 na revista The Lancet Oncology. Foi um momento de muita emoção quando os resultados confirmaram que a vacina era segura e eficaz.

A pesquisadora ressalta que o sucesso foi fruto do trabalho conjunto de muitos pesquisadores e brasileiras que participaram dos testes clínicos.

Hoje, observa com entusiasmo países que já notam queda no câncer do colo do útero graças à vacinação, como os países nórdicos, Escócia, Itália e Inglaterra. Nesta última, um estudo mostrou que entre mulheres vacinadas antes dos 20 anos não houve mortes pela doença, quando seriam esperadas 29 mortes segundo dados históricos.

Villa acredita que, apesar de talvez não estar mais pessoalmente presente, verá a eliminação do câncer do colo do útero.

No Brasil, porém, o cenário é diferente, com cerca de 17 mil mulheres diagnosticadas anualmente e metade dessas morrendo. Para ela, o câncer mostra as desigualdades do país, pois é uma doença evitável.

Ela avalia que o maior desafio não é mais científico, já que a ciência já respondeu as principais perguntas, mas sim a comunicação para a população, pois muitas pessoas ainda desconhecem a vacina como forma de prevenção.

Essa falta de informação explica as baixas taxas de vacinação e a resistência à imunização dos meninos. O HPV ainda é visto como problema só das mulheres, mas o vírus também causa tumores em homens.

Villa defende fortemente a vacinação nas escolas, pois adolescentes não costumam buscar a vacina por iniciativa própria, se sentindo invencíveis.

Com a retomada das campanhas escolares e a redução para uma dose única, a cobertura vacinal já chegou perto dos 85%. “Falta pouco, mas vamos chegar lá”, afirma.

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