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sábado, 29/11/2025

Chuva forte e calor aumentam risco do mosquito da dengue no DF

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Em Brasília

Com a chegada das chuvas no Distrito Federal, cresce a preocupação com o mosquito Aedes aegypti. O calor intenso junto com as pancadas de chuva cria o ambiente perfeito para que o mosquito, que transmite doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, se prolifere.

Segundo o Boletim da Secretaria de Saúde (SES-DF), até a 47ª semana epidemiológica de 2025, foram notificados 23,4 mil casos suspeitos de dengue no Distrito Federal, dos quais 11,4 mil foram considerados prováveis. Apesar da queda de mais de 93% em comparação ao ano anterior, o risco de aumento dos casos com o retorno das chuvas é real.

“O mosquito usa pequenas quantidades de água parada para se reproduzir. Por isso, é muito importante manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e evitar acumular água em vasos. Um pequeno descuido pode colocar toda a vizinhança em perigo”, alerta Thaynnara Pires, farmacêutica e epidemiologista do Hospital de Base.

O lar é o principal local de reprodução

Segundo o Ministério da Saúde, oito entre dez locais onde o Aedes aegypti se reproduz ficam dentro das casas, em locais como pratos de vasos, pneus, garrafas, ralos, calhas entupidas e caixas-d’água abertas.

Bruno Tavares, morador de Águas Claras, lembra que teve dengue em 2023, e o caso foi grave. Ele precisou ser internado por baixa contagem de plaquetas, quase evoluindo para dengue hemorrágica. “Se não tivesse procurado ajuda rápida, poderia ter sido pior”, relata.

Desde então, Bruno permanece atento. “Cuido muito, principalmente da minha filha de 2 anos. Passo repelente nela e em mim duas vezes por dia. Também observo o entorno onde moro: faço registros no condomínio quando vejo mato alto e já chamei a vigilância sanitária várias vezes. Em Águas Claras, há muitos problemas com obras abandonadas, então precisamos ficar alertas.”

Sintomas

A dengue começa com sintomas parecidos com gripe: febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e atrás dos olhos. Mas sinais que pedem atenção imediata incluem dor forte na barriga, vômitos constantes, sangramentos e tonturas. Nestes casos, é fundamental buscar atendimento em uma UPA ou hospital próximo.

“Beber bastante água é essencial. Medicamentos só devem ser usados com orientação médica, porque alguns podem agravar a doença”, explica o infectologista do Hospital de Base, Tazio Vanni.

Medidas importantes para evitar a doença

  • Esvazie e lave com escova e sabão recipientes que acumulam água.
  • Mantenha caixas-d’água e reservatórios bem fechados.
  • Evite acumular lixo e entulho em quintais e calçadas.
  • Limpe calhas e ralos com frequência.
  • Coloque areia nos pratos de plantas.
  • Use repelente e coloque telas de proteção nas janelas.

Wolbitos: tecnologia contra a dengue

O Distrito Federal iniciou uma nova fase no combate à dengue com a produção de mosquitos com wolbachia. Essa bactéria impede que o mosquito transmita os vírus da dengue, zika e chikungunya, reduzindo a circulação dessas doenças.

Desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), essa tecnologia libera mosquitos infectados com wolbachia. Esses mosquitos se reproduzem com os da natureza e, com o tempo, a característica se espalha pela população, diminuindo a circulação do vírus.

“É um método seguro e sustentável. Os wolbitos, como são chamados, ajudam a reduzir a circulação viral”, explica Thaynnara.

O DF conta com uma biofábrica que produz milhões de wolbitos semanalmente. As primeiras liberações são em dez regiões administrativas, com planos de expansão para 2026.

Thaynnara reforça: “Essa é uma ferramenta a mais, mas o combate depende do esforço de todos. O governo faz sua parte, e cada pessoa precisa fazer a sua”.

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