Funcionários da academia C4 Gym relataram que a piscina onde Juliana Bassetto, 27 anos, passou mal e morreu após ser hospitalizada, recebia quase 10 quilos de cloro diariamente, que seria o suficiente para tratar a piscina por uma semana.
O delegado Alexandre Bento, responsável pelas investigações, explicou que essa quantidade relatada é muito acima do recomendado, indicando uso indevido do produto químico na piscina.
Juliana sofreu um mal-estar durante uma aula de natação. Ela foi socorrida em seguida e levada ao hospital, mas infelizmente não resistiu. Outras cinco pessoas que usaram a mesma piscina naquele dia também foram hospitalizadas com suspeita de intoxicação por cloro.
As investigações mostraram que o controle do cloro estava a cargo de Severino Silva, um ajudante-geral sem formação adequada, que acumulava a função de manobrista da academia. Ele afirmou que recebia instruções diretamente dos sócios por mensagens.
A defesa de Severino diz que ele está colaborando com as investigações e é considerado apenas uma testemunha. A academia afirmou que um dos sócios possui certificado para manutenção da piscina, que foi apresentado aos investigadores.
A Polícia Civil indiciou os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração pelo crime de homicídio por dolo eventual, ou seja, por assumirem o risco da morte ao negligenciar a segurança. O pedido de prisão temporária foi negado, mas eles respondem em liberdade com medidas cautelares.
A acusação alega que os sócios priorizaram o lucro ao permitir que uma pessoa sem experiência cuidasse da piscina, e teriam tentado apagar evidências, liberando os gases tóxicos logo após Juliana ser levada ao hospital.
A defesa alega que, ao perceberem o forte odor na piscina, a academia foi esvaziada e o Samu e Corpo de Bombeiros foram acionados imediatamente. Também dizem que a decisão de procurar o hospital em Santo André foi dos próprios alunos e acompanhantes.
Além disso, afirmam que a academia não foi abandonada e fechou normalmente no horário previsto, permanecendo à disposição para esclarecimentos. O advogado da academia tentou acompanhar as inspeções dos órgãos competentes, mas não teve autorização.
Melhora do Estado de Saúde do Marido da Vítima
O marido de Juliana, Vinícius Oliveira, também foi intoxicado pelo cloro, ficando internado em estado grave e entubado. Recentemente, ele apresentou melhora, já não está mais entubado e consegue conversar.
Segundo o delegado Alexandre Bento, o pai de Vinícius informou que ele está se recuperando e ciente da morte de Juliana.
Reportagem do Estadão Conteúdo.
