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China fará teste de covid-19 em cidade de 9 mi de pessoas em cinco dias

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O município identificou casos de infecção pelo novo coronavírus e fará testes em ritmo acelerado

Covid-19: China irá testar uma cidade inteira em cinco dias, após detecção de novas infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2 (Adnan Abidi/Reuters)

Após detectar novos casos de covid-19 em um hospital que tratava pacientes vindos do exterior, a cidade de Qingdao, na China, fará testes para diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus em todos os 9 milhões de habitantes em um prazo de cinco dias.

Na rede social Weibo, similar ao Twitter, a comissão de saúde municipal anunciou que foram identificados 12 novos casos de covid-19, sendo seis deles com quadros assintomáticos. A comissão diz que mais de 100 mil pessoas já tiveram diagnóstico negativo para a doença.

Os pontos de testagem permanecerão abertos das 7h às 23h para atender a população.

Segundo o jornal Global Times, que pertence ao estado chinês, todos os novos casos da doença vieram do mesmo hospital que tratava pessoas vindas do exterior. Os novos casos surgiram após o feriado da semana dourada na China, quando cerca de 4,47 milhões de pessoas viajam para Qingdao.

Em maio, a China promoveu testes de covid-19 em toda a população de 11 milhões de pessoas da cidade de Wuhan, o epicentro da pandemia do novo coronavírus.

Segundo dados da universidade americana Johns Hopkins, a China teve 90.823 casos de covid-19 desde o começo da pandemia e registrou 4.746 mortes pela doença. Na mesma fonte, o Brasil teve 5.094.979 casos e 150.488 mortes pela doença. O Brasil é o terceiro país com mais casos da doença e o segundo com mais mortes no mundo.

 

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A tentação da medicina tradicional na Índia em tempos de covid-19

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A medicina ayurvédica tradicional está em alta na Índia, um país com mais de oito milhões de casos de contágio e mais de 120 mil mortes para uma população de 1,3 bilhão de habitantes

Um cliente (D) compra produtos em uma loja Mother Dairy exibindo ‘Haldi Milk’ (leite de açafrão). – (crédito: XAVIER GALIANA / AFP)

Sashi, uma dona de casa de Nova Délhi, derrama um pó “fortalecedor da imunidade” em uma jarra de água todas as manhãs para toda a família. Como muitos indianos, ela acredita nas virtudes da antiga medicina ayurvédica contra a pandemia.

A medicina ayurvédica tradicional está em alta na Índia, um país com mais de oito milhões de casos de contágio e mais de 120 mil mortes para uma população de 1,3 bilhão de habitantes.

Um “boom” que beneficia as empresas indianas modernas que vendem produtos tradicionais, como leite à base de cúrcuma, ou óleo de manjericão, muito bem empacotados. Esse mercado movimenta US$ 10 bilhões, segundo a Confederação da Indústria Indiana (CII).

Sashi, de 50 anos, conta ter visto anúncios na televisão promovendo uma infusão de ervas “que pode proteger minha família do coronavírus”, produzida por Baba Ramdev, um iogue que se enriqueceu com sua marca Patanjali.

“Achei que, como estava na televisão, devia ser bom”, acrescenta.

O doutor Bhaswati Bhattacharya, especialista em medicina ayurvédica, acredita que esse interesse se deve à desconfiança em relação à medicina moderna e também ao fato de ainda não haver vacina contra o coronavírus.

“O Ayurveda foi consolidado por escrito há 5.000 anos e, sem dúvida, existiu o dobro desse tempo”, disse ele à AFP. Este medicamento “sobreviveu à peste, varíola, pandemias e é por isso que as pessoas dizem: ‘Vamos ver se funciona.’

Com a pandemia, aumentou também a preocupação com o frágil sistema de saúde indiano. Vários especialistas consideram que os casos de contágio e as mortes por coronavírus excedem em muito os dados oficiais, devido à falta de testes e à subnotificação.

Ioga, Ayurveda e Unani

O interesse em Ayurveda – “ciência da vida”, em sânscrito – e em outros medicamentos holísticos é apoiado pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), a sigla nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi.

Em 2014, ele criou um ministério da medicina tradicional, agrupado sob a sigla AYUSH (Ayurveda, Ioga e naturopatia, Unani, Siddha, Sowa Rigpa e homeopatia).

Em janeiro, este ministério recomendou esses tratamentos contra o coronavírus. E, recentemente, o ministro da Saúde, Harsh Vardhan, publicou um “protocolo nacional de gestão clínica” para covid-19 baseado em Ayurveda e ioga para casos moderados e assintomáticos.

Nas farmácias, os produtos ayurvédicos rivalizam em pé de igualdade com os medicamentos convencionais.

O produtor de laticínios Mother Dairy destaca o sucesso “fenomenal” de seu novo leite “haldi” (de cúrcuma) para crianças.

“A demanda é muito, muito alta. Por isso, estamos aumentando a produção e a distribuição”, disse o diretor Sanjay Sharma à AFP.

“Os produtos de saúde e que promovem a imunidade são um fenômeno novo”, acrescenta. “É uma oportunidade (…) oferecer cuidados preventivos aos consumidores a um preço muito acessível”, completou.

Philipe Haydon, CEO da Himalaya Drug Company, pioneira indiana em remédios e cremes à base de ervas, estima que a demanda por produtos que reforçam a imunidade e o bem-estar aumentou dez vezes desde o início da pandemia.

Aproveitando o auge dos tratamentos alternativos, alguns afirmam terem encontrado uma maneira de “curar” a covid-19. Embora não haja evidências científicas, vários políticos do BJP têm defendido, por exemplo, o uso de urina, ou esterco, de vaca.

Em junho, o Ministério AYUSH pediu a Baba Ramdev que parasse de vender seu coronil à base de plantas como tratamento contra o coronavírus.

A Associação Médica Indiana – a principal organização que representa os médicos indianos – pediu ao ministro Vardhan, que é médico, uma prova da eficácia do Ayurveda e da ioga contra esta doença.

“Se são bons para a saúde, você pode usá-los. Mas nenhum deles fornece qualquer proteção particular contra a covid-19”, disse à AFP Anand Krishnan, professor especialista em saúde pública do All India Institute of Medical Sciences (AIIMS), de Nova Délhi.

“O principal é observar as medidas de distanciamento social, usar máscara e lavar as mãos”, frisou.

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França entra em alerta máximo após o ataque terrorista em Nice

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Presidente Emmanuel Macron reforça as tropas nas ruas do país depois que tunisiano de 21 anos invadiu a Basílica de Notre-Dame, em Nice, e matou três pessoas, entre elas uma brasileira. Atentado coincide com nova polêmica sobre caricaturas de Maomé

(crédito: Valery HACHE/CB/D.A Press)

Aos gritos de Allahu Akbar (“Alá é grande!”, em árabe) e armado com uma faca, o tunisiano Brahim Aouissaoui, 21 anos, invadiu a Basílica de Notre-Dame, em Nice (sul), por volta das 9h (5h em Brasília). Perto da pia de água benta, decapitou uma idosa que rezava no local. Também degolou o sacristão do templo, Vincent Locques, 45 anos, casado e pai de dois filhos. A brasileira Simone Barreto Silva, 45, mãe de três filhos, ficou ferida gravemente e tentou se refugiar em uma cafeteria próxima, onde morreu. A polícia chegou ao local rapidamente e disparou várias vezes contra Aouissaoui. Segundo o prefeito de Nice, Christian Estrosi, mesmo medicado, o assassino repetia a expressão muçulmana, chamada de Takbir. Estrosi também citou a ameaça do “islamofascismo”. As autoridades divulgaram que Aouissaoui entrou no país no início deste mês, por meio da ilha italiana de Lampedusa, no Mediterrâneo.

O presidente Emmanuel Macron visitou a cidade da Riviera Francesa, no fim da manhã, e avisou: “Não cederemos nem um milímetro” (na defesa dos valores franceses). “A França está sob ataque”, admitiu. O chefe de Estado elevou o nível de segurança em todo o país para o mais alto patamar e aumentou de 3 mil para 7 mil os militares que patrulham as ruas na Operação Sentinela. “Se somos atacados mais uma vez, é por valores que são nossos: a liberdade, a possibilidade de acreditarmos livremente e de não cederemos a nenhum espírito de terror”, declarou. Os líderes dos 27 países-membros da União Europeia (UE) repudiaram a barbárie de ontem e apelaram por “diálogo e compreensão entre comunidades e religiões, em vez de divisão”. Em comunicado conjunto, externaram sua unidade e firmeza na solidariedade à França e na luta comum contra o terrorismo e a violência extremista.

O atentado em Nice ocorreu um dia depois de o governo da Turquia ameaçar Paris depois da publicação, por parte do Charlie Hebdo, de uma caricatura em que o presidente Recep Tayyip Erdogan aparece de cueca, com cerveja na mão, levantando o hijab (véu islâmico integral) de uma mulher e gritando: “Oh! O profeta!”. O líder turco também acusou o colega francês de islamofobia. Ontem, a Turquia condenou “firmemente” o ataque “selvagem” e externou sua solidariedade.

O triplo assassinato de ontem também coincide com o julgamento de cúmplices da carnificina na redação do semanário satírico — em 7 de janeiro de 2015, os irmãos franceses Amedy e Chérif Kouachi invadiram a sede do Charlie e executaram quatro jornalistas, quatro cartunistas, dois policiais, um visitante e a recepcionista do prédio. Em 14 de julho de 2016, Nice foi alvo de um massacre perpetrado pelo também tunisiano Mohammed Lahouajej Bouhlel. Ele usou um caminhão para atropelar e matar 86 pessoas, além de ferir cerca de 300.

Testemunha

O agente de segurança aeroportuária Florent Boyssou, 31 anos, relatou ao Correio os momentos de pânico que vivenciou quando caminhava rumo a uma drogaria, na manhã de ontem. “Por volta das 9h, eu passava pela rua de trás da Basílica de Notre-Dame, quando escutei gritos de pavor e vi pessoas correrem. Não sabia o que tinha acontecido. Nessas horas, a gente não pensa. Então, comecei a correr o mais rápido que pude”, contou. “Todo mundo estava amedrontado e tentava fugir. Vi uma mulher carregar o filho nos ombos, enquanto corria e chorava. Eu e outros tentamos nos esconder atrás dos carros ou na entrada dos prédios.”

Boyssou disse que, na noite de ontem, uma multidão caminhou até a Basílica de Notre-Dame, acendeu velas em memória dos mortos e entoou a Marselhesa, o Hino Nacional da França. Entre os presentes, estavam vários muçulmanos. “Nós, franceses, desejamos ser ouvidos. Então, tomamos as ruas para mostrar que somos mais fortes do que o terrorismo”, afirmou.

Repercussão

O mundo reagiu com forte indignação ao triplo assassinato em Nice. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu o fim imediato dos atentados. “Nossos corações estão com o povo da França. Os Estados Unidos estão com nosso mais antigo aliado nesta luta”, escreveu Trump no Twitter. “Esses ataques terroristas islâmicos radicais precisam parar imediatamente. Nenhum país, a França ou qualquer outro, consegue aguentar por muito mais!” Por sua vez, o democrata Joe Biden, rival de Trump nas eleições de 3 de novembro, prometeu que o seu eventual governo “trabalhará com aliados e parceiros para evitar a violência extremista de todas as formas.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou veementemente o ataque atroz” e reafirmou a solidariedade das Nações Unidas com a população e o governo da França”. A Turquia condenou “firmemente” o ataque “selvagem” a Nice e manifestou sua “solidariedade”, apesar das tensões diplomáticas entre os dois países.

» Consternação papal

O papa Francisco pronunciou-se sobre a tragédia. Por meio do Twitter, o pontífice afirmou estar próximo da comunidade católica de Nice e em luto “após o ataque que semeou a morte num lugar de oração e de consolação”. “Rezo pelas vítimas, por suas famílias e pelo querido povo francês, para que possam responder ao mal com o bem”, declarou.

» Eu acho…

“É claro que ataque à minha cidade foi uma vingança contra as charges do Charlie Hebdo. A França é um país muito culto, onde existem regulamentações para tais caricaturas. Então, confio totalmente no meu governo em relação à temática desses desenhos.” Florent Boyssou, 31 anos, morador de Nice e testemunha do atentado.

“Diga aos meus filhos que eu os amo”

 (crédito: Reprodução/Facebook)

crédito: Reprodução/Facebook

A imagem de Jesus Cristo na capa de seu perfil do Facebook e a mais recente mensagem postada apontam para uma pessoa religiosa. “Onde estiveres, Deus te guarde. Onde andar, Deus te guie. O que decidir Deus te ilumine”, publicou, em julho passado. Dois meses antes, ela tinha escrito: “Que a flecha do amor penetre a humanidade”. O ódio e os golpes de faca desferidos pelo tunisiano Brahim Aouissaoui selaram tragicamente o destino de Simone Barreto Silva. A baiana de 45 anos, mãe de dois meninos e de uma menina, tentou buscar ajuda na cafeteria L’Unik, mas não resistiu aos ferimentos. “Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante. (…) Ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja”, disse à TV France Info, ainda em estado de choque, Brahim Jelloule, um dos proprietários da L’Unik. Segundo testemunhas, pouco antes de morrer, Simone pediu: “Diga aos meus filhos que eu os amo”.

Natural de Salvador, ela vivia em Nice havia três décadas, onde organizava atividades culturais e cuidava de idosos. Na França, não perdeu as raízes e ajudou a organizar a Festa e Iemanjá de Nice. A família de Simone somente teria sido avisada quase seis horas depois do atentado.

A soteropolitana Ivana Gomes, 46, conhecia Simone desde 1995. “Nós nos conhecemos em Salvador. Viemos trabalhar em um grupo de dança do qual a irmã dela era diretora artística, aqui em Nice. Éramos muito amigas, super cúmplices, nos entendíamos superbem e tínhamos aquela coisa de signos. Éramos librianas. Ela era superanimada, feliz com a vida, divertida, sorridente e brincalhona, uma moleca”, contou ao Correio a assistente escolar. A vida as separou quando Ivana mudou-se para Paris. “Nós nos encontramos para comemorar o 45º aniversário dela, no último dia 10.” Ivana confirma a versão sobre as últimas palavras de Simone.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ontem, que soube de “notícias tristes mundo afora, de decapitação de pessoas”. “De pessoas, não, de cristãos, na França. Parece uma brasileira também foi esfaqueada. O mundo tem que se preocupar com isso. Falei na ONU, agora, sobre a tal da cristofobia”, afirmou. “Nós admitimos qualquer religião, mas não podemos admitir a intolerância, ainda mais desta forma. (…) Tem bairros na França que parece que tem uma religião dominando lá, e alguns países também”, acrescentou.

Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro deplorou e condenou veementemente o “atroz atentado” em Nice. “O presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e ao governo franceses”, afirma o texto. Segundo o comunicado, “o Brasil expressa seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma seu compromisso de trabalhar no combate e na erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa”. “Neste momento, o governo brasileiro manifesta, em especial, sua solidariedade aos cristãos e pessoas de outras confissões que sofram perseguição e violência em razão de sua crença”, acrescenta.

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Forte terremoto atinge a Grécia e Turquia e gera tsunami

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Sismo na escala 7 atingiu principalmente a cidade turca de Izmir; ao menos 4 pessoas morreram e 120 ficaram feridas, segundo autoridades turcas

Terremoto em Esmirra – reprodução/Reprodução

A Turquia e a Grécia registraram nesta sexta-feira, 30, um terremoto de magnitude 7 na escala Richter. O tremor provocou um tsunami no Mar Egeu, atingindo a cidade turca de Izmir e a ilha grega de Samos.

Segundo a agência turca estatal Anadolu, ao menos 4 pessoas morreram e 120 ficaram feridas.

Sentido em Istambul e em Atenas, o sismo ocorreu no mar, ao sudoeste de Izmir, terceira cidade da Turquia.  Na cidade, prédios caíram e houve cenas de pânico. Segundo o governo, pode haver pessoas presas debaixo dos destroços.

“Até o momento, nós recebemos a informação de que seis prédios colapsaram” em Izmir, disse o ministro de Interior Turco, Suleyman Soylu, pelo Twitter.

 

İzmir’de Tsunami sonrası görüntüler:pic.twitter.com/sSQ8AAr9hS

— İbrahim Haskoloğlu (@haskologlu) October 30, 2020

 

 

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Novo ministro da Fazenda do Paraguai vê forte retomada em 2021

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Segundo o FMI, o PIB paraguaio deve encolher 4% em 2020 em comparação com a queda de 8,1% prevista para o continente

O Paraguai pode crescer até 6% no próximo ano com a extensão das medidas de estímulo do governo, que ajudaram a economia a enfrentar a crise de coronavírus com uma das recessões mais brandas da América do Sul, segundo o ministro da Fazenda, Óscar Llamosas.

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Chances de Trump ganhar a eleição diminuem, diz “gênio da estatística”

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As chances de Trump nesta eleição americana são ainda menores do que eram contra Hillary Clinton em 2016, segundo o FiveThirtyEight

Comício de Trump nesta semana, no Michigan, onde venceu por pouco em 2016: a chance do presidente está em alguns estados decisivos (Shannon Stapleton/Reuters)

Em um mês, as chances do presidente americano, Donald Trump, de vencer a eleição diminuíram bruscamente. Ao menos, é o que mostra o modelo estatístico do site americano FiveThirtyEight, do estatístico Nate Silver.

As chances de reeleição do presidente caíram para 10%, segundo a projeção do FiveThirtyEight. Em agosto, quando Silver lançou seu modelo de projeção para as eleições deste ano, Trump tinha 30% de chance.

A eleição americana acontece em 3 de novembro, na próxima terça-feira, e um terço dos eleitores já votou com antecedência.

Foram esses mesmos 30% que Trump tinha na projeção do site em 2016, às vésperas da eleição na qual derrotou Hillary Clinton. Naquele momento, por incrível que pareça, a projeção do FiveThirtyEight era das mais pessimistas: houve quem desse 99% de chance de vitória de Clinton.

Silver ficou famoso em 2008 ao acertar as previsões para 49 dos 50 estados americanos nas eleições presidenciais. Em 2016, seu trabalho e o de todos os estatísticos foi colocado em xeque.

Como se sabe, a eleição terminou com vitória de Trump no colégio eleitoral, isto é, o presidente conseguiu vencer em quase todos os estados decisivos — os que importam no modelo eleitoral americano. Hillary Clinton até ganhou no total nacional de votos (48% a 46%), mas não nesses estados importantes.

Agora, com 10% de chance, Trump chega a seu menor patamar no FiveThirtyEight nesta eleição e também incluindo a de 2016. Na ocasião, Silver apontou em artigo que as chances de Trump poderiam aumentar caso a pandemia fosse amenizada até novembro, os empregos voltassem ou uma vacina fosse confirmada. Nenhuma dessas coisas aconteceu, o próprio presidente pegou covid-19 no meio do caminho e uma segunda onda da pandemia ameaça os EUA, com recorde de novos casos ontem.

Mas, como 2016 mostrou, mesmo uma porcentagem pequena de chances ainda é alguma coisa. Desta vez, os estatísticos afirmam também que reformularam algumas pesquisas para minimizar os erros vistos em 2016.

Pela média das pesquisas hoje, Biden venceria com sete pontos de vantagem nacionalmente, e aparece vencendo também nos estados decisivos, embora com margem mais apertada do que nacionalmente.

Por outro lado, o modelo eleitoral americano favorece Trump porque os estados decisivos podem ser mais “de direita” do que a média nacional. Assim, como mostrou uma análise exclusiva da EXAME, um presidenciável americano poderia ser eleito, no limite, com só 23% dos votos válidos. No modelo brasileiro, por exemplo, precisaria da maioria, isto é, 50% mais um voto.

É por isso que a chance de vitória de Trump está em alguns estados, e não no país inteiro. Se o presidente conseguir se reeleger, há uma chance grande de que o faça novamente ganhando de forma apertada em alguns estados e sem ganhar no voto popular nacionalmente, o mesmo que aconteceu em 2016.

No modelo estatístico do FiveThirtyEight, as chances de Trump ter maioria no voto popular são só de 3%. As de Biden são de 97%. Ou seja, Trump tem mais chance de ganhar a eleição (10%) do que tem de ganhar o voto popular (3%).

Um dos estados que o FiveThirtyEight aposta que pode decidir a eleição é a Pensilvânia. Por lá, Biden lidera nas pesquisas com cinco pontos de vantagem. Mas, se ocorrer um erro nos patamares de 2016, Trump pode vencer — obrigando Biden a vencer em outros estados onde tem hoje menos chance.Pelas projeções estatísticas, os democratas têm ainda grandes chances de seguir com maioria na Câmara e mais chances que os republicanos de ganhar o Senado, o que seria crucial para um governo Biden.

Pelo modelo eleitoral americano, não valem só os votos gerais do país; a depender do tamanho da população, cada estado tem uma quantidade de votos dentre os 538 do chamado colégio eleitoral. Em todos os estados (com exceção de dois), o vencedor fica com todos os votos do colégio eleitoral, não importa o quão apertada tenha sido a eleição.

Em 2016, por exemplo, Trump também levou o Michigan, um dos estados historicamente em disputa nas eleições. O presidente venceu por só 11.000 votos de diferença, mas foi o suficiente para lhe garantir os 16 votos do estado no colégio eleitoral. Antes de 2016, a última vez que um republicano tinha ganhado no Michigan havia sido com George H. W. Bush (o “Bush pai”), em 1988.

Isso faz com que alguns estados sejam mais importantes que outros na campanha eleitoral. São os chamados swing states, que podem ser ou republicanos ou democratas. Já estados que sempre votam no mesmo partido, como a Califórnia e Nova York (nos democratas), ou Idaho ou Tennessee (nos republicanos), já estão praticamente “garantidos” e não desempatam a eleição.

Made with Flourish

Os swing states também podem mudar de eleição para eleição. Neste ano, uma das maiores surpresas é o Arizona, de pouco mais de 7 milhões de habitantes e onde um democrata não ganha desde Bill Clinton em 1996. Biden tem dois pontos de vantagem no Arizona nas pesquisas. O Texas também está com disputa mais apertada que o normal, e Trump tem somente um ponto de vantagem até esta sexta-feira, 30.

Neste ano, a missão de Biden é justamente ganhar nesses notáveis estados. A Flórida é o mais importante deles, porque tem mais votos no colégio eleitoral, mas cada swing state pode significar a diferença entre a vitória ou a derrota.

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Por que a eleição no Senado é crucial para o próximo presidente dos EUA

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Caso Joe Biden leve a Presidência, mas não tenha controle do Congresso, suas mãos estarão atadas. O mesmo vale para Donald Trump, caso seja reeleito

Senado americano: a vantagem estável para Joe Biden apontada nas pesquisas de intenção de votos também deve beneficiar os candidatos democratas ao Senado (Mark Wilson/Getty Images)

O mandato de dois anos para os deputados é uma entre tantas peculiaridades do sistema eleitora americano. Outra é a renovação escalonada dos senadores, cujo mandato é de seis anos. A cada ciclo eleitoral, apenas um terço das cem vagas do Senado são renovadas.

Isso significa na prática que o controle de ambas as casas pode mudar de mãos a cada biênio. Em 2018, na metade do mandato de Trump, os democratas reconquistaram a Câmara (mas continuaram em minoria no Senado).

Na terça-feira, 35 cadeiras do Senado estarão em disputa: 14 são democratas e 21, republicanas. O partido de Biden trabalha com duas hipóteses, ambas plausíveis de acordo com as pesquisas mais recentes:

  • Com uma vitória de Biden, bastaria um ganho líquido de três disputas. O Senado ficaria dividido exatamente ao meio (dois senadores são independentes, mas votam sempre com os democratas, o que significa 50 senadores para cada partido em termos práticos). A vice-presidente, Kamala Harris, seria o voto de Minerva.
  • Caso Trump seja reeleito, os democratas teriam de garantir quatro vagas a mais, o que lhes daria uma maioria de um único voto.

No começo de setembro, o site FiveThirtyEight calculava em 57% as chances de uma troca de controle no Senado. De acordo com as estimativas mais recentes, essa probabilidade agora é de 78%.

A matemática é complicada, pois são muitas cadeiras em disputa, e as pesquisas podem estar erradas. Mas a sensação entre os observadores é que a mesma onda que vem garantindo uma vantagem estável para Joe Biden também deve beneficiar os candidatos ao Senado.

O principal motivo é a pandemia da Covid-19. Os Estados Unidos contabilizam quase 9 milhões de casos e 228.000 mortes (ambos recordes mundiais). A doença segue fora de controle no país, e com a chegada do inverno há temores de que o pior ainda esteja por vir.

A eleição presidencial é um referendo sobre a atuação do governo Trump – e o mesmo está acontecendo com as disputas do Legislativo.

Em cinco estados em que os candidatos democratas têm vantagem sobre os adversários – Arizona, Carolina do Norte, Colorado, Iowa e Maine –, Trump está atrás de Biden. Em três deles, o presidente foi o vitorioso na eleição de quatro anos atrás.

Até mesmo na Geórgia, estado do Sul americano controlado pelo Partido Republicano há quase 30 anos, há boas chances de que os democratas vençam as duas vagas de senador em disputa.

Por que o Senado é crucial

Obter o controle do Senado é considerado essencial para as pretensões de Joe Biden e do Partido Democrata. Sem maioria, muitas de suas promessas de campanha morrerão na praia.

Com raríssimas exceções, ambos os partidos votam em bloco. Ou seja, uma proposta de Biden para ampliar a cobertura de saúde estatal, por exemplo, não tem a menor chance de ser aprovada por um Senado dominado pelos republicanos.

Nem sempre foi assim. Leis que ampliaram os direitos civis, em meados do século passado, foram passadas com apoio de democratas e republicanos. O mesmo aconteceu no processo de impeachment de Richard Nixon.

Mas, hoje, o abismo entre os partidos não poderia ser mais vasto. Um exemplo recente é uma segunda dose de estímulo econômico para reavivar a economia.

Os democratas aprovaram na Câmara um pacote de 2,2 trilhões de dólares, mas o projeto ficou empacado no Senado. Já os senadores  queriam um pacote menor, de 500 bilhões de dólares, bloqueado pelo Partido Democrata (neste caso são necessários 60 votos).

Como se a polarização já não fosse extrema, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, colocou a aprovação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte na frente das discussões sobre a ajuda de emergência.

“Nosso país ainda tem muito a fazer para superar essa crise de saúde pública e a nossa economia se recuperar plenamente. Há muito mais a ser feito”, escreveu a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, numa carta ao secretário do Tesouro, Steve Mnuchin.

Mas os números de crescimento do PIB recém-divulgados – um aumento de 33,1% — devem complicar ainda mais qualquer possibilidade de acordo.

Uma hipótese cada vez mais plausível é que a nova rodada de ajuda oficial fique para o ano que vem. Os novos senadores assumem no dia 3 de janeiro. Caso os democratas obtenham a maioria, as chances de um acordo são consideradas maiores.

Também existe a expectativa de que, com o Congresso do seu lado, Biden estenda o programa de auxílio a pequenas empresas e a estados e municípios, que estão diante de déficits históricos por causa da paralisação econômica provocada pela pandemia.

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A história mostra que, mesmo que com uma vitória completa, Biden deve ter pouco tempo para aproveitar o controle do Legislativo. Em apenas 8 dos últimos 30 anos um mesmo partido dominou a Casa Branca e as duas casas do Congresso.

Como as eleições acontecem a cada dois anos, em 2022 haverá uma completa renovação da Câmara e de um terço do Senado – as chamadas midterm elections. Tradicionalmente, o partido que está na Casa Branca sai derrotado nessas eleições.

Em 2010, os democratas perderam o controle da Câmara na metade do primeiro mandato de Barack Obama. O então presidente chamou aquela eleição de “uma surra”.

Em 2016, Trump e os republicanos obtiveram uma vitória completa: Casa Branca e Congresso. Foi graças a isso que Trump conseguiu aprovar no final de seu primeiro ano de mandato um corte de impostos para cidadãos e empresas. Um ano mais tarde, porém, os republicanos perderiam o controle da Câmara.

Mas nada se compara à derrota sofrida por Bill Clinton nas midterms de 1994. Num evento que ficou conhecido como “revolução republicana”, o presidente democrata viu o Congresso inteiro passar para as mãos da oposição – o que não ocorria havia 40 anos.

O resultado acabou com as chances de aprovação de um plano de reforma completa do sistema de saúde americano – um esforço capitaneado pela então primeira-dama, Hillary Clinton.

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sábado, 31 de outubro de 2020

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