Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, comentou sobre a decisão da China de impor restrições rigorosas à importação de carne bovina do Brasil, seu maior fornecedor. A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026, bem menor que as exportações previstas de 1,7 milhão de toneladas, além de aplicar uma tarifa extra de 55%, somada à tarifa já existente de 12%, totalizando 67%.
Essa medida dificulta muito a venda de carne fora da cota estabelecida, podendo causar distorções na economia chinesa, principalmente por aumento de preços e inflação. Jank acredita que a China exagerou na dose, já que o consumo de carne bovina no país ainda é baixo comparado ao Brasil, e a indústria chinesa é menos competitiva.
Para o Brasil, a alternativa é tentar ampliar a cota de exportação e buscar o remanejamento das cotas que não forem usadas por outros países, como Argentina, Uruguai e Estados Unidos, que têm enviado menos carne para a China por diversos fatores.
A situação pode levar o Brasil a questionar essa salvaguarda na Organização Mundial do Comércio (OMC), pois a China nunca usou cotas desse tipo na carne bovina antes e as novas medidas podem não seguir as regras internacionais que o país costuma defender.
Essa restrição da China surpreende, pois é um momento em que ambos os países falam em parceria estratégica. O Brasil deve defender seus interesses e buscar soluções diplomáticas para ampliar o volume exportado e evitar prejuízos ao setor, que é o segundo maior exportador brasileiro, depois da soja.
Portanto, Marcos Jank alerta que essa decisão chinesa pode ser prejudicial para ambos os lados e é importante buscar diálogo, negociações e análises cuidadosas na OMC para resolver o conflito de forma justa.
