Rio de Janeiro — Os países que fazem parte do Brics reagiram à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou aplicar novas tarifas de 10% sobre qualquer nação que se alie contra as políticas americanas do bloco. Esta declaração veio logo após o comunicado divulgado na cúpula do Brics, ocorrida no Rio de Janeiro em 7 de julho, que criticou medidas protecionistas no comércio, sem mencionar diretamente os EUA.
Brics e a ameaça de Trump
O Brics, formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, grupo que dá nome à sigla, foi criado em 2009 com a finalidade de promover a cooperação econômica e o desenvolvimento entre seus membros. Entre os temas discutidos estão as negociações comerciais usando moedas locais.
No início deste ano, Trump já havia ameaçado o bloco, prometendo tarifas de 100% caso o Brics não aceitasse os interesses comerciais dos EUA. Em sua rede social Truth Social, ele afirmou: “Não existe possibilidade do Brics substituir o dólar americano no comércio global ou em qualquer outro setor. E qualquer país que tentar deverá receber tarifas e perder relações com os EUA”.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, ressaltou que o Brics não é um grupo de confronto e que conflitos comerciais beneficiam a ninguém.
“O Brics é uma plataforma essencial para cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento. Apoia abertura, inclusão e cooperação que beneficie todos. Não visa confronto nem tem como alvo qualquer país”, declarou Mao Ning em entrevista coletiva.
Quanto aos recentes aumentos tarifários dos Estados Unidos, a China deixou claro que disputas comerciais não levam a resultados positivos e que o protecionismo é prejudicial para todos.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também destacou que a colaboração do Brics não é voltada contra outras nações.
“Observamos as declarações de Trump, mas é fundamental entender que a singularidade do Brics está no fato de seus membros compartilharem objetivos e visões comuns para cooperar segundo seus próprios interesses. Essa colaboração nunca foi nem será contra países terceiros”, explicou Peskov.
