A China e os Estados Unidos minimizaram as preocupações levantadas por empresas de inteligência artificial sobre o rápido desenvolvimento dessa tecnologia, afirmou que há exagero nas previsões que poderia prejudicar as ações governamentais.
O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que o alarmismo em torno da IA é exagerado e que esta tecnologia é “uma força para o bem”.
Segundo o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, promover narrativas ameaçadoras e incentivar confrontos só atrapalha a governança global da IA e não beneficia ninguém.
No entanto, internamente, órgãos chineses de segurança alertaram sobre riscos políticos e sociais decorrentes do uso da IA, apontando para o uso mal-intencionado de deepfakes e manipulação de informações em larga escala, conforme declarou Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, em sua primeira fala pública sobre o tema.
Apesar desses alertas, o governo chinês não sugeriu que a IA causaria a extinção da humanidade nem pediu a diminuição das pesquisas na área.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que há “forças negativas” criando previsões irreais sobre o futuro da IA, indicando que tais preocupações são exageros.
Esses posicionamentos ocorrem enquanto as duas nações abrigam as maiores empresas criadoras de modelos avançados de IA, que recentemente enfrentaram ataques cibernéticos preocupantes, elevando temores sobre o controle dessas tecnologias.
A União Europeia apoia a inovação, mas reforça a necessidade de comprovar a segurança desses sistemas, enquanto o Reino Unido planeja uma reunião entre líderes empresariais e governamentais para discutir o desenvolvimento responsável da IA.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou para a urgência de regulamentação devido aos riscos inéditos trazidos pelos sistemas avançados, destacando que todos os direitos humanos, inclusive o direito à vida, estão ameaçados.
Recentemente, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu desaceleração no desenvolvimento da IA, citando o risco da tecnologia evoluir mais rápido do que a capacidade humana de controle, sugerindo uma abordagem colaborativa entre empresas e reguladores.
Outros líderes de grandes empresas de IA, como Sam Altman (OpenAI), Elon Musk (SpaceX), Satya Nadella (Microsoft) e Demis Hassabis (Google DeepMind), apoiaram essa ideia.
Por outro lado, o jornal nacionalista chinês Global Times criticou essas posições, afirmando que tendem a transformar a segurança da IA em um tema geopolítico conflituoso, dizendo que os motivos seriam comerciais.
Além disso, ex-engenheiros das maiores empresas alertaram para o rápido avanço rumo a sistemas superinteligentes que poderiam causar danos irreparáveis à humanidade ainda nesta década.
Como consequência das preocupações com a segurança da IA, ações no setor de tecnologia caíram globalmente, com empresas asiáticas e americanas registrando quedas significativas no mercado.
Especialistas afirmam que a maior supervisão das empresas de IA pode, no fim, ser benéfica, já que uma pausa para avaliar os riscos é preferível a um avanço acelerado seguido de uma paralisação inesperada.
