O Chile realiza neste domingo, dia 14 de dezembro, o segundo turno das eleições presidenciais em um cenário de forte polarização desde o fim da ditadura. José Antonio Kast, conhecido como o ‘Bolsonaro chileno’, é o favorito contra a candidata comunista Jeannette Jara, que busca reverter a vantagem obtida no primeiro turno.
As pesquisas indicam que Kast deve conquistar entre 55% e 60% dos votos, apoiando-se fortemente em propostas focadas na segurança pública. Já Jara enfrenta a consolidação de uma ampla aliança de direita em torno de seu adversário, apesar de ter liderado o primeiro turno por uma margem estreita.
Segundo turno fundamental para o futuro político do Chile
Uma eventual vitória de Kast representaria a maior guinada para a direita desde o período da ditadura, incluindo propostas como o envio de militares para bairros considerados problemáticos, a construção de barreiras na fronteira e a criação de uma força especial para deportação de migrantes irregulares.
Por sua vez, Jara defende a continuidade e aprofundamento das reformas sociais, o fortalecimento das políticas públicas e o combate ao crime organizado com foco em prevenção, inteligência policial e programas sociais.
A disputa é marcada por controvérsias e apelos
A campanha final foi marcada por debates sobre a relação de Kast com o regime autoritário de Augusto Pinochet, incluindo sua defesa da possibilidade de redução de penas para militares condenados por violações de direitos humanos, o que gerou forte reação de organizações de direitos humanos.
Kast, de 59 anos, admite ter apoiado a permanência de Pinochet no plebiscito de 1988 e é considerado o candidato mais à direita desde a redemocratização. Jara, de 51 anos, apelou ao eleitorado moderado, oferecendo estabilidade, reformas sociais responsáveis e segurança sem militarização, buscando também os eleitores indecisos, que correspondem a cerca de 20% do eleitorado.
A polarização também ficou evidente nas ruas, com Kast prometendo combater a imigração irregular e Jara acusando o adversário de explorar o medo, defendendo uma segurança com humanidade.
Um próximo governo com maior equilíbrio no Congresso
Independentemente do resultado, o novo presidente tomará posse em março de 2026 enfrentando um Congresso fragmentado, agora com maior inclinação à direita. Essa situação deve limitar reformas radicais e exigir negociações com o centro político, reduzindo a possibilidade de implementação de agendas extremas.
