BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS
Uma operação conjunta entre as polícias do Brasil, Paraguai e a agência antidrogas dos Estados Unidos resultou na prisão de um homem identificado como líder do Comando Vermelho em Mato Grosso.
João Batista Vieira dos Santos foi capturado em sua residência na cidade de Assunção, no Paraguai. Ele é suspeito de estar envolvido em diversas atividades ilegais, incluindo jogos clandestinos, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, participação em organização criminosa e fraude judicial, conforme informações da polícia. Durante a prisão, foram encontrados três documentos falsificados com ele.
A defesa de João Batista ainda não foi confirmada pelas autoridades.
Após a detenção, o suspeito foi levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde permanece sob custódia.
João Batista era responsável pelo gerenciamento financeiro das operações do Comando Vermelho e era considerado o braço direito de um membro do conselho da organização criminosa, explicou o delegado Antenor Pimentel, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Mato Grosso (Draco).
Além disso, João Batista coordenava o esquema de jogos de azar da facção, que utiliza raspadinhas ilegais como método.
As investigações revelaram mensagens e chamadas de vídeo que mostram planilhas com valores arrecadados, a quantidade de bilhetes vendidos e os repasses financeiros. As conversas indicam que devedores eram ameaçados com violência para quitar suas dívidas.
Mesmo estando foragido, João Batista mantinha uma vida pública nas redes sociais, postando fotos em bares, durante treinos e inclusive exibindo armas, conforme apurado.
Antes de ser preso no Paraguai, ele teria passado um período no Rio de Janeiro, protegido pelo Comando Vermelho.
João Batista possui antecedentes criminais, incluindo a construção de um túnel que teria sido planejado para resgatar presos da Penitenciária Central do Estado em Cuiabá, em 2022, além de participação em quadrilhas conhecidas como novo cangaço, que promovem roubos violentos em pequenas cidades.
No final de 2025, a polícia apreendeu quase duas toneladas de maconha em uma propriedade ligada a João Batista em Cuiabá, ocasião em que quatro pessoas foram presas. A análise dos aparelhos celulares apreendidos apontou João Batista como um dos proprietários da droga.
O delegado Pimentel está investigando a origem de laudos médicos que atestam insanidade mental para João Batista. Esses documentos foram utilizados em quatro processos que resultaram em absolvições impróprias, onde é reconhecido que o réu cometeu os crimes, mas é considerado inimputável pela justiça.
Para a polícia, os laudos são conflitantes com o comportamento observado do suspeito durante as investigações.
