A polícia da Turquia utilizou balas de borracha e gás lacrimogêneo na noite de segunda-feira (30), em Istambul, para dispersar uma multidão revoltada após a suposta divulgação de uma charge envolvendo Maomé em um veículo satírico.
A revista Leman negou que a ilustração retrate o profeta, mas o procurador-geral de Istambul ordenou a prisão de quatro funcionários acusados de ofender valores religiosos.
Entre eles, está o autor da charge. Segundo o ministro do Interior, Ali Yerlikaya, “a pessoa responsável por esse desenho ofensivo, identificada como D.P., foi detida”. “Essas pessoas prestarão contas à Justiça pelos seus atos.”
A imagem em preto e branco, que circula pelas redes sociais, mostra dois personagens apertando as mãos no céu, acima de uma cidade bombardeada. Um deles diz: “Salam aleikum, sou Mohamed [Maomé, em árabe]”; o outro responde: “Aleikum salam, sou Musa [Moisés]”.
O editor-chefe da Leman, Tuncay Akgun, declarou à AFP que a charge foi interpretada de forma errada. “Essa ilustração não é de forma alguma uma representação do profeta Maomé. Nela, aparece o nome de um muçulmano que morreu nos bombardeios de Israel. Existem mais de 200 milhões de pessoas muçulmanas com o nome Mohamed. Nunca correríamos esse risco.”
Em sua conta no X, a revista explicou que o chargista queria mostrar a retidão do povo muçulmano oprimido, retratando um muçulmano morto por Israel, sem intenção de desrespeitar valores religiosos.
O procurador-geral abriu um inquérito e emitiu mandados de prisão contra os envolvidos. Além do chargista, o Ministério Público pediu a detenção de dois editores e do diretor de redação.
À noite, manifestantes atacaram um bar frequentado por funcionários da Leman, no centro de Istambul. O protesto gerou confrontos com a polícia.
A Leman, fundada em 1991, é alvo dos conservadores, especialmente após apoiar a revista francesa Charlie Hebdo depois do ataque jihadista em 2015.
