Em sua mensagem de fim de ano divulgada na quarta-feira (30/12), Friedrich Merz destacou que a ameaça de conflito na Europa exige que o continente defenda seus interesses para garantir paz e desenvolvimento em 2026. Ele apontou que a ofensiva da Rússia, o aumento do protecionismo global e as mudanças nas relações com os Estados Unidos serão os principais desafios para a Europa no próximo ano.
O chanceler alemão qualificou a guerra entre Rússia e Ucrânia como uma ameaça direta à liberdade e segurança europeias. Ele afirmou que está cada vez mais claro que a agressão da Rússia integra um plano que visa toda a Europa, ressaltando que a Alemanha enfrenta diariamente ataques de sabotagem, espionagem e cibernéticos.
Friedrich Merz assumiu a chefia do governo em maio e participou da coordenação das ações da União Europeia para apoiar a Ucrânia desde a invasão russa iniciada em 2022. Em 2023, a Alemanha aumentou os investimentos em defesa para fortalecer sua capacidade de dissuasão.
Além disso, o chanceler destacou que o crescimento do protecionismo econômico global representa um desafio para a Europa, que depende de importações de matérias-primas, e é utilizado como instrumento político contra o continente. A Alemanha busca reduzir sua dependência da China, revitalizar sua economia exportadora e lidar com as tensões comerciais desencadeadas pelas políticas tarifárias do governo americano.
Friedrich Merz também ressaltou que a relação histórica de segurança com os Estados Unidos sofreu impacto com o retorno de Donald Trump à presidência, o que obriga a Europa a defender seus interesses de forma autônoma. Ele enfatizou a importância da confiança para a Europa e afirmou que 2026 pode ser um ano decisivo para que a Alemanha e o continente retomem décadas de paz, liberdade e prosperidade.
Na política interna, Merz comentou os desafios representados pela ascensão da extrema direita e afirmou que, apesar das dificuldades, o processo democrático é fundamental para obter resultados amplamente aceitos. Ele também frisou a necessidade de reformas econômicas e sociais para evitar o atraso das empresas alemãs, especialmente considerando o envelhecimento da população e a aposentadoria em massa de gerações anteriores. O chanceler defendeu reformas para equilibrar o sistema de seguridade social e garantir sua sustentabilidade a longo prazo.
Apesar das tentativas diplomáticas de pôr fim à guerra na Ucrânia, as negociações de paz foram abaladas após acusações mútuas envolvendo ataques recentes. Combates continuam, e vítimas civis foram reportadas em ataques na região de Odessa. Está prevista uma reunião em janeiro entre líderes dos países aliados da Ucrânia para discutir o conflito e apoiar as negociações de paz.
